SóProvas


ID
2400697
Banca
IESES
Órgão
GasBrasiliano
Ano
2017
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A CULTURA DA EVOLUÇÃO LIVRE
Publicado em Revista Língua Portuguesa, ano 9, n.º 102, abril de 2014. Disponível em: http://www.aldobizzocchi.com.br/divulgacao.asp Acesso em: 28 mar 2017.
   Por muitos séculos, um desvio da norma gramatical foi considerado um erro e ponto final. A sociedade dividiase, portanto, entre os que sabiam falar a própria língua e os que não sabiam.
  Com o advento da linguística evolutiva, da sociolinguística e sobretudo dos estudos de William Labov sobre variação, o chamado erro gramatical passou a ser visto como um fato natural da linguagem. Remonta, por sinal, aos linguistas histórico-comparativos do século 19 o lema de que o erro de hoje poderá ser a norma gramatical de amanhã.
   No entanto, essa visão mais benevolente do desvio levou em alguns casos a uma confusão entre erro e evolução: o desvio pode vir a tornar-se norma, mas não necessariamente se tornará. Como numa reação contra séculos de doutrinação gramatical e estigmatização da fala dos menos instruídos, alguns teóricos passaram equivocadamente a supervalorizar o erro e a relativizar a importância da língua padrão.
  Acontece que a dinâmica da evolução linguística é mais complexa do que parece à primeira vista. A língua se apoia numa tensão dialética entre a conservação e a mudança: a todo momento, por força do próprio uso, algo muda na língua, mas a maior parte de seus elementos se conserva. Se nada mudasse, a língua seria estática, a fala ficaria “engessada”, e o sistema rapidamente rumaria para a obsolescência; se tudo mudasse o tempo todo, ninguém mais se entenderia.
  As forças da conservação e da mudança travam uma queda de braço permanente: toda inovação, seja ela lexical, sintática ou semântica, gera uma nova forma que tem de competir com as já existentes. Essa luta pode se arrastar por décadas ou séculos. Ao final, a forma inovadora pode derrotar as até então estabelecidas, assim como pode acabar derrotada por elas, isto é, abandonada, como é o caso de muitas gírias efêmeras.
  [...] a fala popular, assim como as línguas ágrafas e os dialetos, evolui de modo livre; já as chamadas línguas de cultura (dotadas de escrita formal) estão sujeitas à engenharia genética operada por escritores, jornalistas, intelectuais, gramáticos e professores.
  [...] Em resumo, o desvio da norma, incluindo o chamado erro gramatical, não é bom nem mau – nem uma evidência da inferioridade intelectual do povo nem um instrumento de luta contra as classes dominantes –, é apenas um fato natural a ser estudado cientificamente.
Aldo Bizzocchi é doutor em Linguística pela USP, pós-doutor pela UERJ, pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Etimologia e História da Língua Portuguesa da USP e autor de Léxico e Ideologia na Europa Ocidental (Annablume) e Anatomia da Cultura (Palas Athena).  

Analise as proposições abaixo. Em seguida, assinale a alternativa que contém a resposta correta.
I. Em: “ninguém mais se entenderia”, a palavra “ninguém” é um pronome indefinido e ocupa a função de sujeito determinado.
II. Em: “Por muitos séculos, um desvio da norma gramatical foi considerado um erro”, a vírgula empregada está separando um adjunto adverbial antecipado.
III. Em: “Se nada mudasse, a língua seria estática”, a vírgula isola uma oração coordenada.
IV. Em: “a forma inovadora pode derrotar as até então estabelecidas”, a palavra “até” é acentuada por ser uma palavra monossílaba tônica.

Alternativas
Comentários
  • I - Correto;

    II Correto;

    III Errado. Na verdade a vírgula separa uma oração SUBORDINADA, "Se nada mudasse"

    IV Errado. A palavra ATÉ não é monossílaba, e sim dissílaba, A -´TÉ. Logo é uma oxitona terminada em "E", por isso leva acento.

  • I. Em: “ninguém mais se entenderia”, a palavra “ninguém” é um pronome indefinido e ocupa a função de sujeito determinado. (NINGUÉM PRONOME INDEFINIDO)

    II. Em: “Por muitos séculos, um desvio da norma gramatical foi considerado um erro”, a vírgula empregada está separando um adjunto adverbial antecipado. (ADJUNTO ADVÉRBIAL DESLOCADO)

    III. Em: “Se nada mudasse, a língua seria estática”, a vírgula isola uma oração coordenada. (É ORAÇÃO SUBORDINADA CONDICIONAL)

    IV. Em: “a forma inovadora pode derrotar as até então estabelecidas”, a palavra “até” é acentuada por ser uma palavra monossílaba tônica. (ATÉ NÃO É MONOSSÍLABA É OXITONA TERMINADA EM "E")

  • c) Estão corretas apenas as proposições I e II. 

  • I - Quem se entenderia? Ninguém!
    II - "Um desvio da norma gramátical foi considerado por muito tempo um erro" ou "Um desvio da norma gramátical foi considerado um erro por muito tempo".
    III - SE --> Condição, --> OSCond.
    IV - A - TÉ --> Monossílaba?

  • Eu não marquei nada. Pois não sabia o que marcar. Considerei certa apenas a II.

  • Essas questões que envolvem vários assuntos são muito boas..

  • I. Em: “ninguém mais se entenderia”, a palavra “ninguém” é um pronome indefinido e ocupa a função de sujeito determinado. (CORRETA) - "ninguém" é quem pratica a ação do verbo "entender".

    II. Em: “Por muitos séculos, um desvio da norma gramatical foi considerado um erro”, a vírgula empregada está separando um adjunto adverbial antecipado. (CORRETA) - É um adjunto adverbial considerado grande, por ter três ou mais palavras. Se fosse pequeno, a vírgula não seria obrigatória (segundo a ABL).

    III. Em: “Se nada mudasse, a língua seria estática”, a vírgula isola uma oração coordenada.(INCORRETA) - Aqui não há uma oração coordenada, mas sim uma oração subordinada à oração principal com valor condicional.

    IV. Em: “a forma inovadora pode derrotar as até então estabelecidas”, a palavra “até” é acentuada por ser uma palavra monossílaba tônica. (INCORRETA) - A palavra "até" é acentuada por ser oxítona terminada em "e".

     

    Gabarito: C.

  • I -> "Ninguém" exerce a função de sujeito.
    II -> A ordem direta no período simples: sujeito + verbo + complemento + (adj. adv.)
    III -> Não é coordenada, é subordinada.
    IV -> A palavra até é uma oxítona! "A-té"

    GABARITO -> [C]

  • Muito bons os comentários. Não sabia que adjunto adverbial quando contiver três ou mais palavras é obrigatoriamente isolado por vírgulas. Sigamos aprendendo. Avante!

  • I. Em: “ninguém mais se entenderia”, a palavra “ninguém” é um pronome indefinido e ocupa a função de sujeito simples determinado.

    II. Em: “Por muitos séculos, um desvio da norma gramatical foi considerado um erro”, a vírgula empregada está separando um adjunto adverbial antecipado.

    III. Em: “Se nada mudasse, a língua seria estática”, a vírgula isola uma oração subordinada adverbial condicional.

    IV. Em: “a forma inovadora pode derrotar as até então estabelecidas”, a palavra “até” é acentuada por ser uma palavra oxítona terminada em a(s), e(s), o(s), em, ens.

  • PARA VOCÊS VEREM QUE NÃO É BRINCADEIRA, O BRASILEIRO NÃO SABE SEPARAR SÍLABA!