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ID
3409654
Banca
VUNESP
Órgão
EBSERH
Ano
2020
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

                                        Filho


      Não existe isso que chamam de reprodução. Quando duas pessoas decidem ter um bebê, elas se envolvem em um ato de “produção”, e o uso generalizado da palavra “reprodução” para essa atividade, com a implicação de que duas pessoas estão quase se trançando juntas, é na melhor das hipóteses um eufemismo para confortar os futuros pais antes que se metam em algo que não podem controlar. Nas fantasias subconscientes que fazem a concepção parecer tão sedutora, muitas vezes é nós mesmos que gostaríamos de ver viver para sempre, e não alguém com uma personalidade própria. Tendo previsto a marcha para a frente de nossos genes egoístas, muitos de nós não estamos preparados para filhos que apresentam necessidades desconhecidas. A paternidade nos joga abruptamente em uma relação permanente com um estranho, e quanto mais alheio o estranho, mais forte a sensação de negatividade. Contamos com a garantia de ver no rosto de nossos filhos que não vamos morrer. Filhos cuja característica definidora aniquila a fantasia da imortalidade são um insulto em particular: devemos amá-los por si mesmos, e não pelo melhor de nós mesmos neles, e isso é muito mais difícil de fazer. Amar nossos próprios filhos é um exercício para a imaginação.

      Mas o sangue, tanto na sociedade moderna como nas antigas, fala mais alto. Pouca coisa é mais gratificante do que filhos bem-sucedidos e dedicados, e poucas situações são piores do que o fracasso ou a rejeição filial. Na medida em que nossos filhos se parecem conosco, eles são nossos admiradores mais preciosos, e, na medida em que são diferentes, podem ser os nossos detratores mais veementes. Desde o início, nós os instigamos a nos imitar e ansiamos pelo que talvez seja o elogio mais profundo da vida: o fato de eles escolherem viver de acordo com nosso sistema de valores. Embora muitos de nós sintam orgulho por ser diferentes dos pais, ficamos infinitamente tristes ao ver como nossos filhos são diferentes de nós.

(Andrew Solomon. Longe da árvore: pais, filhos e a busca da identidade, 2013. Adaptado)

O trecho do texto que está reescrito corretamente, considerando as regras de emprego da vírgula é:

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA B

     a) Desde o início, nós os instigamos a nos imitar e ansiamos, pelo que talvez seja o elogio mais profundo da vida: o fato de eles escolherem viver de acordo com nosso sistema de valores ? ansiamos por alguma coisa (=vírgula separando incorretamente o objeto indireto).
     b) O uso generalizado da palavra ?reprodução? para essa atividade, com a implicação de que duas pessoas estão quase se trançando juntas, é, na melhor das hipóteses, um eufemismo.
     c) A paternidade nos joga, abruptamente em uma relação permanente com um estranho, e quanto mais alheio o estranho, mais forte a sensação de negatividade ? nos joa em algo (=vírgula separando incorretamente o objeto indireto).
     d) Tendo previsto a marcha para a frente de nossos genes egoístas, muitos de nós não estamos preparados para filhos que, apresentam necessidades desconhecidas ? o pronome relativo "que" está exercendo a função de sujeito, a vírgula está separando o sujeito de seu verbo.
     e) Devemos amá-los por si mesmos e, não pelo melhor de nós mesmos neles, e isso é muito mais difícil de fazer ? vírgula desmembrando incorretamente a oração coordenativa aditiva.

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    ? FORÇA, GUERREIROS(AS)!! 

  • Assertiva b

    O uso generalizado da palavra “reprodução” para essa atividade, com a implicação de que duas pessoas estão quase se trançando juntas, é, na melhor das hipóteses, um eufemismo

  • Complemento..

    A) Não se separa verbo dos complementos..

    (..) ansiamos, pelo que talvez seja o elogio mais profundo da vida: (..)

    C) abruptamente= deveria vir isolado por vírgulas pois deslocado de sua posição natural .

    D)

    Partindo da mesma premissa do colega..

    Que como pronome relativo.a vírgula é acertada quando é utilizada antes do que.

    D) Devemos amá-los por si mesmos e, não pelo melhor de nós mesmos neles, e isso é muito mais difícil de fazer.

    Usamos Vírgulas quando o e possui sujeito distinto

  • Na minha opnião todas as alternativas estão horríveis,mas acertei a questão e concordo com o gabarito.

  • O uso generalizado da palavra “reprodução” para essa atividade é, na melhor das hipóteses, um eufemismo.

    procure adequar sempre

  • Não tem choro aqui. Precisaria fazer uma análise sintática.

  • As questões da VUNESP são bem elaboradas devemos ter um cuidado muito grande.

  • Desde o início, nós os instigamos a nos imitar e ansiamos, pelo que talvez seja o elogio mais profundo da vida: o fato de eles escolherem viver de acordo com nosso sistema de valores.

    Primeira vírgula: separa um adjunto adverbial de tempo deslocado. (facultativa)

    Segunda vírgula: incorreta, pois, está separando o verbo do seu complemento.

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    A paternidade nos joga, abruptamente em uma relação permanente com um estranho, e quanto mais alheio o estranho, mais forte a sensação de negatividade.

    Primeira vírgula: incorreta, pois, está separando o verbo do seu complemento. Vale salientar que a expressão ''abruptamente'' poderia ser isolada por vírgulas.

    Segunda vírgula: correta, pois, separa uma oração subordinada proporcional.

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    Tendo previsto a marcha para a frente de nossos genes egoístas, muitos de nós não estamos preparados para filhos que, apresentam necessidades desconhecidas.

    Incorreta. A vírgula separa o sujeito do verbo.

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    Devemos amá-los por si mesmos e, não pelo melhor de nós mesmos neles, e isso é muito mais difícil de fazer.

    Não se usa vírgula em orações coordenas adversativas quando elas possuírem o mesmo sujeito.

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    ''Hoje entendo que sozinhos todos nós somos metades.''