SóProvas


ID
5040079
Banca
IDCAP
Órgão
Prefeitura de Santa Leopoldina - ES
Ano
2021
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

TEXTO
O texto abaixo servirá de base para responder a questão.

O HÍFEN NO DIVÃ

(1º§) Sempre fui incompreendido. Apesar de ser tão importante fui, muitas vezes, desprezado. Mesmo quando tinha que unir palavras que não poderiam prescindir de mim. Poucas pessoas prestavam atenção às regras. Colocavam-me a seu bel-prazer, achando que estavam até mesmo me fazendo um favor. Isso foi me causando desde um delírio de grandeza até um complexo muito forte de inferioridade. Tentei a indiferença, a prepotência, formas de me proteger. Passei a considerar ignorantes todos aqueles que me desprezavam conscientemente ou não.
(2º§) Minha crise de identidade me levou ao analista. Aliás, pseudo analista. Faço questão de separar essas duas palavras, para mostrar a diferença entre o falso e o legítimo. Não me conformo com a nova ortografia. Estou numa crise existencial ao extremo. Vejo palavras bem à vontade sem a minha presença.
(3º§) Tenho observado pessoas confusas querendo simplesmente me extinguir como fizeram com o trema. Sei que ele foi perdendo importância no nosso país, mas pode se refugiar na Alemanha. Pedi ajuda à reticência, dizendo que ela poderia ser a próxima. Nem me ouviu. Considera-se muito importante, num mundo onde muitos evitam dizer tudo o que pensam. Afirma que é necessária, jamais será extinta, pois existem até mesmo pessoas reticentes, mesmo sem a presença dos três pontos.
(4º§) Tentam simplificar o meu caso, dizendo, muitas vezes, que vale a regra anterior. Como se todos conhecessem e soubessem aplicar regras. Ao invés de simplificar, complicaram tudo. E eu fico vagando entre algumas palavras e querendo permanecer entre outras que não me aceitam mais. O pseudo analista disse que preciso me adaptar. Simplesmente assim. Adaptação. Como se fosse fácil. Pensei que me entenderia, que estaria ao meu lado, lutando por minha posição. Não, acho que está a serviço da Academia Brasileira de Letras.
(5º§) Agora, estou também com mania de perseguição. Completamente perdido. As pessoas evitam palavras antes separadas por mim, por não saberem mais como escrevê-las.
(6º§) Sinto-me abandonado, desprezado, humilhado, vejo palavras deformadas, como: motosserra, autoestima, antirracismo, antissocial, ultrassom. Permaneço entre as cores (azul-marinho, azul-esverdeado, por exemplo), no guarda-roupa (que deprimente), mas não me conformo.
(7º§) Pedi ajuda ao ponto e vírgula para a minha causa. Ele não se importa de não ser bem usado. O acento indicativo de crase simplesmente me ignorou. Tem vários casos e a certeza de que, sendo polêmico, enquanto existirem concursos e vestibulares estará garantido.
(8º§) Preciso encontrar um analista que me entenda, saiba realmente como me sinto. Talvez eu fique morando no seu divã (mesmo que não haja lugar para mim nessa palavra).

(Geni Oliveira - Professora aposentada e escritora.) - (Adaptado)

Marque o que NÃO se comprova na composição textual.

Alternativas
Comentários
  • A alternativa "E" faltou os trechos sublinhados...

    "No período: 'E eu fico vagando entre algumas palavras e querendo permanecer entre outras que não me aceitam mais'. - sublinhamos, respectivamente, um pronome pessoal do caso reto, dois indefinidos variáveis, um oblíquo átono."

  • Gabarito, letra B

    A) A crase usada em: "Poucas pessoas prestavam atenção às regras". - é imposta pela regência nominal do substantivo antecedente

    CORRETA. "Prestavam atenção" é o termo nominal regente da preposição "a". Quem presta atenção, presta atenção em algo.

    → BIZU: preposição "a" diante de palavras no feminino e no plural fica: "a" ou "às", NUNCA escrever "à". Portanto:

    -"...prestavam atenção a regras" (Ok)

    -"...prestavam atenção às regras" (OK)

    -"...prestavam atenção à regras" (Errado)

    C) No período: "O pseudo analista disse que preciso me adaptar". - comprovamos: oração construída com os termos essenciais dispostos na ordem direta, conjunção subordinativa integrante introduzindo oração subordinada substantiva objetiva direta. CORRETA

    → oração construída com os termos essenciais dispostos na ordem direta (sujeito + verbo + complemento)

    O pseudo analista disse que preciso me adaptar

    → conjunção subordinativa integrante

    que = isso -> conjunção integrante

    que = o qual (e variantes) -> pronome relativo

    → introduzindo oração subordinada substantiva objetiva direta

    Quem diz, diz algo a alguém

    "...disse (o que?) que preciso me adaptar. A quem? Não tem.

    D) As vírgulas do período: "Apesar de ser tão importante fui, muitas vezes, desprezado". - intercalam expressão entre verbo de ligação e predicativo. CORRETA

    verbo "fui" (do verbo ser) é verbo de ligação, que liga uma qualidade, estado (ou mudança de estado) ou característica ao nome.

    desprezado - adjetivo

    E) No período: "E eu fico vagando entre algumas palavras e querendo permanecer entre outras que não me aceitam mais". - sublinhamos, respectivamente, um pronome pessoal do caso reto, dois indefinidos variáveis, um oblíquo átono. CORRETA

    → pronome pessoal do caso reto = Eu

    → dois indefinidos variáveis = "algumas" (alguns, alguma); "outras" (outra, outro, outros)

    → oblíquo átono = me, te, se/o/a/lhe, nos, vos, se/os/as/lhes

  • Difícil mesmo é achar essas passagens no texto.