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Prova CONSULPLAN - 2016 - Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES - Professor PB - Língua Portuguesa


ID
2133583
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A importância da família estruturada
    Um levantamento do Ministério Público de São Paulo traz um dado revelador: dois terços dos jovens infratores da capital paulista fazem parte de famílias que não têm um pai dentro de casa. Além de não viverem com o pai, 42% não têm contato algum com ele e 37% têm parentes com antecedentes criminais.
    Ajudam a engrossar essas estatísticas os garotos Waldik Gabriel, de 11 anos, morto em Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo, depois de fugir da Guarda Civil Metropolitana, e Ítalo, de 10 anos, envolvido em três ocorrências de roubo só em 2016, morto pela Polícia Militar no início de junho, depois de furtar um carro na Zona Sul da cidade. O pai de Waldik é caminhoneiro e não vivia com a mãe. O de Ítalo está preso por tráfico. A mãe já cumpriu pena por furto e roubo.
    É certo que um pai presente e próximo ao filho faz diferença. Mas, mais que a figura masculina propriamente dita, faz falta uma família estruturada, independentemente da configuração, que dê atenção, carinho, apoio, noções de continência e limite, elementos que protegem os jovens em fase de desenvolvimento.
    A mãe e a avó, nessa família brasileira que cresce cada vez mais matriarcal, desdobram-se para tentar cumprir esses requisitos e preencher as lacunas, mas são “atropeladas” pela rotina dura. Muitas vezes, não têm tempo, energia, dinheiro e voz para lidar com esses garotos e garotas que crescem na rua, longe da escola, em bairros sem equipamentos de esporte e cultura, próximos de amigos e parentes que podem estar envolvidos com o crime.
    A criança precisa ter muita autoestima e persistência para buscar nesse horizonte nebuloso um projeto de vida. Sem apoio emocional, sem uma escola que estimule seu potencial, sem ter o que fazer com seu tempo livre, sem enxergar uma luz no fim do túnel, ela fica muito mais perto da droga, do tráfico, do delito, da violência e da gestação na adolescência. É nessa mesma família, sem pai à vista, de baixa renda, longe da sala de aula, nas periferias, que pipocam os quase 15% das jovens que são mães na adolescência, taxa alarmante que resiste a baixar nas regiões mais carentes.
    E o que acontece com essa menina que engravida porque enxerga na maternidade um papel social, uma forma de justificar sua existência no mundo? Iludidas com a perspectiva de estabilizar um relacionamento (a família estruturada que não têm?), elas ficam, usualmente, sozinhas, ainda mais distantes da escola e de seu projeto de vida. O pai da criança some no mundo, e são elas que arcam com o ônus do filho, sobrecarregando um lar que já vivia no limite. Segue-se um ciclo que parece não ter fim.
    Sem políticas públicas que foquem nessa família mais vulnerável, no apoio emocional e social para esses jovens, em uma escola mais atraente, em projetos de vida, em alternativas de lazer, a realidade diária na vida desses jovens continuará a ser a gravidez na adolescência, a violência e a criminalidade.
(Jairo Bouer, 11/07/2016. Disponível em: http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/jairo-bouer/noticia/2016/07/importancia-da-familiaestruturada.html.)

Entre as relevantes justificativas que podem ser apresentadas para a caracterização da instituição “família” indicada no título, destaca-se, no texto,

Alternativas
Comentários
  • O título do texto menciona "família estruturada". Portanto as justificativas não podem ser pejorativas como nas letras "b, c, d", pois seria contraditório a família ser estruturada e haver desequilíbrios em sua estrutura.

    As alternativas supracitas sutilmente também estrapolam o texto. Sendo assim a letra "a" é a menos errada (gabarito da questão). 

  • 1 parágrafo do texto:

    "Um levantamento do Ministério Público de São Paulo traz um dado revelador: dois terços dos jovens infratores da capital paulista fazem parte de famílias que não têm um pai dentro de casa. Além de não viverem com o pai, 42% não têm contato algum com ele e 37% têm parentes com antecedentes criminais."

  • Que questão mais pobre, feia, mal elaborada. É aquela questão feita para o candidato errar e pronto, nada mais...

  • Essa questão foi feita de encomenda.

  • Só posso dizer: Nossa!!!!

  • Questão ridiculamente mal feita! E pensar que essa será a banca do TRF 2° região! Preocupante...

  • Os enunciados dessa banca são muito confusos. Se a questão tivesse dito: Entre as relevantes justificativas que podem ser apresentadas para a caracterização do título, teria ficado mais coerente com o gabarito.

  • Apenas dizer o gabarito para aqueles que não tiveram acesso assim como eu (o site hoje está lento). Considerada correta: A

  • eu acho que a instituicao que escolhe essa banca tá mais é querendo ver o circo pegar fogo. em 2008 o tre-rs cancelou a prova tal a quantidade de recursos. as questoes eram surreais. os enunciados sao sempre confusos e acho que a instituicao sabe disso. o jeito é treinar soberbamente. força!

     

  • Questão ruinzinha... marquei com medo.

    Pensei assim:

    O resultado da pesquisa justifica a importância da família estruturada. (exemplo: dois terços dos jovens infratores da capital paulista fazem parte de famílias que não têm um pai dentro de casa)

     

    a) o resultado de um levantamento feito pelo Ministério Público de São Paulo (gabarito)

     

  • Quando o enunciado diz " .. entre as relevantes justificativas apresentadas..." não quer saber das justificativas (a,b,d) e sim do que não serve de justificativa. Sobrando apenas a alternativa A.

    Um pouco confusa, mas é sutil a alternativa correta.

  • Não entendi bulhufas.

     

     Um levantamento do Ministério Público de São Paulo traz um dado revelador: dois terços dos jovens infratores da capital paulista fazem parte de famílias que não têm um pai dentro de casa. (1º parágrafo)

     

    O fato de não haver um pai dentro de casa não quer dizer, necessariamente, que a família seja estruturada.

     

    Mas, mais que a figura masculina propriamente dita, faz falta uma família estruturada, independentemente da configuração, que dê atenção, carinho, apoio, noções de continência e limite, elementos que protegem os jovens em fase de desenvolvimento.(3º parágrafo)

     

    Só por isso marquei a letra b) ( pois condiz mais com o que ele quer dizer de "família estruturada").

  • Pessoal  não tem nada de errado com a assertiva...

    Todos os fatos apresentados no texto que justificam a necessidade de uma família estruturada foram oriundos de um levantamento feito pelo Ministério Público de São Paulo.

    Letra b: o texto não fala de limites para os jovens como forma de conter a entrada deles para o crime

    Letra c: o texto não menciona a informação que os menores de 15 anos é quem se envolvem com o crime, cita apenas exemplo.

    Letra d: o tecto não fala sobre a falta de estrutura da sociedade e sim da falta de estrutura familiar.

    Espero ter ajudado!

    Bons estudos!

  • Gente essa banca é ridícula só tem questão confusa, pqp isso não é prova que testa conhecimento.


    Desisto do TRF 2ª Região estou estudando mas não tenho expectativa nenhuma com essa banca lixo!

  • As estatísticas apontam: você errou e eu também. 

  • A consulplan está achando que é FGV!!!!!!

  • Revendo a questão novamente, chego a conclusão de que a resposta está no enunciado:

     

    Entre as relevantes justificativas que podem ser apresentadas para a caracterização da instituição “família” indicada no título, destaca-se, no texto,​

     

    Ou seja, todas estão corretas , porém , uma delas está errada e é justamente essa que se destaca.

     

    se for isso mesmo, AÍ SIM o gabarito é a letra a)

  • "Sem políticas públicas que foquem nessa família mais vulnerável, no apoio emocional e social para esses jovens, em uma escola mais atraente, em projetos de vida, em alternativas de lazer, a realidade diária na vida desses jovens continuará a ser a gravidez na adolescência, a violência e a criminalidade."

    Isso não justifica a letra D?  

  • Gente a questão está certíssima, isso porque existe diferença entre a compreensão do texto (está no texto) e a interpretação do texto ( aquilo que pode se inferir do texto).

    assim a resposta dessa pergunta não é uma interpretação e sim uma compreensão. Todas as outras opções, fora a letra a, são de interpretação,mas o enunciado disse "no texto" o que faz referencia a compreensão.

  •  RESPOSTA (A)

    o resultado de um levantamento feito pelo Ministério Público de São Paulo.

    DICA: RESPONDER ELIMINANDO .

  • É compreensão ou interpretação de texto?

    Se compreendo bem, devo me ater aos sentidos denotativo (do dicionário) ou conotativo (figurado) expresso no comando da questão, sendo portanto o gabarito A, porque uma característica da "família" apresentada no texto é ser resultado de um levantamento feito pelo MP de São Paulo. Certo?

    Agora, se interpreto mal (já que o comando da questão não pede interpretações ou conclusões externas ao texto), imagino erroneamente que o gabarito seja D, pois a principal característica da "família" apresentada no texto é ser vítima da "deficiente infraestrutura da sociedade para atender às demandas econômicas e afetivas concomitantemente"...simples, né mesmo?

    E assim vamos seguindo.

     

     

  • No título: família estruturada porém O que se destaca no texto é família não estruturada, segundo o levantamento do ministério público de SP. Logo é A o gabarito.
  • O título é 'A importância da família estruturada'. A questão tá perguntando qual é a justificativa para se considerar que a família estruturada é importante, logo, resposta A.

  • "Entre as relevantes justificativas ...". Ora, além do levantamento feito pelo Ministério Público, qual (is) a(s) outra(s) justiifcativa(s)?

  • O comando da questão está mal feito. Ou fizeram para sacanear mesmo. Só acho. Pode até ter resposta, mas está mal formulado.

  • Gente, geralmente,não entendo nada que a banca pede no enunciado.

    Devo ser retardada, porque, pelo que li nos comentários, todo mundo entendeu e acertou a questão.

    Quanto a mim, não entendi nada do que foi pedido, como poderia responder corretamente?

    Estou detestando essa banca

  • Tatiana Moreira! Vou te dar uma dica: você precisa dicernir entre interpretação e compreenção.

    Interpetração é o que se pode inferir no texto, ou seja, está implícito

    compreenssão é o que está explícito no texto. Veja que o comando da questão fala: NO TEXTO. Então a resposta está no texto!

  • Entendi o texto, entendi as alternativas, NÃO ENTENDI A PERGUNTA!! E vem consuplan no TRE RJ...

  • O título fala em família ESTRUTURADA, o levantamento mostra dados das DEsestruturadas.

     

  • Putz! Vai entender essa banca!!!

  • Uai? rsrs...

    O título diz: "A importância da família estruturada".

    Marquei a alternativa B, por este motivo:"...faz falta uma família estruturada, independentemente da configuração, que dê atenção, carinho, apoio, noções de continência e limite, elementos que protegem os jovens em fase de desenvolvimento."

    Entre as relevantes justificativas que podem ser apresentadas para a caracterização da instituição “família” indicada no título, destaca-se, no texto,

    b) a falta de limites específicos cerceando o desenvolvimento de jovens e adolescentes. 

  •  

    Questão categoria "WTF !?"

     

     

  • Gabarito: A

     

    "Traduzindo" o enunciado: Dentre as informações do texto, qual delas pode ser considerada como justificativa para se considerar importante a estruturação da família, conforme indicado no título?

     

    Resposta: o resultado de um levantamento feito pelo Ministério Público de São Paulo que traz o seguinte dado: "dois terços dos jovens infratores da capital paulista fazem parte de famílias que não têm um pai dentro de casa. Além de não viverem com o pai, 42% não têm contato algum com ele e 37% têm parentes com antecedentes criminais."

     

    A partir do dado apresentado pelo Ministério Público, todo o texto se desenvolve, demonstrando a importância de uma família estruturada.

  • Tipo de questao para escolher a "incorreta" ou a "menos provavel"?

    Socorro!!!

  • A família precisa de justificativa pra exisitr? Não faz o menor sentido. E ainda tem que ser elevante...kkkkkkk

    Que banca PÉSSIMA !! 

    Vou te ensinar a formular o enunciado, Consulplan: " Dentre as justificativas apresentadas pelo autor que caracterizariam uma família desestruturada, qual a mais relevante? " 

     

  • Se xingar mentalmente a banca ou dar um leve soquinho em sua mesa e respirar fundo, dá para responder sem problemas

  • Justificativa da Banca:

    A alternativa “B) a falta de limites específicos cerceando o desenvolvimento de jovens e adolescentes. ” não pode ser considerada correta, pois, de acordo com o enunciado da questão: “Entre as relevantes justificativas que podem ser apresentadas para a caracterização da instituição “família” indicada no título, destaca-se, no texto, ” esperava-se que na alternativa fosse apresentada uma justificativa para a caracterização do título “A importância da família estruturada”.

     

    Tal importância justifica-se, pois, com A) o resultado de um levantamento feito pelo Ministério Público de São Paulo. A alternativa “D) a deficiente infraestrutura da sociedade para atender às demandas econômicas e afetivas concomitantemente. ” não pode ser considerada correta, pois, uma infraestrutura deficiente não é justificativa para o reconhecimento da importância de uma família estruturada.

    Fonte: O próprio texto.

  • Entendi nada do que a questão quer.


ID
2133589
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A importância da família estruturada
    Um levantamento do Ministério Público de São Paulo traz um dado revelador: dois terços dos jovens infratores da capital paulista fazem parte de famílias que não têm um pai dentro de casa. Além de não viverem com o pai, 42% não têm contato algum com ele e 37% têm parentes com antecedentes criminais.
    Ajudam a engrossar essas estatísticas os garotos Waldik Gabriel, de 11 anos, morto em Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo, depois de fugir da Guarda Civil Metropolitana, e Ítalo, de 10 anos, envolvido em três ocorrências de roubo só em 2016, morto pela Polícia Militar no início de junho, depois de furtar um carro na Zona Sul da cidade. O pai de Waldik é caminhoneiro e não vivia com a mãe. O de Ítalo está preso por tráfico. A mãe já cumpriu pena por furto e roubo.
    É certo que um pai presente e próximo ao filho faz diferença. Mas, mais que a figura masculina propriamente dita, faz falta uma família estruturada, independentemente da configuração, que dê atenção, carinho, apoio, noções de continência e limite, elementos que protegem os jovens em fase de desenvolvimento.
    A mãe e a avó, nessa família brasileira que cresce cada vez mais matriarcal, desdobram-se para tentar cumprir esses requisitos e preencher as lacunas, mas são “atropeladas” pela rotina dura. Muitas vezes, não têm tempo, energia, dinheiro e voz para lidar com esses garotos e garotas que crescem na rua, longe da escola, em bairros sem equipamentos de esporte e cultura, próximos de amigos e parentes que podem estar envolvidos com o crime.
    A criança precisa ter muita autoestima e persistência para buscar nesse horizonte nebuloso um projeto de vida. Sem apoio emocional, sem uma escola que estimule seu potencial, sem ter o que fazer com seu tempo livre, sem enxergar uma luz no fim do túnel, ela fica muito mais perto da droga, do tráfico, do delito, da violência e da gestação na adolescência. É nessa mesma família, sem pai à vista, de baixa renda, longe da sala de aula, nas periferias, que pipocam os quase 15% das jovens que são mães na adolescência, taxa alarmante que resiste a baixar nas regiões mais carentes.
    E o que acontece com essa menina que engravida porque enxerga na maternidade um papel social, uma forma de justificar sua existência no mundo? Iludidas com a perspectiva de estabilizar um relacionamento (a família estruturada que não têm?), elas ficam, usualmente, sozinhas, ainda mais distantes da escola e de seu projeto de vida. O pai da criança some no mundo, e são elas que arcam com o ônus do filho, sobrecarregando um lar que já vivia no limite. Segue-se um ciclo que parece não ter fim.
    Sem políticas públicas que foquem nessa família mais vulnerável, no apoio emocional e social para esses jovens, em uma escola mais atraente, em projetos de vida, em alternativas de lazer, a realidade diária na vida desses jovens continuará a ser a gravidez na adolescência, a violência e a criminalidade.
(Jairo Bouer, 11/07/2016. Disponível em: http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/jairo-bouer/noticia/2016/07/importancia-da-familiaestruturada.html.)

Considerando as várias funções sintáticas que a palavra “que” pode assumir de acordo com as relações estabelecidas intrinsecamente na frase, assinale o fragmento em que o emprego de tal termo DIFERENCIA-SE dos demais em destaque:

Alternativas
Comentários
  • Resposta A

    O demais "QUÊS" são pronomes relativos

  • a) É certo "que um pai presente".....É CERTO ISSO - QUE É CONJUNÇAO INTEGRANTE

    b) “[...] parte de famílias que não têm um pai dentro de casa.”...- PRONOME RELATIVO pode ser substituído por "AS QUAIS"

    c) “[...] família brasileira que cresce cada vez mais matriarcal, [...]” SUBSTITUI QUE POR " A QUAL"

    d) que dê atenção, carinho, apoio, noções de continência e limite.  SUBSTITUI POR "A QUAL" (faz referência á família)

    GAB: A, única q é CONJUNÇÃO INTEGRANTE

  • Resposta A

    A) Oração subordinada substântica Subjetiva (Conjunção Integrante)
    B) Pronome Relativo
    C) Pronome Relativo
    D) Pronome Relativo

  • Dica:

    para saber se que é pronome relativo --> substitui-se por "o/a qual, os/as quais." Ex.: Ela foi a que mais riu ( Ela foi a qual mais riu.)

    para saber se que é conjunção integrante --> substitui-se por ISTO. Ex.: Faz anos que viajei ( Faz anos isso)

     

    boa sorte.

  • Letra A - Que é uma conjunção integrante, só trocar  por isto (É certo isto), tem função de sujeito na oração), as demais exerce a função de pronome relativo.

     

  • É certo (isso)= Conj. integrante

  • a)  “[...] que um pai presente e próximo ao filho faz diferença.” (3º§)

  • CONCUSEIROS, não adianta... Tem de ir ao TEXTO, sem preguiça !

     

    A) 

    Q496634

    CONJUNÇÃO INTEGRANTE:

     

    DIZENDO   =    ISSO

    ACREDITAVA   =  ISSO

     

    Minha filha chega da escola dizendo que há revolução na rua.
     

    Acreditava, até então, que dificilmente se deteria um exército com dois paralelepípedos

     

    É CERTO ISSO - "QUE" É CONJUNÇAO INTEGRANTE

     

    CONJUNÇÃO INTEGRANTE:                              SUBSTITUI TODA A ORAÇÃO APÓS O “QUE” POR “ISSO”

    QUE  =    ISSO

    PEÇO ISSO

                    DIZ  QUE (ISSO)

                                                                                 

             Verifico que não tenho

           VERIFICO      +    ISSO

                                                                                  Não sei que pessoa é esta

     

    ......................

    AS DEMAIS:   

     

    Q464094          QUE      =   PRONOME       RETOMA UMA IDEIA ANTECEDENTE

     

     

                 PRONOME RELATIVO: pode ser substituído por outro relativo.

     

    QUE   =   O QUAL/ A QUAL/  AO QUAL/OS QUAIS/ AS QUAIS

     

     

     


ID
2133595
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A importância da família estruturada
    Um levantamento do Ministério Público de São Paulo traz um dado revelador: dois terços dos jovens infratores da capital paulista fazem parte de famílias que não têm um pai dentro de casa. Além de não viverem com o pai, 42% não têm contato algum com ele e 37% têm parentes com antecedentes criminais.
    Ajudam a engrossar essas estatísticas os garotos Waldik Gabriel, de 11 anos, morto em Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo, depois de fugir da Guarda Civil Metropolitana, e Ítalo, de 10 anos, envolvido em três ocorrências de roubo só em 2016, morto pela Polícia Militar no início de junho, depois de furtar um carro na Zona Sul da cidade. O pai de Waldik é caminhoneiro e não vivia com a mãe. O de Ítalo está preso por tráfico. A mãe já cumpriu pena por furto e roubo.
    É certo que um pai presente e próximo ao filho faz diferença. Mas, mais que a figura masculina propriamente dita, faz falta uma família estruturada, independentemente da configuração, que dê atenção, carinho, apoio, noções de continência e limite, elementos que protegem os jovens em fase de desenvolvimento.
    A mãe e a avó, nessa família brasileira que cresce cada vez mais matriarcal, desdobram-se para tentar cumprir esses requisitos e preencher as lacunas, mas são “atropeladas” pela rotina dura. Muitas vezes, não têm tempo, energia, dinheiro e voz para lidar com esses garotos e garotas que crescem na rua, longe da escola, em bairros sem equipamentos de esporte e cultura, próximos de amigos e parentes que podem estar envolvidos com o crime.
    A criança precisa ter muita autoestima e persistência para buscar nesse horizonte nebuloso um projeto de vida. Sem apoio emocional, sem uma escola que estimule seu potencial, sem ter o que fazer com seu tempo livre, sem enxergar uma luz no fim do túnel, ela fica muito mais perto da droga, do tráfico, do delito, da violência e da gestação na adolescência. É nessa mesma família, sem pai à vista, de baixa renda, longe da sala de aula, nas periferias, que pipocam os quase 15% das jovens que são mães na adolescência, taxa alarmante que resiste a baixar nas regiões mais carentes.
    E o que acontece com essa menina que engravida porque enxerga na maternidade um papel social, uma forma de justificar sua existência no mundo? Iludidas com a perspectiva de estabilizar um relacionamento (a família estruturada que não têm?), elas ficam, usualmente, sozinhas, ainda mais distantes da escola e de seu projeto de vida. O pai da criança some no mundo, e são elas que arcam com o ônus do filho, sobrecarregando um lar que já vivia no limite. Segue-se um ciclo que parece não ter fim.
    Sem políticas públicas que foquem nessa família mais vulnerável, no apoio emocional e social para esses jovens, em uma escola mais atraente, em projetos de vida, em alternativas de lazer, a realidade diária na vida desses jovens continuará a ser a gravidez na adolescência, a violência e a criminalidade.
(Jairo Bouer, 11/07/2016. Disponível em: http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/jairo-bouer/noticia/2016/07/importancia-da-familiaestruturada.html.)

Quanto à pontuação, a reescrita do trecho “A mãe e a avó, nessa família brasileira que cresce cada vez mais matriarcal, desdobram-se para tentar cumprir esses requisitos e preencher as lacunas, mas são ‘atropeladas’ pela rotina dura.” (4º§) manteria a correção gramatical de acordo com:

Alternativas
Comentários
  • A) CORRETA 

    B) não pode separar o verbo do complemento, q foi separado por travessões

    "(desdobram-se – para tentar cumprir esses requisitos e preencher as lacunas –"

    c) separou sujeito do verbo 

    d) se vc abrir parênteses deve fechar com parênteses, esse parêntese deve ser retirado

     

  • Resposta A

     

    b) Nessa família brasileira que cresce cada vez mais matriarcal, a mãe e a avó desdobram-se – para tentar cumprir esses requisitos e preencher as lacunas –, mas são “atropeladas” pela rotina dura. (Não tem vírgula entre S.V.O)

     

    c)A mãe e a avó, desdobram-se para tentar cumprir esses requisitos e preencher as lacunas, nessa família brasileira que cresce cada vez mais matriarcal, mas são “atropeladas” pela rotina dura. (Não se separa sujeito do verbo)

     

    d) A mãe e a avó nessa família brasileira, que cresce cada vez mais matriarcal –, desdobram-se para tentar cumprir esses requisitos e preencher as lacunas, mas são “atropeladas” pela rotina dura. (Alterou a ordem e não utilizou vírgula)

  • ..., a mãe e a avó desdobram-se – para tentar cumprir esses requisitos e preencher as lacunas –, mas ...

    A mãe e a avó desdobram-se - Oração Principal

    Para tentar cumprir esses requisitos - Oração Subordinada Adverbial Final Reduzida de Infinitivo

    As orações estão em ordem direta - principal + subordinada -, por isto não cabe vírgula.


ID
2133601
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A importância da família estruturada
    Um levantamento do Ministério Público de São Paulo traz um dado revelador: dois terços dos jovens infratores da capital paulista fazem parte de famílias que não têm um pai dentro de casa. Além de não viverem com o pai, 42% não têm contato algum com ele e 37% têm parentes com antecedentes criminais.
    Ajudam a engrossar essas estatísticas os garotos Waldik Gabriel, de 11 anos, morto em Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo, depois de fugir da Guarda Civil Metropolitana, e Ítalo, de 10 anos, envolvido em três ocorrências de roubo só em 2016, morto pela Polícia Militar no início de junho, depois de furtar um carro na Zona Sul da cidade. O pai de Waldik é caminhoneiro e não vivia com a mãe. O de Ítalo está preso por tráfico. A mãe já cumpriu pena por furto e roubo.
    É certo que um pai presente e próximo ao filho faz diferença. Mas, mais que a figura masculina propriamente dita, faz falta uma família estruturada, independentemente da configuração, que dê atenção, carinho, apoio, noções de continência e limite, elementos que protegem os jovens em fase de desenvolvimento.
    A mãe e a avó, nessa família brasileira que cresce cada vez mais matriarcal, desdobram-se para tentar cumprir esses requisitos e preencher as lacunas, mas são “atropeladas” pela rotina dura. Muitas vezes, não têm tempo, energia, dinheiro e voz para lidar com esses garotos e garotas que crescem na rua, longe da escola, em bairros sem equipamentos de esporte e cultura, próximos de amigos e parentes que podem estar envolvidos com o crime.
    A criança precisa ter muita autoestima e persistência para buscar nesse horizonte nebuloso um projeto de vida. Sem apoio emocional, sem uma escola que estimule seu potencial, sem ter o que fazer com seu tempo livre, sem enxergar uma luz no fim do túnel, ela fica muito mais perto da droga, do tráfico, do delito, da violência e da gestação na adolescência. É nessa mesma família, sem pai à vista, de baixa renda, longe da sala de aula, nas periferias, que pipocam os quase 15% das jovens que são mães na adolescência, taxa alarmante que resiste a baixar nas regiões mais carentes.
    E o que acontece com essa menina que engravida porque enxerga na maternidade um papel social, uma forma de justificar sua existência no mundo? Iludidas com a perspectiva de estabilizar um relacionamento (a família estruturada que não têm?), elas ficam, usualmente, sozinhas, ainda mais distantes da escola e de seu projeto de vida. O pai da criança some no mundo, e são elas que arcam com o ônus do filho, sobrecarregando um lar que já vivia no limite. Segue-se um ciclo que parece não ter fim.
    Sem políticas públicas que foquem nessa família mais vulnerável, no apoio emocional e social para esses jovens, em uma escola mais atraente, em projetos de vida, em alternativas de lazer, a realidade diária na vida desses jovens continuará a ser a gravidez na adolescência, a violência e a criminalidade.
(Jairo Bouer, 11/07/2016. Disponível em: http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/jairo-bouer/noticia/2016/07/importancia-da-familiaestruturada.html.)

Através de uma enumeração, no quarto parágrafo, são citados itens que – na sua falta – operam dificuldades enfrentadas pela família brasileira, especificamente na figura da mãe e avó, cujo sentido de “Muitas vezes, não têm tempo, energia, dinheiro e voz para lidar com esses garotos e garotas que crescem na rua, longe da escola, em bairros sem equipamentos de esporte e cultura, próximos de amigos e parentes que podem estar envolvidos com o crime.” (4º§)

Alternativas
Comentários
  • acho q o único que possui sentido CONOTATIVO É O "crescem na rua" o resto é denotativo.

    ESTILÍSTICA- DEFINIÇÃO

    A Estilística estuda os processos de manipulação da linguagem que permitem a quem fala ou escreve sugerir conteúdos emotivos e intuitivos por meio das palavras. Além disso, estabelece princípios capazes de explicar as escolhas particulares feitas por indivíduos e grupos sociais no que se refere ao uso da língua.

    DENOTAÇÃO É CONOTAÇÃO SÃO RECURSOS ESTILISTICOS DE ACORDO COM http://www.soportugues.com.br/secoes/estil/

     

     

  • GABARITO OFICIAL DA BANCA :

    Recurso Improcedente. Ratifica-se a opção divulgada no gabarito preliminar. A alternativa “D) estabelece entre si determinada ligação semântica de modo a construir a coerência necessária à compreensão da ideia transmitida. ” não pode ser considerada correta. Um exemplo de vocábulos que tenham ligação semântica, ou seja, de sentido, são os hiperônimos e hipônimos - termos de um mesmo campo de sentido, em que um deles designa o gênero e o outro, a espécie. Em “Muitas vezes, não têm tempo, energia, dinheiro e voz para lidar com esses garotos e garotas que crescem na rua, longe da escola, em bairros sem equipamentos de esporte e cultura, próximos de amigos e parentes que podem estar envolvidos com o crime. ” não há tal ligação ou de outra natureza semântica em relação aos termos entre si. Trata-se de elementos que designam campos de diferentes especificidades.

  • Não vejo conotação.

  • Dizer q elas não têm voz tbm é conotativo. Mas, achei péssima essa questão. 

  • Estou tentando me acostumar aos hábitos gramaticais dessa banca. To igual adolescente tentando entender a mãe (porra nenhuma).
    a) INCORRETA. Uma lógica semântica e progressiva deveria trazer uma ideia de "menor" para o "maior". Ex. O homem polui as lagoas, os córregos e mares.

    b) INCORRETA. A palavra denotativo, sempre que aparecer, deverá nos remeter ao verdadeiro significado. Macete: Denotativo/Dicionário. Logo, fica incompleto considerar que somente há significados reais nas citações do período apresentado. (vamos usar a opção "C" para demonstrar melhor?)

    c) CORRETA. Termos enumerados. "nâo têm tempo , energia, dinheiro e voz. Para quê? " lidar com esses garotos e garotas" . Dessa maneira os denotativos (sentido reais das palavras) serão: tempo e dinheiro. Por uma questâo lógica, precisamos de tempo (em horas) e dinheiro (bufunfa) para cuidar dessa cambada de loucos. Sem esses dois... Hum! puts! Quanto aos conotativos (sentidos metaforicos) citemos energia e voz. Quem tem energia é a CEMIG, a COPEL e outras tantas outras companhias elétricas. Nós dispomos é de disposição, didática. Quanto a voz, é claro que toda mãe e avó possuem e muita. Vivem gritando conosco. Logo, essa voz está relacionada a capacidade de verbalizar os métodos educativos.

    d) INCORRETA. (quase marquei essa). Esses termos não estabelecem entre si ligação semantica (sentidos/significados). Imagine só: tempo, energia, dinehiro e voz. Onde isso se liga? Diferente seria: Os homens poluem os lagos, corregos e mares. Tudo tem água, tem função parecida. Enfim.

  • Conotação também está em: " longe da escola" - pode até morar na mesma rua, mas não tem condições materiais ou intelectuais de acompanhar a série relativa à sua idade.

     

  • Obrigada ADRIANA Gonçalves pela ótima explicação. Tinha marcado a D e errei. 

  • Excelente comentário da Adriana Gonçalves!

  • CARAMBA ADRIANA! EXCELENTE! 

    Eu errei a questão, mas vc deixou tudo transparente. Melhor que muito professor de português, entendi tudo e mais um pouco.

    Marquei a letra D. Mas valeu muito a pena eu ter errado essa questão, obrigada por dividir conhecimento.

  • O "atropeladas" e desdobram e "preencher lacunas" são exemplos de conotação.

  • voz=autoridade

    Energia=disposição para lidar com os desafios

  • Essa banca é boa, viu? Te obriga a refazer a questão e reler com outros olhos. Na alternativa D, que parece correta, fiquei pensando no seguinte: o trecho todo entre aspas é uno. É composto por vários termos, que podem até estabelecer alguma relação entre sí, mas não semântica, como a Adriana Gonçalves respondeu antes. Mas a questão diz "estabele entre si". Quem? O trecho todo com ele mesmo?

  • A ligação semântica não é entre os termos elencados (tempo, voz, ..... ) mas no contexto do parágrafo.
  • Não concordo com adriana, o ser humano possui energia sim e nao é conotação

  • Quando eu penso que estou começando a entender o sentido das coisas, vejo que não entendi nada!

    Tá difícil entrar em acordo com essa banca, sinceramente!

  • Bela questão...

  • ADRIANA GONÇALVES! ISSO ALÉM DE UM COMENTÁRIO, FOI UMA AULA DE PORTUGUÊS. OBRIGADO!

  • Que enunciado é esse, meu Deus? Não dá nem pra entender o comando da questão!
  • No começo fiquei em dúvida entre C e D.

    As palavras ditam pela enunciado são: tempo, energia, dinheiro e voz. Ninguém tem o tempo em suas mãos, o que já exclui o sentido exclusivamente denotativo entre todas. Energia é complicado, pois fisica e quimicamente é algo "move", cria trabalho, assim deixei ela de lado.

    O que me fez excluir a D foi "estabelece entre si determinada ligação semântica". Na verdade não, todas as palavras são independentes entre si no contexto em que aparecem. Uma regra muito importante de interpretação é não ir além do que é trazido.


ID
2133607
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A importância da família estruturada
    Um levantamento do Ministério Público de São Paulo traz um dado revelador: dois terços dos jovens infratores da capital paulista fazem parte de famílias que não têm um pai dentro de casa. Além de não viverem com o pai, 42% não têm contato algum com ele e 37% têm parentes com antecedentes criminais.
    Ajudam a engrossar essas estatísticas os garotos Waldik Gabriel, de 11 anos, morto em Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo, depois de fugir da Guarda Civil Metropolitana, e Ítalo, de 10 anos, envolvido em três ocorrências de roubo só em 2016, morto pela Polícia Militar no início de junho, depois de furtar um carro na Zona Sul da cidade. O pai de Waldik é caminhoneiro e não vivia com a mãe. O de Ítalo está preso por tráfico. A mãe já cumpriu pena por furto e roubo.
    É certo que um pai presente e próximo ao filho faz diferença. Mas, mais que a figura masculina propriamente dita, faz falta uma família estruturada, independentemente da configuração, que dê atenção, carinho, apoio, noções de continência e limite, elementos que protegem os jovens em fase de desenvolvimento.
    A mãe e a avó, nessa família brasileira que cresce cada vez mais matriarcal, desdobram-se para tentar cumprir esses requisitos e preencher as lacunas, mas são “atropeladas” pela rotina dura. Muitas vezes, não têm tempo, energia, dinheiro e voz para lidar com esses garotos e garotas que crescem na rua, longe da escola, em bairros sem equipamentos de esporte e cultura, próximos de amigos e parentes que podem estar envolvidos com o crime.
    A criança precisa ter muita autoestima e persistência para buscar nesse horizonte nebuloso um projeto de vida. Sem apoio emocional, sem uma escola que estimule seu potencial, sem ter o que fazer com seu tempo livre, sem enxergar uma luz no fim do túnel, ela fica muito mais perto da droga, do tráfico, do delito, da violência e da gestação na adolescência. É nessa mesma família, sem pai à vista, de baixa renda, longe da sala de aula, nas periferias, que pipocam os quase 15% das jovens que são mães na adolescência, taxa alarmante que resiste a baixar nas regiões mais carentes.
    E o que acontece com essa menina que engravida porque enxerga na maternidade um papel social, uma forma de justificar sua existência no mundo? Iludidas com a perspectiva de estabilizar um relacionamento (a família estruturada que não têm?), elas ficam, usualmente, sozinhas, ainda mais distantes da escola e de seu projeto de vida. O pai da criança some no mundo, e são elas que arcam com o ônus do filho, sobrecarregando um lar que já vivia no limite. Segue-se um ciclo que parece não ter fim.
    Sem políticas públicas que foquem nessa família mais vulnerável, no apoio emocional e social para esses jovens, em uma escola mais atraente, em projetos de vida, em alternativas de lazer, a realidade diária na vida desses jovens continuará a ser a gravidez na adolescência, a violência e a criminalidade.
(Jairo Bouer, 11/07/2016. Disponível em: http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/jairo-bouer/noticia/2016/07/importancia-da-familiaestruturada.html.)

Considerando as estruturas linguísticas apresentadas nos trechos a seguir selecionados, assinale o comentário referente em que há correção.

Alternativas
Comentários
  • A) PRONOME APASSIVADOR-  SUJEITO É OS GAROTOS

    B) CORRETA. “Segue-se um ciclo ..." seguem-se UNS CICLOS"

    C) "dois terços dos jovens infratores da capital paulista fazem parte de famílias" EXPRESSÃO FRACIONÁRIA"  deve concordar ou com DOIS TERÇOS OU DOS JOVENS mas como ambos estão no plural, SÓ PODE FICAR NO PLURAL

    D) ."A mãe e a avó, nessa família brasileira que cresce cada vez mais matriarcal, desdobram-se para tentar cumprir esses requisitos e preencher as lacunas".... (QUEM É Q SE DESDOBRAM? A MÃE E A VÓ (sujeito composto) verbo concorda com o suj MÃE E VÓ

     

  • A) ERRADA. Sujeito indeterminado o verbo ficará na 3a pessoa do singular. No caso em questão o sujeito é "Os garotos".

    B)CORRETA. Seguem-se uns ciclos.

    C) ERRADA. “Dois” e “Jovens” estão no plural, então o verbo só pode estar no plural.

    D) ERRADA. "Desdobram-se" concorda com a "mãe e a avó"

  • dica:

    transforma-se para a voz passiva: uns ciclos são seguidos

  • errei de novo T-T

  • Acertei, mas não concordei com a maneira que a banca cobrou a questão.
    Ela diz: '“ciclo” sofresse variação quanto ao número..."'
    Acredito que ela deveria ter colocado "uns ciclos" já que "um" é um adjuntou e também deve sofrer variação, ou, a banca examidadora deveria ter colocado uma expressão do tipo: "com as devidas correções gramaticais.

    Enfim....fazer o que...

  • o cara dessa banca é péssimo com enunciados!

  • Galera o que torna a letra C errada não é o fato de a expressão 2/3 ficar sempre no plural, pois, é exatamente o contrário (é um núcleo partitivo podendo ficar tanto no plural quanto no singular). O erro está em dizer que a forma verbal fazem é estabelecida com o número fracionário (2/3), pois, na realidade, ela concorda com a palavra infratores. 

    Espero ter ajudado! 

  • Perco mais tempo tentando entender o enunciado do que fazendo a questão...

  • Errei por sentir falta do termo: com as devidas correções gramaticais. Uma vez que não cita o termo UM que tbm deverá ser corrigido.

     

    AVANTE QUE A BATALHA É GRANDE.

  • Letra B, mas deveria ser anulada por se tratar de um  objeto direto, o complemento vai ao plural: uns ciclos, a banca esqueceu do adjunto adnominal.

  • Questao mal formulada, mas da para achar o gabarito.

    Gabarito correto letra B.

    Caso a forma verbal destacada " Ciclo" sofresse variacao de numero teriamos " CICLOS". A chave para matar a questao e identificar que este SE que acompanha o verbo SEGUIR e um pronome apassivador,ou seja, uma PA, logo, o sujeito sempre concordara com o verbo. 

  • a) A indeterminação do sujeito ocorre em “Ajudam a engrossar [...]” (2º§) estando o verbo na terceira pessoa do plural.

     

                ERRADO. Percebam: "Ajudam a engrossar essas estatísticas os garotos Waldik Gabriel, de 11 anos, morto em Cidade Tiradentes,(...)" O verbo na 3° pessoa do plural só será característica de indeterminação do sujeito quando não houver sujeito expresso na oração, o que não ocorre na questão, como podem perceber.

     

    b) Caso o termo “ciclo” sofresse variação quanto ao número, também seria alterada a forma verbal destacada em “Segue-se um ciclo que parece não ter fim.” (6º§) 

     

              CORRETO. "segue-se" é VTD, portanto, o "se" é particula apassivadora, e tudo que vem depois é sujeito. Se "ciclo" passar para o plural, obviamente, o verbo terá que flexionar também para concordar. Isso não aconteceria se o verbo exposto fosse transitivo indireto ou intransitivo, uma vez que o pronome "se" seria um índice de indeterminação do sujeito, que obrigatoriamente teria que ficar no singular.

     

    c) É passível de variação, podendo ser aceita a forma no singular ou plural, a forma verbal apresentada em “[...] fazem parte de famílias [...]” (1º§) por se tratar de concordância estabelecida com número fracionário.

     

                 ERRADO.  "(...)dois terços dos jovens infratores da capital paulista fazem parte de famílias(...)"  O verbo FAZER pode concordar tanto com "dois terços" como com "dos jovens infratores", porém, ambos estão no plural, então não importa. Portanto, o verbo deverá estar, obrigatoriamente, no plural, jamais no singular.

     

    d) A forma verbal destacada em “[...] desdobram-se para tentar cumprir esses requisitos [...]” (4º§) estabelece concordância corretamente com a expressão “família brasileira” por se tratar de expressão indicativa de aspecto coletivo. 

     

                  ERRADO. O verbo "desdobram-se" é INTRANSITIVO, portanto, o pronome "se" é índice de indeterminação do sujeito. Sabemos que quando o "se" é índice de indeterminação, o verbo deve permancer sempre na 3° pessoa do singular.

  • E esse enunciado? Só jesus!! 

    Quando fala "em que há correção" o quer você entende? Que o que está escrito na assertiva precisa ser corrigido.. 

    Banca esquisita, eu hein!

  • Também pensei a mesma coisa Aline, mas como tinha percebido, pelo menos, 2 erros claros imaginei que queriam a correta. De qualquer forma, esse enunciado é, no mínimo, duvidoso e feito justamente para o candidato tropeçar.

  •  ADMITE VOZ PASSIVA : VERBO TRANSITIVO DIRETO, DIRETO E INDIRETO.

     

     

     

    OBS:   PARTÍCULA APASSIVADORA (PA)

     

    SÓ ADMITEM       VTD            ( O QUÊ)

     

       VTDI           ( QUEM )

     

     

           NÃO ADMITE A TRANSPOSIÇÃO PARA A VOZ PASSIVA:

     

    1-    VERBO DE LIGAÇÃO:

     

    -         É

    -       ESTÁ

    -       PARECER

    -       FICAR

    -       ANDAR

    -       CONTINUAR

    -       PERMANECER

    -       TORNA-SE

     

    2-    VERBO HAVER =  EXISTIR        no sentido de existir

     

     

     

     

    Verbos que NÃO admitem voz passiva: VERBOS INTRANSITIVOS, DE LIGAÇÃO E TRANSITIVOS INDIRETOS.

     VERBOS QUE ADMITEM VOZ PASSIVA: VERBOS TRANSITIVOS DIRETOS (V.G. PULVERIZAR) OU VERBOS TRANSITIVOS DIRETOS E INDIRETOS.

     

     

     

     

     

     

    NÃO ADMITEM TRANSPOSIÇÃO PARA A VOZ PASSIVA:

     

    VERBOS DE LIGAÇÃO:     ser, estar, ficar, andar, parecer, continuar ...      

     

    VERBOS INTRANSITIVOS:    caiu, comeu, morreu, chegou, acordou ...      

     

    VERBOS IMPESSOAIS:      Exemplo: haver com sentido de existir    

     

    VERBOS TRANSITIVOS INDIRETOS:      NECESSITA,  corresponder (exceto OBEDECER   DESOBEDECER).   

     

      CHEGAR: VTI (EXIGE A PROPOSIÇÃO A)

     

     

    IDENTIFICAR OS VERBOS: 

     

    -            VTI  =       PEDE PREPOSIÇÃO !!!!      PREPOSIÇÃO  DE /EM

     

                  QUEM PROTESTA, PROTESTA CONTRA ALGO OU A ALGUEM.    

                                     

                 Elas protestam contra os fatos da realidade, os poderes.

     

     

              -       VTD            O QUÊ  = ALGUÉM ou ALGUMA COISA =      Q729768  Q711200

     

      SEM o "A" alguém

     

                                              QUEM COMPARTILHA, COMPARTILHA O QUÊ

     

                                                     QUEM CELEBRA, CELEBRA ALGO.

     

     

     

    -         VTDI         =                        QUEM

     

    -            VI  =        NÃO PEDEM COMPLEMENTOS

     

                             

    -         VERBOS INTRANSITIVOS:    caiu, comeu, morreu, chegou, acordou ...    

     

    -     VERBOS DE LIGAÇÃO:     ser, estar, ficar, andar, parecer, continuar

     

     

    -        VERBOS IMPESSOAIS:      Exemplo: haver com sentido de existir    

     

     

     

     

     

     

    OBJETO DIRETO  PREPOSICIONADO      

     

                                                                           QUEM AMA, AMA A DEUS

                                                                           QUEM AMA, AMA AO PRÓXIMO

                                                                            QUEM CULAPA, CULPA ALGÉM

     

                       

     

  • Boa tarde,

     

    Essa banca é foda, olha esse enunciado...lamentável

     

    A proposta de alteração é a seguinte: "Seguem-se uns ciclos" o verbo "seguir" é transitivo direto, quem segue, segue algo. Logo, temos aqui um sujeito e não um objeto direto, característica das frases que contém uma partícula apassivadora, vale ressaltar que possui transitividade para a voz passiva analítica, e o verbo concordará com o sujeito 

     

    Uns ciclos, que não parecem ter fim, são seguidos

     

    Bons estudos

  • Aveee...para quem está acostumado com FCC e CESPE, como eu, deve estar adorando essa banca.
    Dá pra acertar, mas levando sempre em consideração a menos errada, SEMPRE.

  •  c) É passível de variação, podendo ser aceita a forma no singular ou plural, a forma verbal apresentada em “[...] fazem parte de famílias [...]” (1º§) por se tratar de concordância estabelecida com número fracionário.

    dois terços dos jovens infratores da capital paulista fazem parte de famílias que não têm um pai dentro de casa

    ERRADO

    O verbo poderia ficar no plural mais concordando, neste caso, com o nucleo do adjunto ( jovens ). 

     

    Não desista!!!

  • Errei porque não entendi o enunciado! :(

  • Nossa, tudo é culpa da banca agora, tudo bem que ela falha em alguns aspectos, mas dá para compreender plenamente o que se pede! 

    Quanto ao significado da palavra CORRECAO:                   !!!!!!!!!!!!!!!!!( assinale o comentário referente em que há correção.)!!!!!!!!!!!!!1

     

    substantivo feminino;

    -qualidade, atributo do que é correto.

     

    E quanto a questao:

    Caso o termo “ciclo” sofresse variação quanto ao número, também seria alterada a forma verbal destacada em “Segue-se um ciclo que parece não ter fim.” (6º§) 

     Ela só está dizendo, caso essa palavra (ciclo) fosse para o plural, a forma verbal ``segue`` deveria acompanhar a variacao também?

    Como sabemos verbo segue é VTD, e a particula apassivadora ``se`` assinala o sujeito em seguida cujo núcleo é ``CICLO``, portanto variacao de número no núcleo gera variacao no respectivo verbo. por isso é desnecessario incluir o artigo indefinido UM, fica subtendido que este variará também. é simples.

    Nao entendo aonde essas pessoas acham tanta dificuldade e metem o pau na banca! 

  • Parar de reclamar e fazer mais questões, pessoal. Essa expressão "assinalar [a alternativa] em que há correção", apesar de não ser tão comum, é usada em várias questões para simplesmente pedir a CORRETA. Se ele quisesse a errada, o comando poderia ser "onde há INCORREÇÃO".

    Avante e sucesso.


ID
2133613
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A importância da família estruturada
    Um levantamento do Ministério Público de São Paulo traz um dado revelador: dois terços dos jovens infratores da capital paulista fazem parte de famílias que não têm um pai dentro de casa. Além de não viverem com o pai, 42% não têm contato algum com ele e 37% têm parentes com antecedentes criminais.
    Ajudam a engrossar essas estatísticas os garotos Waldik Gabriel, de 11 anos, morto em Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo, depois de fugir da Guarda Civil Metropolitana, e Ítalo, de 10 anos, envolvido em três ocorrências de roubo só em 2016, morto pela Polícia Militar no início de junho, depois de furtar um carro na Zona Sul da cidade. O pai de Waldik é caminhoneiro e não vivia com a mãe. O de Ítalo está preso por tráfico. A mãe já cumpriu pena por furto e roubo.
    É certo que um pai presente e próximo ao filho faz diferença. Mas, mais que a figura masculina propriamente dita, faz falta uma família estruturada, independentemente da configuração, que dê atenção, carinho, apoio, noções de continência e limite, elementos que protegem os jovens em fase de desenvolvimento.
    A mãe e a avó, nessa família brasileira que cresce cada vez mais matriarcal, desdobram-se para tentar cumprir esses requisitos e preencher as lacunas, mas são “atropeladas” pela rotina dura. Muitas vezes, não têm tempo, energia, dinheiro e voz para lidar com esses garotos e garotas que crescem na rua, longe da escola, em bairros sem equipamentos de esporte e cultura, próximos de amigos e parentes que podem estar envolvidos com o crime.
    A criança precisa ter muita autoestima e persistência para buscar nesse horizonte nebuloso um projeto de vida. Sem apoio emocional, sem uma escola que estimule seu potencial, sem ter o que fazer com seu tempo livre, sem enxergar uma luz no fim do túnel, ela fica muito mais perto da droga, do tráfico, do delito, da violência e da gestação na adolescência. É nessa mesma família, sem pai à vista, de baixa renda, longe da sala de aula, nas periferias, que pipocam os quase 15% das jovens que são mães na adolescência, taxa alarmante que resiste a baixar nas regiões mais carentes.
    E o que acontece com essa menina que engravida porque enxerga na maternidade um papel social, uma forma de justificar sua existência no mundo? Iludidas com a perspectiva de estabilizar um relacionamento (a família estruturada que não têm?), elas ficam, usualmente, sozinhas, ainda mais distantes da escola e de seu projeto de vida. O pai da criança some no mundo, e são elas que arcam com o ônus do filho, sobrecarregando um lar que já vivia no limite. Segue-se um ciclo que parece não ter fim.
    Sem políticas públicas que foquem nessa família mais vulnerável, no apoio emocional e social para esses jovens, em uma escola mais atraente, em projetos de vida, em alternativas de lazer, a realidade diária na vida desses jovens continuará a ser a gravidez na adolescência, a violência e a criminalidade.
(Jairo Bouer, 11/07/2016. Disponível em: http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/jairo-bouer/noticia/2016/07/importancia-da-familiaestruturada.html.)

A partir do reconhecimento dos aspectos apresentados pela morfossintaxe, considere os elementos destacados no primeiro parágrafo do texto transcrito a seguir:
    “Um levantamento do Ministério Público de São Paulo traz um dado (I) revelador: dois terços dos jovens infratores da capital paulista fazem parte de famílias que não têm um pai (II) dentro de casa. Além de (III) não viverem (IV) com o pai, 42% não têm contato algum com ele e 37% têm parentes com antecedentes criminais.”
São equivalentes quanto aos aspectos citados anteriormente apenas:

Alternativas
Comentários
  •  GABARITO D

    I – adjunto adnominal.

    II – adjunto adverbial de lugar;

    III – adjunto adverbial de negação;

    IV – adjunto adverbial de companhia.

  • Talvez seja uma pergunta muito elementar, mas sempre tive essa dúvida: Locuções adverbiais e os advérbios propriamente ditos são considerados uma só classe gramatical? Fiquei com essa dúvida ao responder esta questão.

  • como pede aspectos morfossintaxe a resposta é a D

  • Morfossintaxe

    A morfossintaxe nada mais é do que a análise morfológica e sintática, realizada simultaneamente. Mas para que sua compreensão seja efetivada de forma plausível, faz-se necessário entender, antes de tudo, que a análise morfológica diz respeito às dez classes gramaticais; e a análise sintática faz referência às funções desempenhadas por uma dada palavra, estando ela inserida num contexto oracional.

    Assim, analisemos o exemplo, levando em consideração ambas as análises:

    Os alunos foram vencedores.

    Morfologicamente, temos:

    Os – artigo definido (plural)
    alunos – substantivo
    foram – verbo ser (flexionado no pretérito perfeito do modo indicativo)
    vencedores – neste contexto representa um adjetivo, mas pode também atuar como substantivo.

    Sintaticamente, concluímos que:

    Os alunos – sujeito simples
    foram vencedores – predicado nominal, em função do verbo de ligação
    vencedores – predicativo do sujeito

    É preciso, pois, estabelecer a diferença entre classe e função para entender como se processa a morfossintaxe, pois uma palavra pode transitar entre uma posição e outra.

     

    (http://brasilescola.uol.com.br/gramatica/morfossintaxe.htm)

  • Lucas Azaneu, tive a mesma dúvida nesta questão e errei por bobeira. Alguém pode nos ajudar, por favor?

  • Indiquem para comentário do professor, por favor!

  • Lucas e Laura, advérbios e locuções adverbiais indicam circunstâncias. Locução adverbial é o conjunto de palavras que têm valor de advérbio. 

    Exemplo de advérbio: ontem (tempo), muito (intensidade), aqui (lugar), etc. 

    Exemplo de locução adverbial: à noite (tempo), em excesso (intensidade), por aqui (lugar), etc. 

  • Indicado, raquel...

  • meu pensamento foi termos que retomam no texto e que se equivalem.

    nao viverem e com o pai equivale a dentro de casa

    o dado revelador nao retomava nada.

  • Gostei do comentário do Eduardo Almeida!

     

     GABARITO D

    I – adjunto adnominal.

    II – adjunto adverbial de lugar;

    III – adjunto adverbial de negação;

    IV – adjunto adverbial de companhia.

     

     

    de toda forma, indiquei para comentário do prof!

  • (I) revelador:       OBS.   Adjunto adnominal, pois está acompanhando um substantivo.

     

    (II) dentro de casa.      OBS.  Adjunto adverbial de lugar, pois indica um lugar.

     

    (III) não                OBS.    Advébio e adjunto adverbial de negaçao, pois faz uma negação

     

    (IV) com o pai,   OBS.     Adjunto adverbial de companhia, pois indica sentido de companhia.

     

    Gabarito:  D

  •  GABARITO D

    I – adjunto adnominal.

    II – adjunto adverbial de lugar;

    III – adjunto adverbial de negação;

    IV – adjunto adverbial de companhia.

  • O adjunto adnominal é um dos termos acessórios da oração. A classificação de uma palavra em adjunto adnominal é feita apenas quando há uma análise sintática da frase. Sendo um termo acessório da oração, o adjunto adnominal pode ser retirado da frase sem alterar a sua estrutura sintática. 

  • Um levantamento do Ministério Público de São Paulo (sujeito) traz (vervo transitivo direto) um dado (objeto direto) revelador (predicativo do objeto). Não estou entendendo porquê nos comentários os alunos colocaram "revelador" como adjunto adnominal.

  • Marcele Guimarães,

    'revelador' é adjunto adnominal porque acompanha o substantivo (e também objeto direto) 'dado', já que está funcionado tão somente um termo acessório do substantivo. Em desaparecendo o nome, o adjunto perde o valor na oração. Diferentemente do predicativo do objeto, cuja função é a de atribuir um complemento ao substantivo, com ele estando relacionado, porém sem dele depender.

    Dica: para sabermos se a expressão que acompanha o substantivo é um acessório ou um atributo dele, substituímos o nome por um pronome. Tudo que desaparecer com o substantivo é acessório, atuando como adjunto adnominal; aquilo que não desaparecer funciona como predicativo do objeto.

    Exemplos:

    Quebrei o portão velho. Substituindo "portão" por um pronome, teremos "Quebrei-o", e não "Quebrei-o velho".

    "Velho" é, então, adjunto adnominal.

    Julguei o seu ato desonesto. Substituindo "ato" por um pronome, teremos "Julguei-o desonesto", e não apenas "Julguei-o".

    "Desonesto" é, assim, predicativo do objeto.

    Espero ter ajudado. Bons estudos!

  • Que espécie de questão é essa? mal elaborada!

  • Questão cachorra e mal elaborada

     

  • Achei confusa demais!

  • questao totalmente confusa!! Indico para comentario do Professor.

  • Viver não está em sentido de morar? ou seja, com o pai não seria objeto indireto ao invés de adjunto adverbial de companhia????

     

  • Ocimar, o verbo VIVER é intransitivo. Quem vive, vive!

  • Custei a entender o que a questão pedia...pelo amorr de Deus! 

  • Gabarito: LETRA D

    Vejamos as palavras grifadas e suas classificações

    "Dado revelador" - dado é um substantivo e revelador vem caracterizando-o. Quem faz o papel de caracterizar, qualificar? ADJETIVO (classe gramatical). E qual a função sintática do adjetivo? ADJUNTO ADNOMINAL



    "não tem um pai dentro de casa" - dentro de casa indica circunstância (circunda a ideia principal).Palavras que fazem isso são os chamados advérbios. Neste caso, advérbio de LUGAR. A função sintática é de ADJUNTO ADVERBIAL.

    O mesmo ocorre nas duas palavras sublinhadas seguintes: "Aélm de não viverem com o pai" - Aqui fica muito clara a ideia de circundar! O advérbio circunda(é satélite) de verbo, adjetivo ou outro advérbio. Neste caso, vejam como ambos os advérbios circundam um verbo. Temos o "não" como advérbio de negação e o "com o pai" como advérbio de companhia.. Ou seja, nas 3 últimas palavras sublinhadas da assertiva, vemos a mesma classificação gramatical e sintática(morfossintaxe)


     

  • Na verdade, essa resolução pelo professor não resolveu nada para quem não entendeu a diferença entre adjunto adnominal e predicativo do objeto.

    É excelente essa ferramenta, mas o professor tem que ser mais didático e responder as dúvidas. 

  • Alguém pode explicar o que pede a questão ? rsrsrsrsr, o que é isso meu DEUS ?!

  • Fui mais pela noção de advérbio.

    I-adjetivo

    II- dentro de casa, advérbio de lugar

    III- não, advérbio básico de negação

    IV- com o pai, como modifica o verbo viverem cai no conceito de advérbio.

     

  • Questão que não pede nada e vc tem que adivinhar... rs acertei mas se fosse numa prova perderia muito tempo com ela.

  • Péssima a redação do enunciado.

     

  • Gabarito da banca:

    Recurso Improcedente. Ratifica-se a opção divulgada no gabarito preliminar.

    “Um levantamento do Ministério Público de São Paulo traz um dado(I) revelador: dois terços dos jovens infratores dacapital paulista fazem parte de amílias que não têm um pai(II) dentro de casa. Além de(III) nãoviverem(IV) com o pai,42% não têm contato algum com ele e 37% têm parentes com antecedentes criminais.”

    Quanto à classificação dos elementos destacados, temos:

    I–adjunto adnominal.

    II–adjunto adverbial de lugar;

    III-–adjunto adverbial de negação;

    IV–adjunto adverbial de companhia.

    Fonte: Saconni, Luiz Antonio. Nossa Gramática Teoria e Prática. Ed. Atual.

  • Se tivesse uma alternativa III e IV eu ia errar feliz!

  • Que questão porca....

  • agora entendi, temos predicativo do objeto ou adjunto adnominal no I, nos demais são advérbios de lugar, negação e companhia

  • O enunciado me levou ao erro, pois ele pede para levar em consideração os aspectos morfossintáticos, então considerei II e IV como locuções adverbiais que exercem a função sintática de adjunto adverbial e o III advérbio que, embora exerça também a função sintática de adjunto adverbial, não é uma locução. Talvez eu tenha viajado além do necessário.

  • Demorei pra entender o que a banca queria rsrsrs rindo de nervoso!

  • Letra D

    II – Tem caráter adverbial de espaço;

    III – Tem caráter adverbial de negação; e

    IV – Tem caráter adverbial de Companhia.


ID
2133619
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A importância da família estruturada
    Um levantamento do Ministério Público de São Paulo traz um dado revelador: dois terços dos jovens infratores da capital paulista fazem parte de famílias que não têm um pai dentro de casa. Além de não viverem com o pai, 42% não têm contato algum com ele e 37% têm parentes com antecedentes criminais.
    Ajudam a engrossar essas estatísticas os garotos Waldik Gabriel, de 11 anos, morto em Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo, depois de fugir da Guarda Civil Metropolitana, e Ítalo, de 10 anos, envolvido em três ocorrências de roubo só em 2016, morto pela Polícia Militar no início de junho, depois de furtar um carro na Zona Sul da cidade. O pai de Waldik é caminhoneiro e não vivia com a mãe. O de Ítalo está preso por tráfico. A mãe já cumpriu pena por furto e roubo.
    É certo que um pai presente e próximo ao filho faz diferença. Mas, mais que a figura masculina propriamente dita, faz falta uma família estruturada, independentemente da configuração, que dê atenção, carinho, apoio, noções de continência e limite, elementos que protegem os jovens em fase de desenvolvimento.
    A mãe e a avó, nessa família brasileira que cresce cada vez mais matriarcal, desdobram-se para tentar cumprir esses requisitos e preencher as lacunas, mas são “atropeladas” pela rotina dura. Muitas vezes, não têm tempo, energia, dinheiro e voz para lidar com esses garotos e garotas que crescem na rua, longe da escola, em bairros sem equipamentos de esporte e cultura, próximos de amigos e parentes que podem estar envolvidos com o crime.
    A criança precisa ter muita autoestima e persistência para buscar nesse horizonte nebuloso um projeto de vida. Sem apoio emocional, sem uma escola que estimule seu potencial, sem ter o que fazer com seu tempo livre, sem enxergar uma luz no fim do túnel, ela fica muito mais perto da droga, do tráfico, do delito, da violência e da gestação na adolescência. É nessa mesma família, sem pai à vista, de baixa renda, longe da sala de aula, nas periferias, que pipocam os quase 15% das jovens que são mães na adolescência, taxa alarmante que resiste a baixar nas regiões mais carentes.
    E o que acontece com essa menina que engravida porque enxerga na maternidade um papel social, uma forma de justificar sua existência no mundo? Iludidas com a perspectiva de estabilizar um relacionamento (a família estruturada que não têm?), elas ficam, usualmente, sozinhas, ainda mais distantes da escola e de seu projeto de vida. O pai da criança some no mundo, e são elas que arcam com o ônus do filho, sobrecarregando um lar que já vivia no limite. Segue-se um ciclo que parece não ter fim.
    Sem políticas públicas que foquem nessa família mais vulnerável, no apoio emocional e social para esses jovens, em uma escola mais atraente, em projetos de vida, em alternativas de lazer, a realidade diária na vida desses jovens continuará a ser a gravidez na adolescência, a violência e a criminalidade.
(Jairo Bouer, 11/07/2016. Disponível em: http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/jairo-bouer/noticia/2016/07/importancia-da-familiaestruturada.html.)

Tendo por finalidade cumprir o objetivo do texto dissertativo-argumentativo, é necessário evitar que

Alternativas
Comentários
  • Gabarito D, mas por que B está errada??

  • Acredito que a B está errada porque o uso da primeira pessoa do plural (Nós) não necessariamente deve ser evitada e nem traz a ideia de subjetividade explícita do autor no texto. É possível o uso dessa pessoa num texto dissertativo argumentativo. 

     

    Bom saber que a banca não gosta de expressões como "é certo que...".

  • exemplo de impessoalidade do nós em texto dis-arg: "nós sabemos da importância de respeitar o direito de todos" . generalidade sem carater pessoal

  • Boa noite! Alguém poderia explicar a alternativa "A"?
  • Português será um divisor de aguas neste concurso TRF2.

  • Flavinha Matos, aaaaaacho que a B está errada ao dizer que o uso da 3ª pessoa do plural tem por fim evitar a subjetividade do autor. Não? 

  • A alternativa A está errada por dizer que o uso do suj indeterminado afetaria a veracidade da proposição? 

  • Flavinha, a B foi considerada errada porque em dissertação deve ser evitado o uso de primeira pessoa e não da terceira. Inclusive, o aconselhado é que se faça uma dissertação usando a terceira pessoa do singular ou plural (ele, ela, eles, elas)... Uma dica é atentar para o que o enunciado está pedindo na questão...

     

     

    "Bendizei ao Senhor tds as suas obras..."

  • Obrigada Jana Cruz e Concurseira Social!!!

  • Sempre soube que se deve evitar o uso da primeira pessoa do singular e do plural. Tudo bem que a primeira pessoa do plural (nós) traz ideia de subjetividade implícita, não explícita, mas mesmo assim deve ser evitada. Nas minhas redações, evito usá-la. 

    Com essa questão, podemos notar o posicionamento da banca Consulplan em relação a isso. Ela aceita numa boa.

  • Amo essa banca e a quadrix, Acerto Tudo!!!

  • Regras para uma boa dissertação não são exatas como matemática, são elaboradas de acordo com o maior grau de incidência nos gabaritos, o que, algumas vezes, permite surgir um entendimento "minoritário" (como no Direito, por exemplo). Este é o caso que me parece aqui, quando a Consulplan sinaliza aceitar o uso da primeira pessoa do plural (letra B), mas cuidado: ela não evidencia se em qualquer caso ou só em alguns, pois o comando da questão é "evitar" e não "proibido". Já na letra D (gabarito), vejo que não houve dúvida, possivelmente por ser regra ensinada na maioria dos cursinhos.

  • Concordo com a primeira parte da D, em que diz que devem ser evitadas ideias pessoais do autor, contudo, não entendi por que a expressão "É certo que" há subjetividade.

    Acredito que não.

     

  • Carlos Alessandro, também acho que na expressão  "é certo que"  não há subjetividade e a banca considerou isso também.

     

    Ao meu ver, a alternativa correta quis dizer que deve-se evitar que as ideias sejam vinculadas de modo pessoal ao autor, e para evitar isso, deve-se utiizar a ocultação do agente como em “É certo que”. 

    Deus nos abençoe e nos dê energia!!!

  • Interpretei o erro da C da seguinte forma: de fato, a primeira pessoa do plural deve ser evitada. Porém, a frase continua: "[...] evitando, deste modo, a subjetividade explícita do autor presente no texto." Ora, o autor do texto, em nenhum momento, utilizou a primeira pessoa do plural. Por isso, ela não está presente no texto. Assim, está errada.

  • Ao mer ver a sugestão prevista no gabarito da questão é: Vc retira a marca de subjetividade usando a expressão "É certo que..."

    "

  • Que lixo de questão, essa banca viaja em Português.

  • " Embora esse tipo textual possa ser fundamentado em opiniões pessoais, ele não deve apresentar marcas de pessoalidade...Os textos formais exigem a impessoalização da linguagem. 

    Oculte o agente:

    Para neutralizar o discurso e deixá-lo mais objetivo, opte, sempre que possível, por ocultar o agente. Isso pode ser feito por meio de expressões como é importante, é preciso, é indispensável, é urgente, já que elas não revelam o autor da ação:

    É preciso tomar decisões para coibir a criminalidade."

    Então... É necessário evitar:

    D. as ideias sejam vinculadas de modo pessoal ao autor, utilizando, para isso, a ocultação do agente como em “É certo que” (3º§).

    http://portugues.uol.com.br/redacao/impessoalizacao-linguagem.html

  • Lembremos que a dissertação é caracterizada por uma apresentação de uma idéia sobre determinado assunto e tem como principal objetivo o convencimento pela comunicação, além de que difere da narração pois se utiliza de conceitos abstratos, enquanto uma narrativa se utiliza de conceitos concretos.

    É certo que, É claro, etc, são características modalizadores  que indicam opnião ocultando assim a subjetividade.

    Quanto ao uso do da 3ª pessoa do plural, esta poderá ser usada quando expôr uma opnião de um grupo, órgão ou instituição.   

  • Creio que quando a banca diz que a expressão "É certo que" oculta o sujeito que disserta, deu a entender que é expressão que comumente substitui o "Entendo que", "Eu acho que".

  • TUDO BEM QUE A D QUE ESTÁ CORRETA, PORÉM NÃO ENTENDI O ERRO DA "B"???

  • texto dissertativo:

    B

    a primeira pessoa do plural seja utilizada, evitando, deste modo, a subjetividade explícita do autor presente no texto. PERMITIDO. PODE SER USADA A PRIMEIRA PESSOA DO PLURAL SIM. É CERTO QUE NAO É O MAIS RECOMENDADO, MAS É PLENAMENTE POSSÍVEL FAZER ISSO.

    D

    as ideias sejam vinculadas de modo pessoal ao autor, utilizando, para isso, a ocultação do agente como em “É certo que” (3º§).

    GABARITO, POIS É PEDIDA A INCORRETA E DE FATO NAO É POSSÍVEL EM UM TEXTO DISSERTATIVO ARGUMENTATIVO DAR ESPACO PARA PESSOALIDADE, HÁ DE SE MANTER A IMPESSOALIDADE.

    DISSERTATIVO - ARGUMENTATIVO====> IMPESSOALIDADE


ID
2133625
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A importância da família estruturada
    Um levantamento do Ministério Público de São Paulo traz um dado revelador: dois terços dos jovens infratores da capital paulista fazem parte de famílias que não têm um pai dentro de casa. Além de não viverem com o pai, 42% não têm contato algum com ele e 37% têm parentes com antecedentes criminais.
    Ajudam a engrossar essas estatísticas os garotos Waldik Gabriel, de 11 anos, morto em Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo, depois de fugir da Guarda Civil Metropolitana, e Ítalo, de 10 anos, envolvido em três ocorrências de roubo só em 2016, morto pela Polícia Militar no início de junho, depois de furtar um carro na Zona Sul da cidade. O pai de Waldik é caminhoneiro e não vivia com a mãe. O de Ítalo está preso por tráfico. A mãe já cumpriu pena por furto e roubo.
    É certo que um pai presente e próximo ao filho faz diferença. Mas, mais que a figura masculina propriamente dita, faz falta uma família estruturada, independentemente da configuração, que dê atenção, carinho, apoio, noções de continência e limite, elementos que protegem os jovens em fase de desenvolvimento.
    A mãe e a avó, nessa família brasileira que cresce cada vez mais matriarcal, desdobram-se para tentar cumprir esses requisitos e preencher as lacunas, mas são “atropeladas” pela rotina dura. Muitas vezes, não têm tempo, energia, dinheiro e voz para lidar com esses garotos e garotas que crescem na rua, longe da escola, em bairros sem equipamentos de esporte e cultura, próximos de amigos e parentes que podem estar envolvidos com o crime.
    A criança precisa ter muita autoestima e persistência para buscar nesse horizonte nebuloso um projeto de vida. Sem apoio emocional, sem uma escola que estimule seu potencial, sem ter o que fazer com seu tempo livre, sem enxergar uma luz no fim do túnel, ela fica muito mais perto da droga, do tráfico, do delito, da violência e da gestação na adolescência. É nessa mesma família, sem pai à vista, de baixa renda, longe da sala de aula, nas periferias, que pipocam os quase 15% das jovens que são mães na adolescência, taxa alarmante que resiste a baixar nas regiões mais carentes.
    E o que acontece com essa menina que engravida porque enxerga na maternidade um papel social, uma forma de justificar sua existência no mundo? Iludidas com a perspectiva de estabilizar um relacionamento (a família estruturada que não têm?), elas ficam, usualmente, sozinhas, ainda mais distantes da escola e de seu projeto de vida. O pai da criança some no mundo, e são elas que arcam com o ônus do filho, sobrecarregando um lar que já vivia no limite. Segue-se um ciclo que parece não ter fim.
    Sem políticas públicas que foquem nessa família mais vulnerável, no apoio emocional e social para esses jovens, em uma escola mais atraente, em projetos de vida, em alternativas de lazer, a realidade diária na vida desses jovens continuará a ser a gravidez na adolescência, a violência e a criminalidade.
(Jairo Bouer, 11/07/2016. Disponível em: http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/jairo-bouer/noticia/2016/07/importancia-da-familiaestruturada.html.)

O tipo textual apresentado tem por característica a apresentação e a defesa de uma ideia a respeito do tema abordado. Quanto à sua estruturação: proposição, argumentação e conclusão, é possível afirmar que em sua conclusão

Alternativas
Comentários
  • "Sem políticas públicas que foquem nessa família mais vulnerável, no apoio emocional e social para esses jovens, em uma escola mais atraente, em projetos de vida, em alternativas de lazer, a realidade diária na vida desses jovens continuará a ser a gravidez na adolescência, a violência e a criminalidade."

     

    De fato há uma retomada da tese defendida e (indiretamente) o autor apresenta uma proposta de solução para o problema discutido, qual seja, adotar políticas públicas que foquem na família desestruturada e vulnerável citada na argumentação do texto, para que haja mudança na vida dos jovens dessas famílias. 

    Gabarito: Letra A

  • Só complementando:

    A tese defendida é a de que a falta de uma família estruturada expõe os jovens à gravidez na adolescência, a violência e a criminalidade. Na conclusão o autor não define essa tese através de uma afirmativa bem delimitada. Ele retoma a tese defendida e apresenta uma proposta de solução para o problema discutido: a adoção pelo Estado de políticas públicas sociais voltadas para tais famílias.

    Gabarito: Letra A

  • Essa é uma questão de lógica, pois, a conclusão em geral, é a própria retomada do que foi dito durante o desenvolvimento.

  • Por que não a alternativa C?

  • Porque não a letra C?

  • Letra A ,  Conclusão CertA!

  • Entendo que a letra C traz a incorreçao de afirmar que a TESE passa a ser definida de forma clara através de uma afirmativa bem delimitada. Na verdade, a conclusão deixa bem definidos a PROPOSTA e o ARGUMENTO

        

    TESE: A importância da família estruturada (que foi definida de forma clara no TÍTULO)

         

    ARGUMENTO: famílias desestruturadas contribuem para o aumento da criminalidade

         

    PROPOSTA: políticas públicas que foquem em famílias que não são bem estruturadas (chamadas pelo autor de "mais vulneráveis")

         

    Observe a conclusão: "Sem políticas públicas que foquem nessa família mais vulnerável, no apoio emocional e social para esses jovens, em uma escola mais atraente, em projetos de vida, em alternativas de lazer (apresenta a PROPOSTA)a realidade diária na vida desses jovens continuará a ser a gravidez na adolescência, a violência e a criminalidade". (retoma o ARGUMENTO)

  • Acredito que a "c" esteja errada pois ela não delimita a afirmação. Não estabelece limites como em: projetos de vida (vários) e alternativas de lazer (várias). 

    Apesar de ter marcado a "c", entendi o erro dessa maneira.

     

  • Resposta entre "A" e "C", sendo que nesta última há um trecho que a derruba, qual seja: "uma Afirmativa". Na verdade há várias afirmativas na forma de soluções apresentadas na conclusão.

    GABARITO A

  • Gente, só psicólogo mesmo para resolver essa questão. Uma coisa é você pensando com seus referenciais, e outra com o pensamento do autor. Isso sem falar no pensamento da banca. Tripolaridade. Bom, vamos ao copy e paste da internet:

    Tese é um assunto, um tema, um objeto. É uma proposição que se apresenta para ser discutida e defendida por alguém, com base em determinadas hipóteses ou pressupostos. Do grego “thesis” que significa “proposição”.

    Aqui está claro que é a importância da família estruturada. O 3º e 5º parágrafos trazem elementos que colaborariam para isso. Contudo, como fazê--lo? Via políticas públicas, último parágrafo. As alternativas A e C são muito parecidas. Da A não concordo que haja uma "retomada". O tema esteve sempre presente. Não houve um desvio. A C está mais completa: ela sintetiza, ela conclui o que já se espera. O parágrafo todo parece um mantra.  

  • Uma conclusão de uma dissertação é basicamente um desfecho coerente dos argumentos que foram defendidos no desenvolvimento na estrutura.

    No entanto o texto exposto em seu último parágrafo ao ser lido corrobora com a alternativa correta.

  • A retomada da tese fica clara em "E o que acontece com ESSA menina" o uso do conectivo deixa bem óbvio.

  • Pessol, percebam que banca deixa bem claro: na sua conclusão. Então. a resposta está na conclusão. Podem obserar,  que o autor realmente retoma alguns termos citados no texto para fazer sua conclusão. Quando ele menciona a expressão:¨¨ sem políticas búblicas¨, implicitamente ele já apreenta a solucão- políticas públicas-.

  • Na verdade a alternativa A extrapola o que é dito, pois não são soluções pois o autor nega estas medidas, mas ao contrário, delimita a tese através da exposição final que faz do tema. Dá pra ententer forçando que seria a letra A, mas fica dúbio, o correto seria a anulação da questão.

  • Não vejo solução.. o autor expóe o problema, fala algumas alernativas, mas o que ele enfatiza mesmo é o PROBLEMA!!!

  • Fui mais pela tipolologia textual: Dissertativo argumentativo. Sendo assim, na conclusão é obrigatória a retomada da tese. Percebo, também, que a  expressão "Sem políticas públicas" é a solução do autor para o problema, pois, pela lógica contextual, se substituíssemos por "Com políticas públicas" ficaria assim:

     

    "Com políticas públicas que foquem nessa família mais vulnerável, no apoio emocional e social para esses jovens, em uma escola mais atraente, em projetos de vida, em alternativas de lazer, a realidade diária na vida desses jovens NÃO continuará a ser a gravidez na adolescência, a violência e a criminalidade."


ID
2133631
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

“Bloqueio do WhatsApp viola direito à liberdade de expressão”, diz Lewandowski
O presidente do STF, Ricardo Lewandowski, suspendeu a decisão da 2ª Vara Criminal de Duque de Caxias (RJ).
    O presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, suspendeu a decisão da 2ª Vara Criminal de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, que havia bloqueado o serviço do WhatsApp em todo o país nesta terça-feira (19), determinando o restabelecimento imediato do funcionamento do aplicativo.
    O ministro argumenta que o bloqueio “não se mostra razoável” e gera “insegurança jurídica” a seus usuários. “A suspensão do serviço do aplicativo WhatsApp (...) parece-me violar o preceito fundamental da liberdade de expressão aqui indicado, bem como a legislação de regência sobre o tema. Ademais, a extensão do bloqueio a todo o território nacional afigura-se, quando menos, medida desproporcional ao motivo que lhe deu causa”, escreveu o presidente da Corte.
    Lewandowski não analisa o mérito do processo, em que a juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza determinou que o Facebook, dono do aplicativo, revele o conteúdo de mensagens para uma investigação policial. Para o ministro, o tema constitui “matéria de alta complexidade técnica, a ser resolvida no julgamento do mérito da própria ação”.
(Bruno Boghossian. 19/07/2016. Disponível em: http://epoca.globo.com/vida/experiencias-digitais/noticia/2016/07/lewandowski-cita-direitoliberdade-de-expressao-ao-suspender-bloqueio-do-whatsapp.html.)

“A __________________ do acento grave indicador de crase no título do texto se deve a dois fatores, a saber: ____________________________ e ____________________________.” Assinale a alternativa que completa correta e sequencialmente a afirmativa anterior.

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: B

    obrigatoriedade / exigência de preposição (quem viola direito, ou quem tem direito... viola/tem direito a alguma coisa) / presença do artigo ‘a’ (devido ao substantivo liberdade, que aceita o artigo a)

  • CRASE É SEMPRE PREPOSIÇÃO a + ARTIGO a 

    SE É COMPLEMENTO NOMINAL OU ADJUNTO ADNOMINAL POUCO IMPORTA.

  • Só complementando: ... direito à liberdade de expressão... Trata-se de um complemento nominal, está ligado a um substantivo e possui um valor passivo na frase, notem: o direito à liberdade foi violado pelo bloqueio do whatsap.

       

    O adjunto nominal sempre executará a ação, será o agente, terá valor ativo.

  • Questãozinha cretina! Pegadinha!!! Entre A e B....

     

    “Bloqueio do WhatsApp viola direito à liberdade de expressão”, diz Lewandowski

     

    “A __________________ do acento grave indicador de crase no título do texto se deve a dois fatores, a saber: ____________________________ e ____________________________.”

     

    GABARITO: b) obrigatoriedade / exigência de preposição / presença do artigo ‘a’

     

    Não poderia ser a alternativa A porque a "facultatividade" não se deve a dois fatores, e sim, a um ou outro!

     

    Quem viola, viola algo/alguma coisa  = V.T.D. >> Viola o quê? = o direito  ( A quem? = a liberdade de expressao)

    viola o direito a + a liberdade de = viola direito à liberdade de expressão

  • QUESTÃO SIMPLES :)

    QUEM TEM DIREITO, TEM DIREITO A ALGUMA COISA, OU SEJA PEDE A PREPOSIÇÃO + A (ARTIGO ) DA PALAVRA LIBERDADE, OU SEJA A PALAVRA LIBERTADE PEDE UM ARTIGO ANTES.

    CRASE É SEMPRE PREPOSIÇÃO   A +  A  ARTIGO.

     

  • Resposta: B.
    Crase é a fusão de preposição "A" + artigo "A".

  • Existem casos de crase preposição + pronome demosntrativo.

    ex: Minha opinião não é igual à de todos.

  • ps: se liga na sacanagem da banca ao colocar um texto e exgir a resposta do título.

  • Casos em que a ocorrência da crase é FACULTATIVA

     

    Existem apenas três (3) casos:

     

    1 - Diante de nomes próprios femininos;

     

    2 - Diante de pronome possessivo feminino;

     

    3 - Depois da preposição até.

     

    Assim, eliminamos as letras "a" e "c". 

     

    O fenômeno da crase, que significa "fusão", ocorre por conta da junção de preposição + artigo. Logo, eliminamos a letra "d".

    Diante disso, ficamos apenas com a letra "b" que está de acordo com as conclusões supracitadas. Logo, ela deve ser assinalada como a correta.

     

    Gabarito letra (B)

  • Há a regência nominal da palavra "direito"---> direito a  (preposição)...  + a presença do artigo "a" da palavra liberdade.

  • Basta que façamos a pergunta: Quem tem direito, tem direito A, a palavra liberdade traz consigo o artigo A, logo ocorre a fusão que dá origem ao acento grave conhecido como CRASE.

  • VIDE    Q212554

     

    ACENTO GRAVE =   CRASE:        é o índice, o acento pelo qual se marca a existência da crase

     

     

     

    AMPLIANDO CONHECIMENTO:

     

    Não tem crase antes de VERBO      ( A PARTIR)

    Não usa a crase antes de ARTIGOS indefinidos.     (A UM)

    Não há crase antes de pronome.  (A ELA)

    NÃO há crase antes de pronome demonstrativo     (A ESSE)

    Não há crase antes de palavra masculina  (A PRAZO =   O PRAZO)

  • Com essa banca, quanto menos se procurar "pelo em ovo", melhor...

  • “Bloqueio do WhatsApp viola direito à liberdade de expressão”, diz Lewandowski

     

    Quem viola direito, viola direito A alguma coisa + A liberdade de .... = A+A=À

     

    B- obrigatoriedade / exigência de preposição / presença do artigo ‘a’

  • Junção do artigo A mais a preposição A. Alem do mais, a palavra é feminina! Ponto final!

    Bons estudos!

     

     

  • Analisando o título do texto:

    Direito (exige a preposição "a". Quem tem direito, tem direito a alguma coisa) à liberdade (vem precedido do artigo definido "a").

    A (PREPOSIÇÃO) + A (ARTIGO DEFINIDO) = À

    GAB B

  • Crase

     

    - Termo regente  exige preposição “a” + termo regido tem que ser palavra feminina.

     

    1. Não se usa crase:

    a. Antes de: verbo, artigo indefinido, numeral,

    b. Entre palavras repetidas;

     

    2. Casos facultativos de crase:

    a. Antes de nome próprio feminino. Ex: Entreguei o envelope à/a Juliana.

    b. Antes de pronome possessivo feminino. Ex: Eu cedi lugar à/a minha prima.

    c.  Após a preposição até. Ex: Fui até à/a livraria.

     

    Dicas:

    -  Substitua o termo regido por uma palavra masculina , se o “a” virar “ao”, é uma crase.

    - “Senhora” é o único pronome de tratamento que aceita crase.

    - “A” no singular, palavra no plural, crase nem a pau.

    - Sempre há crase em expressões adverbiais femininas. Ex: à vontade, à direita, à espera de.

    - Vou à, volta DA = Há crase. |  Vou a, volto DE = Não há crase.

  • valeu tati


ID
2133637
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

“Bloqueio do WhatsApp viola direito à liberdade de expressão”, diz Lewandowski
O presidente do STF, Ricardo Lewandowski, suspendeu a decisão da 2ª Vara Criminal de Duque de Caxias (RJ).
    O presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, suspendeu a decisão da 2ª Vara Criminal de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, que havia bloqueado o serviço do WhatsApp em todo o país nesta terça-feira (19), determinando o restabelecimento imediato do funcionamento do aplicativo.
    O ministro argumenta que o bloqueio “não se mostra razoável” e gera “insegurança jurídica” a seus usuários. “A suspensão do serviço do aplicativo WhatsApp (...) parece-me violar o preceito fundamental da liberdade de expressão aqui indicado, bem como a legislação de regência sobre o tema. Ademais, a extensão do bloqueio a todo o território nacional afigura-se, quando menos, medida desproporcional ao motivo que lhe deu causa”, escreveu o presidente da Corte.
    Lewandowski não analisa o mérito do processo, em que a juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza determinou que o Facebook, dono do aplicativo, revele o conteúdo de mensagens para uma investigação policial. Para o ministro, o tema constitui “matéria de alta complexidade técnica, a ser resolvida no julgamento do mérito da própria ação”.
(Bruno Boghossian. 19/07/2016. Disponível em: http://epoca.globo.com/vida/experiencias-digitais/noticia/2016/07/lewandowski-cita-direitoliberdade-de-expressao-ao-suspender-bloqueio-do-whatsapp.html.)

Em “[...] medida desproporcional ao motivo que lhe deu causa [...]” (2º§) o termo destacado é utilizado de forma anafórica, estabelecendo retomada que tem como referente:

Alternativas
Comentários
  • Ademais, a extensão do bloqueio a todo o território nacional afigura-se, quando menos, medida desproporcional ao motivo que lhe deu causa”, escreveu o presidente da Corte.

     

    Retirando o pronome a frase fica assim: ...desproporcional ao motivo que deu causa.

    Aí você pergunta, deu causa a que?

    Deu causa ao bloqueio a todo território nacional.

    Resposta: letra B

  • Boa questão da banca... Pois coloca apenas um trecho da frase na pergunta, porém a resposta está no texto que não está transcrita na pergunta. Fazendo com que o "concurseiro preguiçoso" responda baseado-se somente no que foi colocado na pergunta... Engana muita gente..

     

    Dica: Leia sempre o contexuo. Vá até o texto... SEMPREEEE....

     

    Abraço.

  • Resposta: B.
    Ademais, a extensão do bloqueio a todo o território nacional afigura-se, quando menos, medida desproporcional ao motivo que lhe deu causa”, escreveu o presidente da Corte.

    Deu causa a ele. Quem ? Ao bloqueio do WhatssApp.

  • Errei a questão. "(...) ao motivo que lhe deu causa". Deu causa ao quê? Ao motivo desproporcional.

    Brrrrrrrrrrrrrrrr! ><

  • ANÁFORA - faz referência a termo anterior, que já foi citado.

    CATÁFORA - faz referência a um outro termo posterior, apresenta algo novo. 

  • O pronome relativo "que" retoma o substantivo e seus regidos(a extensão do bloqueio em todo território nacional - sujeito da oração principal). A oração subordinada introduzida pelo pronome relativo "que", que exerce a função de sujeito desta mesma oração(oração subordinada), repito, retoma o sujeito da oração principal.  "Causa do bloqueio: medida desproporcional ao motivo. Qual motivo? Em tese, uma investigação policial; consequência: o próprio bloqueio.Verbo dar: VTDI; dar algo a... Dar causa ao bloqueio. Causa - OD; ao bloqueio - OI. Finalmente, o pronome átono "LHE" exerce função sintática de Objeto Indireto, que é igual a BLOQUEIO.

    Espero ter ajudado!

  • Nunca mais errei esse tipo de questão quando gravei a relação abaixo:

    ANÁFÓRICO = ANTERIOR

    CATAFÓRICO = POSTERIOR

     

     

  • Ademais, a extensão do bloqueio a todo o território nacional afigura-se, quando menos, medida desproporcional ao motivo que lhe deu causa (causa de que? do  bloqueio)”, escreveu o presidente da Corte.

  • Mas a extensão do bloqueio não é significa a mesma coisa que medida desproporcional no texto?

  • bloqueio; açao do verbo; o motivo da" zorra" toda!.. lhe retoma o bloqueio.

  • Milene C., exato, concordo com você.

    Porém, o enunciado pede o termo referente, que é "bloqueio".

    ;)

  • Concordo com o Fabrício Cunha,nunca leiam apenas o que a banca transcreveu,voltem sempre ao texto,as bancas adoram usar essa tática para pegar o "Cabra"ansioso,voltem ao texto e descubram quem foi o pivô do "furdunço"

  • GABARITO LETRA B DE BLOQUEIO.

  • Ademais, a extensão do bloqueio a todo o território nacional afigura-se, quando menos, medida desproporcional ao motivo que lhe deu causa...

    Deu causa ao que? AO BLOQUEIO.

  • Deu causa a quem? a ele BLOQUEIO.

  •  CASO DE PRÓCLISE OBRIGATÓRIA  podem ser resumidos na palavra RINSAGEM” (processo mnemônico):

     

    R =  pronomes relativos (“O rapaz QUE me assaltou não parecia suspeito”).

     

    I  =  pronomes indefinidos, pronomes interrogativos (“Na natureza NADA se cria; TUDO setransforma”. “QUEM me vê assim, cantando, não sabe nada de mim”. “De todos estes livros, QUAL te agrada mais?”).

     

    N =  palavras ou expressões negativas (“NADA o assusta”. “NUNCA lhe deram escolha”. “NÃO me diga o que fazer”).

     

    S  =  pronomes substantivos e conjunções subordinativas (“Ele sabe QUE o convidaram, mas não irá à festa”).

     

    = advérbios (“QUANDO se deu conta da situação, já era tarde demais”. “AQUse faz, AQUI se paga”)

     

    GEM  =  verbo no gerúndio, precedido da preposição “em” (“Nesta terra, EM se PLANTANDO, tudo dá”).

     

     

     

       ANTES do verbo = PRÓCLISE

     


       DEPOIS do verbo = ÊNCLISE


      MEIO do verbo = MESÓCLISE

     

     

     

     

     

    VIDE  Q730442

     

    As palavras destacadas foram utilizadas com a finalidade de  retomar um termo expresso anteriormente. 

  • Em 90% das questões a resposta não é encontratada no trecho destacado.

  • Eu reescrevi a frase no meu caderno sem as papagaidas do texto e ficou assim:

    "A EXTENSÃO DO BLOQUEIO afigura medida desproporcional ao motivo que lhe deu causa."

    .

     

    Do início ao fim do texto o Ministro está puto com a extensão  da medida. O bloqueio foi no país todo (inclusive no whats dele). Isso por causa de um caso de crime ocorrido lá em Duque de Caxias. Ficar sem whats doeu na vida virtual do cara, né?

    .

     

    Eu entendi: pode bloqueiar, mas no país todo, não! (vai bloqueiar da plebe, mas não inclua o meu)

    Ou seja, o LHE se refere a EXTENSÃO DO BLOQUEIO.

    .

    Teve gente que colocou: 90% das questões não está no trecho destacado. Sim! Não está nem nas opções!

  • GABARITO B 

     

  • Se lhe só pode ser referente a uma PESSOA, a questão não está incorreta?


ID
3307216
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Noções de Informática
Assuntos

O processador, também conhecido como CPU (Central Processing Unit – Unidade Central de Processamento) é o coração do computador, e o responsável por executar todas as instruções dentro dele, que só entende a linguagem binária, ou seja, tudo o que é digitado nele é convertido para a linguagem binária, 0 e 1. A CPU tem dois componentes fundamentais, que são a base de toda execução de instruções e operações executadas no computador. Assinale-os. 

Alternativas
Comentários
  • Gabarito C

    Foco, força e fé!

  • NÃO ESTOU CONFIANDO MUITO . O GABARITO E LETRA C , AGORA ESSA LETRA "A" PODE SE TORNA UMA DAS OPÇÕES , ACHO QUE FOI ANULADA .

  • Gabarito: C

    O Processador é o “cérebro” de um computador. Possui como sinônimos CPU ou UCP (“Central Processing Unit” ou Unidade Central de Processamento) e tem a finalidade de processar as informações, controlar as operações lógicas e aritméticas e efetuar o processamento de entrada e saída.

    O processador possui três unidades básicas, a saber:

    ULA (Unidade Lógica e Aritmética): responsável pela execução das instruções recebidas da unidade de controle;

    UC (Unidade de Controle): responsável pelo recebimento, controle de execução e devolução das instruções recebidas da memória RAM;

    Registradores: pequenas memórias internas do processador utilizadas pela U.C. e U.L.A. para armazenar informações durante um processamento;

    (extraído do PDF da Casa do Concurseiro, Prof. Marcio Hunecke)

  • A letra A também, está correta.

  • Tipo de conhecimento desnecessário de ser cobrado em uma prova para Professor de Língua Portuguesa.

    Se fosse para cargo da área de tecnologia, até vai lá...


ID
3307219
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Sistemas de Informação
Assuntos

Em qualquer processo de comunicação, quatro elementos básicos podem ser identificados, ou seja, a fonte da informação; a informação propriamente dita; o veículo pelo qual a informação é transmitida; e, o receptor da informação. Baseado nesses quatro elementos pode-se concluir que seis elementos são a base da comunicação de dados em um sistema computacional, que são: transmissor; codificador; meio; receptor; decodificador; e, mensagem. Existem diferentes aplicações em comunicação de dados; uma dessas requer, em cada estação remota, um terminal inteligente e, nessa estação, durante um determinado período são executadas operações off-line. Assinale a alternativa que apresenta corretamente essa aplicação. 

Alternativas
Comentários
  • Assertiva A

    Coleta de dados.

  • Professor de Língua Portuguesa Computacional da NASA


ID
3307222
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Banco de Dados
Assuntos

Um sistema de banco de dados é uma coleção de dados que estão inter-relacionados e também de um conjunto de programas que tem como função a permissão aos usuários para acessar e modificar tais dados. Um dos modelos de dados, o relacional, tem como base uma coleção de tabelas. Acerca do modelo relacional, é correto afirmar que “______________ de uma relação refere-se ao seu projeto lógico; e, ______________ da relação refere-se ao seu conteúdo em um ponto no tempo”. Assinale a alternativa que complementa correta e sequencialmente a afirmativa anterior.

Alternativas

ID
3307225
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Sistemas Operacionais
Assuntos

Um sistema operacional, no geral, tem como funções: o gerenciamento de processos, o gerenciamento de memória, o sistema de arquivos e a entrada e saída de dados. Independente do sistema operacional utilizado, essas funções são executadas. Os sistemas operacionais podem ser classificados em relação ao seu projeto, ou seja, a arquitetura quanto ao gerenciamento de processos e ao número de usuários que podem utilizar o sistema simultaneamente. Sobre a classificação dos sistemas operacionais, assinale A (Arquitetura) e P (Processos) nos sistemas apresentados a seguir.
( ) Sistema em camadas.
( ) Monitor de máquinas virtuais.
( ) Multiprogramação.
( ) Micronúcleo.
( ) Multitarefa.

A sequência está correta em 

Alternativas
Comentários
  • A (Arquitetura) => ( ) Sistema em camadas.

    A (Arquitetura) => ( ) Monitor de máquinas virtuais.

    P (Processos) => ( ) Multiprogramação.

    A (Arquitetura) => ( ) Micronúcleo.

    P (Processos) => ( ) Multitarefa.

    GAB. C de sebastião .... kkk


ID
3307228
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Sistemas Operacionais
Assuntos

O MS-DOS (Microsoft Disk Operation System – Sistema Operacional de Disco) foi um dos primeiros sistemas operacionais da Microsoft. Não tem Interface Gráfica, mas muitos de seus comandos ainda são utilizados até hoje pelo Prompt de Comandos dos sistemas Windows. A Interface Gráfica facilita o trabalho em um computador pelas facilidades e agilidades que proporciona. Com o uso da Interface Gráfica, para saber o conteúdo de uma pasta (diretório), basta fazer uso do mouse ou de uma sequência de teclas, e se consegue ver o conteúdo da pasta. Com o MS-DOS, para saber o conteúdo de uma pasta é necessária a utilização do comando DIR, que mostra todos os arquivos e pastas de um diretório e busca arquivos em um drive especificado. Sua sintaxe é: dir [drive:\][caminho\] arquivo(s) [opções] (Os colchetes são apenas ilustrativos). Assinale a alternativa que apresenta o comando completo para mostrar apenas as informações básicas de uma pasta. 

Alternativas

ID
3307231
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Pedagogia
Assuntos

Segundo J. C. Libâneo, “o projeto representa a oportunidade da direção, da coordenação pedagógica, dos professores e da comunidade tomarem sua escola nas mãos, definir seu papel estratégico na educação das crianças e jovens, organizar suas ações, visando atingir os objetivos que se propõem. É o ordenador, norteador da vida escolar”. Considerando o Projeto Político-Pedagógico (PPP) na educação brasileira, analise as afirmativas a seguir.
I. Com o avanço do movimento de gestão democrática da educação, na década de 80 até meados da década 90 do século anterior, nasce o termo Projeto Político-Pedagógico – PPP.
II. Na instância Federal, o PPP está sedimentado na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) nº 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996. A LDB vigorante veio em uma ocasião de redemocratização política e em uma condição socioeconômica de globalização.
III. O Artigo 12 da Lei nº 9.394/96 define a incumbência dos estabelecimentos de ensino, e o Artigo 14 trata da gestão democrática do ensino público na educação básica.

Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s) 

Alternativas

ID
3307234
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Pedagogia
Assuntos

Tratar de avaliação é falar de concepção de ensino e aprendizagem. A maneira como o professor vê seu aluno e como compreende os processos de aprender e ensinar interfere diretamente no modo como avalia e nos usos que faz de seus resultados. O conceito geral de avaliação envolve medida, levantamento e julgamento de dados para a tomada de decisão. Existem diferentes dimensões de avaliação, todas envolvidas pela tomada de decisão. Considerando o exposto e as avaliações citadas a seguir, relacione-as adequadamente com as afirmativas apresentadas.
1. Avaliação de larga escala.
2. Avaliação institucional.
3. Avaliação na sala de aula.
4. Avaliação de projetos.
( ) Analisa a escola, reúne dados e avalia as condições e os caminhos que estão sendo percorridos pela instituição. Este tipo de avaliação exige a participação de todos.
( ) Por possuírem prazo de início e término, com metas e recursos definidos, são avaliados em situações específicas, para compreender o alcance ou a qualidade do programa.
( ) Analisa o contexto e as condições de trabalho, considera o aluno individualmente e as circunstâncias que o envolvem. É baseada na relação professor-aluno e permite identificar as dificuldades e corrigi-las no processo.
( ) Utilizada para avaliar o sistema. São as avaliações externas tais como Prova Brasil, Provinha Brasil, ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), ANA (Avaliação Nacional de Alfabetização) etc. Seus dados podem ser utilizados na escola, como material para identificar as dificuldades no processo, verificar a qualidade do ensino, reorientar os planejamentos para os anos subsequentes etc.

A sequência está correta em 

Alternativas

ID
3307237
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Pedagogia
Assuntos

“Pensar a organização do trabalho pedagógico e a gestão da escola (...) e tendo como fundamento o que dispõem os Artigos 12 e 13 da LDB, pressupõe conceber a organização e gestão das pessoas, do espaço, dos processos, procedimentos que viabilizam o trabalho de todos aqueles que se inscrevem no currículo em movimento expresso no Projeto Político-Pedagógico (PPP) e nos planos da escola, em que se conformam as condições de trabalho definidas pelos órgãos gestores em nível macro.”
(BRASIL, 2013.)

Portanto, os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão, segundo o Artigo 12, a incumbência de, EXCETO: 

Alternativas
Comentários
  • GABARITO

    LETRA C ---> ERRADA

    12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de:

    I - elaborar e executar sua proposta pedagógica;

    III - assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas;

    VI - articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade com a escola;

    Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de:

    VI - colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade.

  • ASSERTIVA C

    Pois é atribuição do docente - Art 13, VI.

  • Assegurar o cumprimento dos anos??? Não tem isso na lei!


ID
3307243
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Pedagogia
Assuntos

De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais, quanto à promoção, aceleração de estudos e classificação no ensino fundamental e médio, assinale a afirmativa INCORRETA.

Alternativas
Comentários
  • O gabarito é a alternativa A.

  • A) A figura da promoção e da classificação pode ser adotada em qualquer ano, série ou outra unidade de percurso escolhida, exceto no primeiro ano do Ensino Fundamental.


ID
3307246
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Pedagogia
Assuntos

De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais, os objetivos da formação básica das crianças, definidos para a Educação Infantil, prolongam-se durante os anos iniciais do Ensino Fundamental, especialmente no primeiro, e completam-se nos anos finais, ampliando e intensificando, gradativamente, o processo educativo mediante, EXCETO:

Alternativas

ID
3307249
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Pedagogia

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei Federal nº 8.069/1990, as medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados. Consideram-se direitos ameaçados ou violados, EXCETO:
I. Por ação ou omissão da sociedade ou do Estado.
II. Por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável.
III. Em razão de sua conduta.

Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s) 

Alternativas

ID
3307252
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Pedagogia
Assuntos

O trecho a seguir contextualiza as questões 23 e 24.

Leia-o atentamente. “(...) Esta teoria centra-se basicamente no processo da mediação, que está dividida em dois tipos de elementos mediadores: os instrumentais e os signos. O instrumental é o que está entre o trabalhador e o seu objeto de trabalho. Já o signo ‘age como um instrumento da atividade psicológica de maneira análoga ao papel do instrumento de trabalho’ (La Rosa, 2003). Baseando-se nessas relações, o autor diz que o sujeito constrói o conhecimento pela aprendizagem, promovendo o desenvolvimento mental e, por meio dele, deixaria de ser um animal para se tornar um ser humano.
Dessa forma, tanto a aprendizagem quanto o desenvolvimento acontecem pela dialética.” 

De acordo com o exposto, trata-se da Teoria:

Alternativas

ID
3307255
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Pedagogia
Assuntos

O trecho a seguir contextualiza as questões 23 e 24.

Leia-o atentamente. “(...) Esta teoria centra-se basicamente no processo da mediação, que está dividida em dois tipos de elementos mediadores: os instrumentais e os signos. O instrumental é o que está entre o trabalhador e o seu objeto de trabalho. Já o signo ‘age como um instrumento da atividade psicológica de maneira análoga ao papel do instrumento de trabalho’ (La Rosa, 2003). Baseando-se nessas relações, o autor diz que o sujeito constrói o conhecimento pela aprendizagem, promovendo o desenvolvimento mental e, por meio dele, deixaria de ser um animal para se tornar um ser humano.
Dessa forma, tanto a aprendizagem quanto o desenvolvimento acontecem pela dialética.” 

O autor, ao qual se refere a teoria exposta, trata-se de:

Alternativas

ID
3307258
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Pedagogia
Assuntos

Muitas questões sociais poderiam ser eleitas como temas transversais para o trabalho escolar, uma vez que o que os norteia, a construção da cidadania e a democracia, são questões que envolvem múltiplos aspectos e diferentes dimensões da vida social. Foram então estabelecidos critérios para defini-los e escolhê-los. Acerca de tais critérios, NÃO se destaca nos documentos dos Parâmetros Curriculares Nacionais: 

Alternativas

ID
3307261
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A lua quadrada de Londres

     Eu vinha voltando para casa, dentro da noite de Londres. Uma noite fria, nevoenta, silenciosa – uma noite de Londres. Noite de inverno que começa às quatro horas da tarde e termina às oito da manhã. Noite de navio perdido em alto-mar, de cemitério, de charneca, de fim de ano, de morro dos ventos uivantes. Noite de vampiros, de lobisomens, de fantasmas, de assassinos, de Jack, o Estripador. Eu vinha vindo e apressava o passo, querendo chegar depressa, antes que aquela noite tão densa me dissolvesse para sempre em suas sombras. De espaço a espaço, a luz amarelo-âmbar dos postes pontilhava a rua com seu pequeno foco, como olhos de pantera a seguir-me os passos na escuridão.
    Foi quando a neblina se esgarçou, translúcida, e a lua apareceu.
    Uma lua enorme, resplendente, majestosa – e quadrada.
   Os meus olhos a fitavam, assombrados, e eu não podia acreditar no que eles viam. Quadrada como uma janelinha aberta no céu. Mas amarela como todas as luas do mundo, flutuando na noite, plena de luz, solitária e bela.
  As luas de Londres... Ah, Jayme Ovalle, Manuel Bandeira! A lua de Londres era quadrada!
  Pensei estar sonhando e baixei os olhos humildemente, indigno de merecê-la, tendo bebido mais do que imaginava. Entrei em casa bêbado de lua e fui refugiar-me em meu quarto, refeito já do estranho delírio, no ambiente cálido e acolhedor do meu tugúrio, cercado de objetos familiares.
  Mas foi só chegar à janela, e lá estava ela, dependurada no céu em desafio: uma lua deslumbrante que a neblina não conseguia ofuscar, cubo de luz suspenso no espaço, de contornos precisos, nítido em seus ângulos retos, a desafiar-me com seu mistério. A lua quadrada de Londres!
  Evitei olhá-la outra vez, para não sucumbir ao seu fascínio. Corri as cortinas e fui dormir sob seus eflúvios – enigma imemorial a zombar de todas as astronomias através dos séculos, da mais remota antiguidade aos nossos dias, e oferecendo unicamente a mim a sua verdadeira face. É possível que um sábio egípcio, há cinco mil anos, do alto de uma pirâmide, a tenha vislumbrado uma noite e tentado perquirir o seu segredo. É possível que em Babilônia um cortesão de Nabucodonosor se tenha enamorado perdidamente de uma princesa, na moldura quadrada de seus raios. É possível que na China de Confúcio um mandarim se tenha curvado reverente no jardim, entre papoulas, sob o império de seu brilho retilíneo. É possível que na África, numa clareira das selvas, um feiticeiro da tribo lhe tenha oferecido em holocausto a carcaça sangrenta de um antílope. É possível que nos mares gelados do Norte um viking tenha há 12 séculos levantado os olhos sob o elmo de chifres, e contemplado aquela surpreendente forma geométrica, procurando orientar por ela o seu bergantim. É possível que na Idade Média um alquimista tenha aumentado, sob a influência de sua radiância quadrangular, o efeito milagroso de um elixir da longa vida. É possível que, no longo dos anos, mais de uma donzela haja estremecido em sonhos ao receber no corpo a carícia estranhamente angulosa do luar. Mas, nos dias de hoje, somente a mim a lua se oferecia em toda a sua nudez quadrada. Dormi sorrindo, ao pensar que os astronautas modernos se preparam para ir à Lua em breve – sem ao menos desconfiar que ela não é redonda, mas quadrada como uma janela aberta no cosmo – verdade celestial que só um noctívago em Londres fora capaz de merecer.
    Lembro-me de uma história – história que inventei, mas que nem por isso deixa de ser verdadeira. Era um marinheiro dinamarquês, de um cargueiro atracado no porto do Rio de Janeiro por uma noite apenas. Saíra pela cidade desconhecida, de bar em bar, e vinha voltando solitário e bêbado pela madrugada, quando se deu o milagre: nas sujas águas do canal do Mangue, viu refletida uma claridade difusa – ergueu os olhos e viu que as nuvens se haviam rasgado no céu, e o Cristo surgira para ele, de braços abertos, em todo o seu divino esplendor. Fulminado pela visão, caiu de joelhos e chorou de arrependimento pela vida de pecado e impenitência que levara até então. De volta à sua terra, converteu-se, tornou-se místico, acabou num convento. E anos mais tarde, depois de uma vida inteira dedicada a Deus, o monge recebe a visita de um brasileiro. Aquele homem era da cidade em que se dera o milagre da sua conversão.
     – O que o senhor viu foi a estátua do Corcovado – explicou o carioca. Não diz a história se o religioso deixou de sê-lo, por causa da prosaica revelação. Não diz, porque me eximo de acrescentar que, na realidade, depois de viver tanto tempo uma crença construída sobre o equívoco, este equívoco passava a ser mesmo um milagre, como tudo mais nesta vida.
     O milagre da lua quadrada de Londres não me foi desfeito por nenhum londrino descrente do surrealismo astronômico nos céus britânicos. Bastou olhar de manhã pela janela e pude ver, recortado contra o céu, o gigantesco guindaste no cume de uma construção, e numa das pontas da armação de aço atravessada no ar, junto ao contrapeso, o quadrado de vidro que à noite se acende. A minha lua quadrada de Londres.
    Quadrado que talvez simbolize todo um sistema de vida, mais do que anuncia a pequena palavra Laig nele escrita, marca de fabricação do guindaste. De qualquer maneira, os ingleses ganharam, pelo menos na minha imaginação, o emblema do seu modo de ser, impresso nessa visão de uma noite, que foi a lua quadrada de Londres.
(SABINO, Fernando, 1923-2004 – As melhores crônicas – 14ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010. 224 p.)

Em relação ao significado das palavras destacadas e vocábulos entre parênteses, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) “Foi quando a neblina se esgarçou, translúcida,...” (2º§) – (arranhou)
( ) “... no ambiente cálido e acolhedor do meu tugúrio,...” (6º§) – (abrigo)
( ) “Evitei olhá-la outra vez para não sucumbir ao seu fascínio.” (8º§) – (encanto)
( ) “... tenha vislumbrado uma noite e tentado perquirir o seu segredo.” (8º§) – (indagar)
( ) “... viu refletida uma claridade difusa...” (9º§) – (concisa)

A sequência está correta em 

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA B

    (F) ?Foi quando a neblina se esgarçou, translúcida,...? (2º§) ? (arranhou) ? incorreto, o adjetivo "translúcida" equivale a límpida, clara.

    (V) ?... no ambiente cálido e acolhedor do meu tugúrio,...? (6º§) ? (abrigo) 

    (V) ?Evitei olhá-la outra vez para não sucumbir ao seu fascínio.? (8º§) ? (encanto) 

    (V) ?... tenha vislumbrado uma noite e tentado perquirir o seu segredo.? (8º§) ? (indagar) 

    (F) ?... viu refletida uma claridade difusa...? (9º§) ? (concisa) ? incorreto, "difusa" é um adjetivo que equivale a "espalhadas"; "concisa" é resumida, essencial; significados diferentes.

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    ? FORÇA, GUERREIROS(AS)!! 


ID
3307264
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A lua quadrada de Londres

     Eu vinha voltando para casa, dentro da noite de Londres. Uma noite fria, nevoenta, silenciosa – uma noite de Londres. Noite de inverno que começa às quatro horas da tarde e termina às oito da manhã. Noite de navio perdido em alto-mar, de cemitério, de charneca, de fim de ano, de morro dos ventos uivantes. Noite de vampiros, de lobisomens, de fantasmas, de assassinos, de Jack, o Estripador. Eu vinha vindo e apressava o passo, querendo chegar depressa, antes que aquela noite tão densa me dissolvesse para sempre em suas sombras. De espaço a espaço, a luz amarelo-âmbar dos postes pontilhava a rua com seu pequeno foco, como olhos de pantera a seguir-me os passos na escuridão.
    Foi quando a neblina se esgarçou, translúcida, e a lua apareceu.
    Uma lua enorme, resplendente, majestosa – e quadrada.
   Os meus olhos a fitavam, assombrados, e eu não podia acreditar no que eles viam. Quadrada como uma janelinha aberta no céu. Mas amarela como todas as luas do mundo, flutuando na noite, plena de luz, solitária e bela.
  As luas de Londres... Ah, Jayme Ovalle, Manuel Bandeira! A lua de Londres era quadrada!
  Pensei estar sonhando e baixei os olhos humildemente, indigno de merecê-la, tendo bebido mais do que imaginava. Entrei em casa bêbado de lua e fui refugiar-me em meu quarto, refeito já do estranho delírio, no ambiente cálido e acolhedor do meu tugúrio, cercado de objetos familiares.
  Mas foi só chegar à janela, e lá estava ela, dependurada no céu em desafio: uma lua deslumbrante que a neblina não conseguia ofuscar, cubo de luz suspenso no espaço, de contornos precisos, nítido em seus ângulos retos, a desafiar-me com seu mistério. A lua quadrada de Londres!
  Evitei olhá-la outra vez, para não sucumbir ao seu fascínio. Corri as cortinas e fui dormir sob seus eflúvios – enigma imemorial a zombar de todas as astronomias através dos séculos, da mais remota antiguidade aos nossos dias, e oferecendo unicamente a mim a sua verdadeira face. É possível que um sábio egípcio, há cinco mil anos, do alto de uma pirâmide, a tenha vislumbrado uma noite e tentado perquirir o seu segredo. É possível que em Babilônia um cortesão de Nabucodonosor se tenha enamorado perdidamente de uma princesa, na moldura quadrada de seus raios. É possível que na China de Confúcio um mandarim se tenha curvado reverente no jardim, entre papoulas, sob o império de seu brilho retilíneo. É possível que na África, numa clareira das selvas, um feiticeiro da tribo lhe tenha oferecido em holocausto a carcaça sangrenta de um antílope. É possível que nos mares gelados do Norte um viking tenha há 12 séculos levantado os olhos sob o elmo de chifres, e contemplado aquela surpreendente forma geométrica, procurando orientar por ela o seu bergantim. É possível que na Idade Média um alquimista tenha aumentado, sob a influência de sua radiância quadrangular, o efeito milagroso de um elixir da longa vida. É possível que, no longo dos anos, mais de uma donzela haja estremecido em sonhos ao receber no corpo a carícia estranhamente angulosa do luar. Mas, nos dias de hoje, somente a mim a lua se oferecia em toda a sua nudez quadrada. Dormi sorrindo, ao pensar que os astronautas modernos se preparam para ir à Lua em breve – sem ao menos desconfiar que ela não é redonda, mas quadrada como uma janela aberta no cosmo – verdade celestial que só um noctívago em Londres fora capaz de merecer.
    Lembro-me de uma história – história que inventei, mas que nem por isso deixa de ser verdadeira. Era um marinheiro dinamarquês, de um cargueiro atracado no porto do Rio de Janeiro por uma noite apenas. Saíra pela cidade desconhecida, de bar em bar, e vinha voltando solitário e bêbado pela madrugada, quando se deu o milagre: nas sujas águas do canal do Mangue, viu refletida uma claridade difusa – ergueu os olhos e viu que as nuvens se haviam rasgado no céu, e o Cristo surgira para ele, de braços abertos, em todo o seu divino esplendor. Fulminado pela visão, caiu de joelhos e chorou de arrependimento pela vida de pecado e impenitência que levara até então. De volta à sua terra, converteu-se, tornou-se místico, acabou num convento. E anos mais tarde, depois de uma vida inteira dedicada a Deus, o monge recebe a visita de um brasileiro. Aquele homem era da cidade em que se dera o milagre da sua conversão.
     – O que o senhor viu foi a estátua do Corcovado – explicou o carioca. Não diz a história se o religioso deixou de sê-lo, por causa da prosaica revelação. Não diz, porque me eximo de acrescentar que, na realidade, depois de viver tanto tempo uma crença construída sobre o equívoco, este equívoco passava a ser mesmo um milagre, como tudo mais nesta vida.
     O milagre da lua quadrada de Londres não me foi desfeito por nenhum londrino descrente do surrealismo astronômico nos céus britânicos. Bastou olhar de manhã pela janela e pude ver, recortado contra o céu, o gigantesco guindaste no cume de uma construção, e numa das pontas da armação de aço atravessada no ar, junto ao contrapeso, o quadrado de vidro que à noite se acende. A minha lua quadrada de Londres.
    Quadrado que talvez simbolize todo um sistema de vida, mais do que anuncia a pequena palavra Laig nele escrita, marca de fabricação do guindaste. De qualquer maneira, os ingleses ganharam, pelo menos na minha imaginação, o emblema do seu modo de ser, impresso nessa visão de uma noite, que foi a lua quadrada de Londres.
(SABINO, Fernando, 1923-2004 – As melhores crônicas – 14ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010. 224 p.)

“Mas foi só chegar à janela e lá estava ela, dependurada no céu em desafio: uma lua deslumbrante que a neblina não conseguia ofuscar, cubo de luz suspenso no espaço, de contornos precisos, nítido em seus ângulos retos, a desafiar-me com seu mistério. A lua quadrada de Londres!” (7º§) A função da linguagem que se encontra presente nesse excerto é 

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA A

    ? ?Mas foi só chegar à janela e lá estava ela, dependurada no céu em desafio: uma lua deslumbrante que a neblina não conseguia ofuscar, cubo de luz suspenso no espaço, de contornos precisos, nítido em seus ângulos retos, a desafiar-me com seu mistério. A lua quadrada de Londres!? (7º§) 

    ? Função poética:

    ? a mensagem por si é posta em relevo; mais do que seu conteúdo, o destaque dela se encontra na forma como ela é construída, criativa e inusitadamente;

    ? essa função usa vários recursos gramaticais: figuras de linguagem, conotação, neologismos, construções estruturais não convencionais, polissemia etc.;

    ? é a linguagem dos poemas e prosas poéticas (literária), da publicidade criativa e afins.

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  • Função Poética

    DESTAQUE É A MENSAGEM >> "Como dizer algo"

    e visto muita das vezes na literatura, metáforas, poemas e etc...

    GABARITO/A

  • Função poética : (estética ) - tem o foco na mensagem ,uso recorrente de figuras de linguagem.


ID
3307267
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A lua quadrada de Londres

     Eu vinha voltando para casa, dentro da noite de Londres. Uma noite fria, nevoenta, silenciosa – uma noite de Londres. Noite de inverno que começa às quatro horas da tarde e termina às oito da manhã. Noite de navio perdido em alto-mar, de cemitério, de charneca, de fim de ano, de morro dos ventos uivantes. Noite de vampiros, de lobisomens, de fantasmas, de assassinos, de Jack, o Estripador. Eu vinha vindo e apressava o passo, querendo chegar depressa, antes que aquela noite tão densa me dissolvesse para sempre em suas sombras. De espaço a espaço, a luz amarelo-âmbar dos postes pontilhava a rua com seu pequeno foco, como olhos de pantera a seguir-me os passos na escuridão.
    Foi quando a neblina se esgarçou, translúcida, e a lua apareceu.
    Uma lua enorme, resplendente, majestosa – e quadrada.
   Os meus olhos a fitavam, assombrados, e eu não podia acreditar no que eles viam. Quadrada como uma janelinha aberta no céu. Mas amarela como todas as luas do mundo, flutuando na noite, plena de luz, solitária e bela.
  As luas de Londres... Ah, Jayme Ovalle, Manuel Bandeira! A lua de Londres era quadrada!
  Pensei estar sonhando e baixei os olhos humildemente, indigno de merecê-la, tendo bebido mais do que imaginava. Entrei em casa bêbado de lua e fui refugiar-me em meu quarto, refeito já do estranho delírio, no ambiente cálido e acolhedor do meu tugúrio, cercado de objetos familiares.
  Mas foi só chegar à janela, e lá estava ela, dependurada no céu em desafio: uma lua deslumbrante que a neblina não conseguia ofuscar, cubo de luz suspenso no espaço, de contornos precisos, nítido em seus ângulos retos, a desafiar-me com seu mistério. A lua quadrada de Londres!
  Evitei olhá-la outra vez, para não sucumbir ao seu fascínio. Corri as cortinas e fui dormir sob seus eflúvios – enigma imemorial a zombar de todas as astronomias através dos séculos, da mais remota antiguidade aos nossos dias, e oferecendo unicamente a mim a sua verdadeira face. É possível que um sábio egípcio, há cinco mil anos, do alto de uma pirâmide, a tenha vislumbrado uma noite e tentado perquirir o seu segredo. É possível que em Babilônia um cortesão de Nabucodonosor se tenha enamorado perdidamente de uma princesa, na moldura quadrada de seus raios. É possível que na China de Confúcio um mandarim se tenha curvado reverente no jardim, entre papoulas, sob o império de seu brilho retilíneo. É possível que na África, numa clareira das selvas, um feiticeiro da tribo lhe tenha oferecido em holocausto a carcaça sangrenta de um antílope. É possível que nos mares gelados do Norte um viking tenha há 12 séculos levantado os olhos sob o elmo de chifres, e contemplado aquela surpreendente forma geométrica, procurando orientar por ela o seu bergantim. É possível que na Idade Média um alquimista tenha aumentado, sob a influência de sua radiância quadrangular, o efeito milagroso de um elixir da longa vida. É possível que, no longo dos anos, mais de uma donzela haja estremecido em sonhos ao receber no corpo a carícia estranhamente angulosa do luar. Mas, nos dias de hoje, somente a mim a lua se oferecia em toda a sua nudez quadrada. Dormi sorrindo, ao pensar que os astronautas modernos se preparam para ir à Lua em breve – sem ao menos desconfiar que ela não é redonda, mas quadrada como uma janela aberta no cosmo – verdade celestial que só um noctívago em Londres fora capaz de merecer.
    Lembro-me de uma história – história que inventei, mas que nem por isso deixa de ser verdadeira. Era um marinheiro dinamarquês, de um cargueiro atracado no porto do Rio de Janeiro por uma noite apenas. Saíra pela cidade desconhecida, de bar em bar, e vinha voltando solitário e bêbado pela madrugada, quando se deu o milagre: nas sujas águas do canal do Mangue, viu refletida uma claridade difusa – ergueu os olhos e viu que as nuvens se haviam rasgado no céu, e o Cristo surgira para ele, de braços abertos, em todo o seu divino esplendor. Fulminado pela visão, caiu de joelhos e chorou de arrependimento pela vida de pecado e impenitência que levara até então. De volta à sua terra, converteu-se, tornou-se místico, acabou num convento. E anos mais tarde, depois de uma vida inteira dedicada a Deus, o monge recebe a visita de um brasileiro. Aquele homem era da cidade em que se dera o milagre da sua conversão.
     – O que o senhor viu foi a estátua do Corcovado – explicou o carioca. Não diz a história se o religioso deixou de sê-lo, por causa da prosaica revelação. Não diz, porque me eximo de acrescentar que, na realidade, depois de viver tanto tempo uma crença construída sobre o equívoco, este equívoco passava a ser mesmo um milagre, como tudo mais nesta vida.
     O milagre da lua quadrada de Londres não me foi desfeito por nenhum londrino descrente do surrealismo astronômico nos céus britânicos. Bastou olhar de manhã pela janela e pude ver, recortado contra o céu, o gigantesco guindaste no cume de uma construção, e numa das pontas da armação de aço atravessada no ar, junto ao contrapeso, o quadrado de vidro que à noite se acende. A minha lua quadrada de Londres.
    Quadrado que talvez simbolize todo um sistema de vida, mais do que anuncia a pequena palavra Laig nele escrita, marca de fabricação do guindaste. De qualquer maneira, os ingleses ganharam, pelo menos na minha imaginação, o emblema do seu modo de ser, impresso nessa visão de uma noite, que foi a lua quadrada de Londres.
(SABINO, Fernando, 1923-2004 – As melhores crônicas – 14ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010. 224 p.)

A opção que apresenta um vocábulo do texto acentuado graficamente por razão DISTINTA das demais é: 

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA D

    A) Sábio ? temos uma paroxítona terminada em ditongo, penúltima sílaba tônica ou proparoxítona eventual/acidental.

    B) História ? temos uma paroxítona terminada em ditongo, penúltima sílaba tônica ou proparoxítona eventual/acidental.

    C) Radiância ? temos uma paroxítona terminada em ditongo, penúltima sílaba tônica ou proparoxítona eventual/acidental.

    D) Construída ? temos uma palavra acentuada devido à regra dos hiatos (="i" tônico que forma hiato com a vogal anterior).

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  • GABARITO: LETRA D

    COMPLEMENTANDO:

    Regra de Acentuação para Monossílabas Tônicas:

    Acentuam-se as terminadas em -a(s), -e(s), -o(s).

    Ex.: má(s), trás, pé(s), mês, só(s), pôs…

    Regra de Acentuação para Oxítonas:

    Acentuam-se as terminadas em -a(s), -e(s), -o(s), -em(-ens).

    Ex.: sofá(s), axé(s), bongô(s), vintém(éns)...

    Regra de Acentuação para Paroxítonas:

    Acentuam-se as terminadas em ditongo crescente ou decrescente (seguido ou não de s), -ão(s) e -ã(s), tritongo e qualquer outra terminação (l, n, um, r, ns, x, i, is, us, ps), exceto as terminadas em -a(s), -e(s), -o(s), -em(-ens).

    Ex.: história, cáries, jóquei(s); órgão(s), órfã, ímãs; águam; fácil, glúten, fórum, caráter, prótons, tórax, júri, lápis, vírus, fórceps.

    Regra de Acentuação para Proparoxítonas:

    Todas são acentuadas .Ex.: álcool, réquiem, máscara, zênite, álibi, plêiade, náufrago, duúnviro, seriíssimo...

    Regra de Acentuação para os Hiatos Tônicos (I e U):

    Acentuam-se com acento agudo as vogais I e U tônicas (segunda vogal do hiato!), isoladas ou seguidas de S na mesma sílaba, quando formam hiatos.

    Ex.: sa-ú-de, sa-í-da, ba-la-ús-tre, fa-ís-ca, ba-ú(s), a-ça-í(s)...

    FONTE: A GRAMÁTICA PARA CONCURSOS PÚBLICOS 3ª EDIÇÃO FERNANDO PESTANA.

  • Sá-bio. = paroxítona

    His-tó-ria = paroxítona

    Ra-di-ân-cia = paroxítona

    Cons-tru-í-da = Hiato

    GABARITO: Letra D

  • Nem precisa ler o texto gigante.


ID
3307270
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A lua quadrada de Londres

     Eu vinha voltando para casa, dentro da noite de Londres. Uma noite fria, nevoenta, silenciosa – uma noite de Londres. Noite de inverno que começa às quatro horas da tarde e termina às oito da manhã. Noite de navio perdido em alto-mar, de cemitério, de charneca, de fim de ano, de morro dos ventos uivantes. Noite de vampiros, de lobisomens, de fantasmas, de assassinos, de Jack, o Estripador. Eu vinha vindo e apressava o passo, querendo chegar depressa, antes que aquela noite tão densa me dissolvesse para sempre em suas sombras. De espaço a espaço, a luz amarelo-âmbar dos postes pontilhava a rua com seu pequeno foco, como olhos de pantera a seguir-me os passos na escuridão.
    Foi quando a neblina se esgarçou, translúcida, e a lua apareceu.
    Uma lua enorme, resplendente, majestosa – e quadrada.
   Os meus olhos a fitavam, assombrados, e eu não podia acreditar no que eles viam. Quadrada como uma janelinha aberta no céu. Mas amarela como todas as luas do mundo, flutuando na noite, plena de luz, solitária e bela.
  As luas de Londres... Ah, Jayme Ovalle, Manuel Bandeira! A lua de Londres era quadrada!
  Pensei estar sonhando e baixei os olhos humildemente, indigno de merecê-la, tendo bebido mais do que imaginava. Entrei em casa bêbado de lua e fui refugiar-me em meu quarto, refeito já do estranho delírio, no ambiente cálido e acolhedor do meu tugúrio, cercado de objetos familiares.
  Mas foi só chegar à janela, e lá estava ela, dependurada no céu em desafio: uma lua deslumbrante que a neblina não conseguia ofuscar, cubo de luz suspenso no espaço, de contornos precisos, nítido em seus ângulos retos, a desafiar-me com seu mistério. A lua quadrada de Londres!
  Evitei olhá-la outra vez, para não sucumbir ao seu fascínio. Corri as cortinas e fui dormir sob seus eflúvios – enigma imemorial a zombar de todas as astronomias através dos séculos, da mais remota antiguidade aos nossos dias, e oferecendo unicamente a mim a sua verdadeira face. É possível que um sábio egípcio, há cinco mil anos, do alto de uma pirâmide, a tenha vislumbrado uma noite e tentado perquirir o seu segredo. É possível que em Babilônia um cortesão de Nabucodonosor se tenha enamorado perdidamente de uma princesa, na moldura quadrada de seus raios. É possível que na China de Confúcio um mandarim se tenha curvado reverente no jardim, entre papoulas, sob o império de seu brilho retilíneo. É possível que na África, numa clareira das selvas, um feiticeiro da tribo lhe tenha oferecido em holocausto a carcaça sangrenta de um antílope. É possível que nos mares gelados do Norte um viking tenha há 12 séculos levantado os olhos sob o elmo de chifres, e contemplado aquela surpreendente forma geométrica, procurando orientar por ela o seu bergantim. É possível que na Idade Média um alquimista tenha aumentado, sob a influência de sua radiância quadrangular, o efeito milagroso de um elixir da longa vida. É possível que, no longo dos anos, mais de uma donzela haja estremecido em sonhos ao receber no corpo a carícia estranhamente angulosa do luar. Mas, nos dias de hoje, somente a mim a lua se oferecia em toda a sua nudez quadrada. Dormi sorrindo, ao pensar que os astronautas modernos se preparam para ir à Lua em breve – sem ao menos desconfiar que ela não é redonda, mas quadrada como uma janela aberta no cosmo – verdade celestial que só um noctívago em Londres fora capaz de merecer.
    Lembro-me de uma história – história que inventei, mas que nem por isso deixa de ser verdadeira. Era um marinheiro dinamarquês, de um cargueiro atracado no porto do Rio de Janeiro por uma noite apenas. Saíra pela cidade desconhecida, de bar em bar, e vinha voltando solitário e bêbado pela madrugada, quando se deu o milagre: nas sujas águas do canal do Mangue, viu refletida uma claridade difusa – ergueu os olhos e viu que as nuvens se haviam rasgado no céu, e o Cristo surgira para ele, de braços abertos, em todo o seu divino esplendor. Fulminado pela visão, caiu de joelhos e chorou de arrependimento pela vida de pecado e impenitência que levara até então. De volta à sua terra, converteu-se, tornou-se místico, acabou num convento. E anos mais tarde, depois de uma vida inteira dedicada a Deus, o monge recebe a visita de um brasileiro. Aquele homem era da cidade em que se dera o milagre da sua conversão.
     – O que o senhor viu foi a estátua do Corcovado – explicou o carioca. Não diz a história se o religioso deixou de sê-lo, por causa da prosaica revelação. Não diz, porque me eximo de acrescentar que, na realidade, depois de viver tanto tempo uma crença construída sobre o equívoco, este equívoco passava a ser mesmo um milagre, como tudo mais nesta vida.
     O milagre da lua quadrada de Londres não me foi desfeito por nenhum londrino descrente do surrealismo astronômico nos céus britânicos. Bastou olhar de manhã pela janela e pude ver, recortado contra o céu, o gigantesco guindaste no cume de uma construção, e numa das pontas da armação de aço atravessada no ar, junto ao contrapeso, o quadrado de vidro que à noite se acende. A minha lua quadrada de Londres.
    Quadrado que talvez simbolize todo um sistema de vida, mais do que anuncia a pequena palavra Laig nele escrita, marca de fabricação do guindaste. De qualquer maneira, os ingleses ganharam, pelo menos na minha imaginação, o emblema do seu modo de ser, impresso nessa visão de uma noite, que foi a lua quadrada de Londres.
(SABINO, Fernando, 1923-2004 – As melhores crônicas – 14ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010. 224 p.)

Assinale a alternativa em que o acento grave, indicativo de crase, é facultativo. 

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA B

    ??De volta à sua terra, converteu-se,...? (9º§)

    ? De volta a algo (preposição "a") + uso facultativo do artigo definido "a" antes do pronome possessivo adjetivo (=acompanha um substantivo); com ou sem crase (=à sua OU a sua).

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    ? FORÇA, GUERREIROS(AS)!! 

  • gabarito letra=B

    pegue essa regra e leve para prova!!!!!!!!!!! Pronome possessivo adjetivo (aquele que acompanha um substantivo): Nessa situação, o uso do artigo é facultativo, ou seja, você poderá optar por usá-lo ou não usá-lo

    Não obedeço a suas coordenadoras. (com preposição a, mas sem o artigo as)

    Não obedeço às suas coordenadoras. (com a preposição a e com o artigo as)

    lembrando que tem outra regra que defende essa regra são alguns gramáticos,mas e muito difícil cair em concurso...

    Pronome possessivo substantivo (aquele que não acompanha um substantivo): O uso do artigo diante de um pronome possessivo substantivo é obrigatório. Observe os exemplos:

    .........................................................................................................................................................................

    Não obedeço à sua coordenadora, mas à minha. (minha: pronome possessivo substantivo, o uso do artigo será obrigatório. Como há a preposição a, o acento indicador de crase também será obrigatório)

  • A questão quer que encontremos a única opção que o uso da crase se faz de forma opcional.

    a) Em "Mas foi só chegar à janela,…”, o uso da crase é obrigatório devido à regência do verbo CHEGAR que exige a preposição "a" e por causa do artigo que acompanha o nome feminino JANELA. INCORRETA.

    b) Em  "volta à sua terra", quando acontecer a regência "a" e estiver diante de pronome possessivo feminino, a crase será facultativa. CORRETA.

    c) Em "à noite se acende", quando temos uma locução adverbial de base feminina se usa a crase de forma obrigatória. INCORRETA.

    d) Em "ir à Lua...”, o verbo IR rege a preposição "a" e a palavra feminina LUA tem o artigo "a" que o acompanha, então faz uso obrigatório. INCORRETA.

    GABARITO B

  • Pronome possessivo, crase facultativa.

  • Crase facultativa:

    Até Sua Maria


ID
3307273
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A lua quadrada de Londres

     Eu vinha voltando para casa, dentro da noite de Londres. Uma noite fria, nevoenta, silenciosa – uma noite de Londres. Noite de inverno que começa às quatro horas da tarde e termina às oito da manhã. Noite de navio perdido em alto-mar, de cemitério, de charneca, de fim de ano, de morro dos ventos uivantes. Noite de vampiros, de lobisomens, de fantasmas, de assassinos, de Jack, o Estripador. Eu vinha vindo e apressava o passo, querendo chegar depressa, antes que aquela noite tão densa me dissolvesse para sempre em suas sombras. De espaço a espaço, a luz amarelo-âmbar dos postes pontilhava a rua com seu pequeno foco, como olhos de pantera a seguir-me os passos na escuridão.
    Foi quando a neblina se esgarçou, translúcida, e a lua apareceu.
    Uma lua enorme, resplendente, majestosa – e quadrada.
   Os meus olhos a fitavam, assombrados, e eu não podia acreditar no que eles viam. Quadrada como uma janelinha aberta no céu. Mas amarela como todas as luas do mundo, flutuando na noite, plena de luz, solitária e bela.
  As luas de Londres... Ah, Jayme Ovalle, Manuel Bandeira! A lua de Londres era quadrada!
  Pensei estar sonhando e baixei os olhos humildemente, indigno de merecê-la, tendo bebido mais do que imaginava. Entrei em casa bêbado de lua e fui refugiar-me em meu quarto, refeito já do estranho delírio, no ambiente cálido e acolhedor do meu tugúrio, cercado de objetos familiares.
  Mas foi só chegar à janela, e lá estava ela, dependurada no céu em desafio: uma lua deslumbrante que a neblina não conseguia ofuscar, cubo de luz suspenso no espaço, de contornos precisos, nítido em seus ângulos retos, a desafiar-me com seu mistério. A lua quadrada de Londres!
  Evitei olhá-la outra vez, para não sucumbir ao seu fascínio. Corri as cortinas e fui dormir sob seus eflúvios – enigma imemorial a zombar de todas as astronomias através dos séculos, da mais remota antiguidade aos nossos dias, e oferecendo unicamente a mim a sua verdadeira face. É possível que um sábio egípcio, há cinco mil anos, do alto de uma pirâmide, a tenha vislumbrado uma noite e tentado perquirir o seu segredo. É possível que em Babilônia um cortesão de Nabucodonosor se tenha enamorado perdidamente de uma princesa, na moldura quadrada de seus raios. É possível que na China de Confúcio um mandarim se tenha curvado reverente no jardim, entre papoulas, sob o império de seu brilho retilíneo. É possível que na África, numa clareira das selvas, um feiticeiro da tribo lhe tenha oferecido em holocausto a carcaça sangrenta de um antílope. É possível que nos mares gelados do Norte um viking tenha há 12 séculos levantado os olhos sob o elmo de chifres, e contemplado aquela surpreendente forma geométrica, procurando orientar por ela o seu bergantim. É possível que na Idade Média um alquimista tenha aumentado, sob a influência de sua radiância quadrangular, o efeito milagroso de um elixir da longa vida. É possível que, no longo dos anos, mais de uma donzela haja estremecido em sonhos ao receber no corpo a carícia estranhamente angulosa do luar. Mas, nos dias de hoje, somente a mim a lua se oferecia em toda a sua nudez quadrada. Dormi sorrindo, ao pensar que os astronautas modernos se preparam para ir à Lua em breve – sem ao menos desconfiar que ela não é redonda, mas quadrada como uma janela aberta no cosmo – verdade celestial que só um noctívago em Londres fora capaz de merecer.
    Lembro-me de uma história – história que inventei, mas que nem por isso deixa de ser verdadeira. Era um marinheiro dinamarquês, de um cargueiro atracado no porto do Rio de Janeiro por uma noite apenas. Saíra pela cidade desconhecida, de bar em bar, e vinha voltando solitário e bêbado pela madrugada, quando se deu o milagre: nas sujas águas do canal do Mangue, viu refletida uma claridade difusa – ergueu os olhos e viu que as nuvens se haviam rasgado no céu, e o Cristo surgira para ele, de braços abertos, em todo o seu divino esplendor. Fulminado pela visão, caiu de joelhos e chorou de arrependimento pela vida de pecado e impenitência que levara até então. De volta à sua terra, converteu-se, tornou-se místico, acabou num convento. E anos mais tarde, depois de uma vida inteira dedicada a Deus, o monge recebe a visita de um brasileiro. Aquele homem era da cidade em que se dera o milagre da sua conversão.
     – O que o senhor viu foi a estátua do Corcovado – explicou o carioca. Não diz a história se o religioso deixou de sê-lo, por causa da prosaica revelação. Não diz, porque me eximo de acrescentar que, na realidade, depois de viver tanto tempo uma crença construída sobre o equívoco, este equívoco passava a ser mesmo um milagre, como tudo mais nesta vida.
     O milagre da lua quadrada de Londres não me foi desfeito por nenhum londrino descrente do surrealismo astronômico nos céus britânicos. Bastou olhar de manhã pela janela e pude ver, recortado contra o céu, o gigantesco guindaste no cume de uma construção, e numa das pontas da armação de aço atravessada no ar, junto ao contrapeso, o quadrado de vidro que à noite se acende. A minha lua quadrada de Londres.
    Quadrado que talvez simbolize todo um sistema de vida, mais do que anuncia a pequena palavra Laig nele escrita, marca de fabricação do guindaste. De qualquer maneira, os ingleses ganharam, pelo menos na minha imaginação, o emblema do seu modo de ser, impresso nessa visão de uma noite, que foi a lua quadrada de Londres.
(SABINO, Fernando, 1923-2004 – As melhores crônicas – 14ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010. 224 p.)

O oitavo parágrafo é estruturado pela expressão “é possível que...” que a certa altura é desconstruído por meio de

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA D

    ? Importante ficar atento à pergunta, ela quer saber o que desconstrói o "é possível que":

    ? [...] É possível que na Idade Média um alquimista tenha aumentado, sob a influência de sua radiância quadrangular, o efeito milagroso de um elixir da longa vida. É possível que, no longo dos anos, mais de uma donzela haja estremecido em sonhos ao receber no corpo a carícia estranhamente angulosa do luar. Mas, nos dias de hoje, somente a mim a lua se oferecia em toda a sua nudez quadrada. Dormi sorrindo, ao pensar que os astronautas modernos se preparam para ir à Lua em breve ? sem ao menos desconfiar que ela não é redonda, mas quadrada como uma janela aberta no cosmo ? verdade celestial que só um noctívago em Londres fora capaz de merecer. 

    ? Observa-se a conjunção coordenativa adversativa desconstruindo toda a possibilidade que foi levantada anteriormente.

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    ? FORÇA, GUERREIROS(AS)!! 


ID
3307276
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A lua quadrada de Londres

     Eu vinha voltando para casa, dentro da noite de Londres. Uma noite fria, nevoenta, silenciosa – uma noite de Londres. Noite de inverno que começa às quatro horas da tarde e termina às oito da manhã. Noite de navio perdido em alto-mar, de cemitério, de charneca, de fim de ano, de morro dos ventos uivantes. Noite de vampiros, de lobisomens, de fantasmas, de assassinos, de Jack, o Estripador. Eu vinha vindo e apressava o passo, querendo chegar depressa, antes que aquela noite tão densa me dissolvesse para sempre em suas sombras. De espaço a espaço, a luz amarelo-âmbar dos postes pontilhava a rua com seu pequeno foco, como olhos de pantera a seguir-me os passos na escuridão.
    Foi quando a neblina se esgarçou, translúcida, e a lua apareceu.
    Uma lua enorme, resplendente, majestosa – e quadrada.
   Os meus olhos a fitavam, assombrados, e eu não podia acreditar no que eles viam. Quadrada como uma janelinha aberta no céu. Mas amarela como todas as luas do mundo, flutuando na noite, plena de luz, solitária e bela.
  As luas de Londres... Ah, Jayme Ovalle, Manuel Bandeira! A lua de Londres era quadrada!
  Pensei estar sonhando e baixei os olhos humildemente, indigno de merecê-la, tendo bebido mais do que imaginava. Entrei em casa bêbado de lua e fui refugiar-me em meu quarto, refeito já do estranho delírio, no ambiente cálido e acolhedor do meu tugúrio, cercado de objetos familiares.
  Mas foi só chegar à janela, e lá estava ela, dependurada no céu em desafio: uma lua deslumbrante que a neblina não conseguia ofuscar, cubo de luz suspenso no espaço, de contornos precisos, nítido em seus ângulos retos, a desafiar-me com seu mistério. A lua quadrada de Londres!
  Evitei olhá-la outra vez, para não sucumbir ao seu fascínio. Corri as cortinas e fui dormir sob seus eflúvios – enigma imemorial a zombar de todas as astronomias através dos séculos, da mais remota antiguidade aos nossos dias, e oferecendo unicamente a mim a sua verdadeira face. É possível que um sábio egípcio, há cinco mil anos, do alto de uma pirâmide, a tenha vislumbrado uma noite e tentado perquirir o seu segredo. É possível que em Babilônia um cortesão de Nabucodonosor se tenha enamorado perdidamente de uma princesa, na moldura quadrada de seus raios. É possível que na China de Confúcio um mandarim se tenha curvado reverente no jardim, entre papoulas, sob o império de seu brilho retilíneo. É possível que na África, numa clareira das selvas, um feiticeiro da tribo lhe tenha oferecido em holocausto a carcaça sangrenta de um antílope. É possível que nos mares gelados do Norte um viking tenha há 12 séculos levantado os olhos sob o elmo de chifres, e contemplado aquela surpreendente forma geométrica, procurando orientar por ela o seu bergantim. É possível que na Idade Média um alquimista tenha aumentado, sob a influência de sua radiância quadrangular, o efeito milagroso de um elixir da longa vida. É possível que, no longo dos anos, mais de uma donzela haja estremecido em sonhos ao receber no corpo a carícia estranhamente angulosa do luar. Mas, nos dias de hoje, somente a mim a lua se oferecia em toda a sua nudez quadrada. Dormi sorrindo, ao pensar que os astronautas modernos se preparam para ir à Lua em breve – sem ao menos desconfiar que ela não é redonda, mas quadrada como uma janela aberta no cosmo – verdade celestial que só um noctívago em Londres fora capaz de merecer.
    Lembro-me de uma história – história que inventei, mas que nem por isso deixa de ser verdadeira. Era um marinheiro dinamarquês, de um cargueiro atracado no porto do Rio de Janeiro por uma noite apenas. Saíra pela cidade desconhecida, de bar em bar, e vinha voltando solitário e bêbado pela madrugada, quando se deu o milagre: nas sujas águas do canal do Mangue, viu refletida uma claridade difusa – ergueu os olhos e viu que as nuvens se haviam rasgado no céu, e o Cristo surgira para ele, de braços abertos, em todo o seu divino esplendor. Fulminado pela visão, caiu de joelhos e chorou de arrependimento pela vida de pecado e impenitência que levara até então. De volta à sua terra, converteu-se, tornou-se místico, acabou num convento. E anos mais tarde, depois de uma vida inteira dedicada a Deus, o monge recebe a visita de um brasileiro. Aquele homem era da cidade em que se dera o milagre da sua conversão.
     – O que o senhor viu foi a estátua do Corcovado – explicou o carioca. Não diz a história se o religioso deixou de sê-lo, por causa da prosaica revelação. Não diz, porque me eximo de acrescentar que, na realidade, depois de viver tanto tempo uma crença construída sobre o equívoco, este equívoco passava a ser mesmo um milagre, como tudo mais nesta vida.
     O milagre da lua quadrada de Londres não me foi desfeito por nenhum londrino descrente do surrealismo astronômico nos céus britânicos. Bastou olhar de manhã pela janela e pude ver, recortado contra o céu, o gigantesco guindaste no cume de uma construção, e numa das pontas da armação de aço atravessada no ar, junto ao contrapeso, o quadrado de vidro que à noite se acende. A minha lua quadrada de Londres.
    Quadrado que talvez simbolize todo um sistema de vida, mais do que anuncia a pequena palavra Laig nele escrita, marca de fabricação do guindaste. De qualquer maneira, os ingleses ganharam, pelo menos na minha imaginação, o emblema do seu modo de ser, impresso nessa visão de uma noite, que foi a lua quadrada de Londres.
(SABINO, Fernando, 1923-2004 – As melhores crônicas – 14ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010. 224 p.)

Não diz a história se o religioso deixou de sê-lo, por causa da prosaica revelação.” (11º§) A palavra que possui o sentido oposto de “prosaica” é 

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA C

    ? Queremos o sentido contrário, o antônimo; ?Não diz a história se o religioso deixou de sê-lo, por causa da prosaica revelação.? (11º§) 

    ? Resolvemos por eliminação também, observa-se que somente a letra "c" difere-se das demais alternativas, "prosaico" é ordinário, comum: comportamento prosaico; "notável" é algo especial, raro (=sentido contrário).

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  • e o que isso tem a ver?

  • Cada verbo tem seu sujeito, Sarah. Embora, possam referir-se ao mesmo termo.


ID
3307279
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A lua quadrada de Londres

     Eu vinha voltando para casa, dentro da noite de Londres. Uma noite fria, nevoenta, silenciosa – uma noite de Londres. Noite de inverno que começa às quatro horas da tarde e termina às oito da manhã. Noite de navio perdido em alto-mar, de cemitério, de charneca, de fim de ano, de morro dos ventos uivantes. Noite de vampiros, de lobisomens, de fantasmas, de assassinos, de Jack, o Estripador. Eu vinha vindo e apressava o passo, querendo chegar depressa, antes que aquela noite tão densa me dissolvesse para sempre em suas sombras. De espaço a espaço, a luz amarelo-âmbar dos postes pontilhava a rua com seu pequeno foco, como olhos de pantera a seguir-me os passos na escuridão.
    Foi quando a neblina se esgarçou, translúcida, e a lua apareceu.
    Uma lua enorme, resplendente, majestosa – e quadrada.
   Os meus olhos a fitavam, assombrados, e eu não podia acreditar no que eles viam. Quadrada como uma janelinha aberta no céu. Mas amarela como todas as luas do mundo, flutuando na noite, plena de luz, solitária e bela.
  As luas de Londres... Ah, Jayme Ovalle, Manuel Bandeira! A lua de Londres era quadrada!
  Pensei estar sonhando e baixei os olhos humildemente, indigno de merecê-la, tendo bebido mais do que imaginava. Entrei em casa bêbado de lua e fui refugiar-me em meu quarto, refeito já do estranho delírio, no ambiente cálido e acolhedor do meu tugúrio, cercado de objetos familiares.
  Mas foi só chegar à janela, e lá estava ela, dependurada no céu em desafio: uma lua deslumbrante que a neblina não conseguia ofuscar, cubo de luz suspenso no espaço, de contornos precisos, nítido em seus ângulos retos, a desafiar-me com seu mistério. A lua quadrada de Londres!
  Evitei olhá-la outra vez, para não sucumbir ao seu fascínio. Corri as cortinas e fui dormir sob seus eflúvios – enigma imemorial a zombar de todas as astronomias através dos séculos, da mais remota antiguidade aos nossos dias, e oferecendo unicamente a mim a sua verdadeira face. É possível que um sábio egípcio, há cinco mil anos, do alto de uma pirâmide, a tenha vislumbrado uma noite e tentado perquirir o seu segredo. É possível que em Babilônia um cortesão de Nabucodonosor se tenha enamorado perdidamente de uma princesa, na moldura quadrada de seus raios. É possível que na China de Confúcio um mandarim se tenha curvado reverente no jardim, entre papoulas, sob o império de seu brilho retilíneo. É possível que na África, numa clareira das selvas, um feiticeiro da tribo lhe tenha oferecido em holocausto a carcaça sangrenta de um antílope. É possível que nos mares gelados do Norte um viking tenha há 12 séculos levantado os olhos sob o elmo de chifres, e contemplado aquela surpreendente forma geométrica, procurando orientar por ela o seu bergantim. É possível que na Idade Média um alquimista tenha aumentado, sob a influência de sua radiância quadrangular, o efeito milagroso de um elixir da longa vida. É possível que, no longo dos anos, mais de uma donzela haja estremecido em sonhos ao receber no corpo a carícia estranhamente angulosa do luar. Mas, nos dias de hoje, somente a mim a lua se oferecia em toda a sua nudez quadrada. Dormi sorrindo, ao pensar que os astronautas modernos se preparam para ir à Lua em breve – sem ao menos desconfiar que ela não é redonda, mas quadrada como uma janela aberta no cosmo – verdade celestial que só um noctívago em Londres fora capaz de merecer.
    Lembro-me de uma história – história que inventei, mas que nem por isso deixa de ser verdadeira. Era um marinheiro dinamarquês, de um cargueiro atracado no porto do Rio de Janeiro por uma noite apenas. Saíra pela cidade desconhecida, de bar em bar, e vinha voltando solitário e bêbado pela madrugada, quando se deu o milagre: nas sujas águas do canal do Mangue, viu refletida uma claridade difusa – ergueu os olhos e viu que as nuvens se haviam rasgado no céu, e o Cristo surgira para ele, de braços abertos, em todo o seu divino esplendor. Fulminado pela visão, caiu de joelhos e chorou de arrependimento pela vida de pecado e impenitência que levara até então. De volta à sua terra, converteu-se, tornou-se místico, acabou num convento. E anos mais tarde, depois de uma vida inteira dedicada a Deus, o monge recebe a visita de um brasileiro. Aquele homem era da cidade em que se dera o milagre da sua conversão.
     – O que o senhor viu foi a estátua do Corcovado – explicou o carioca. Não diz a história se o religioso deixou de sê-lo, por causa da prosaica revelação. Não diz, porque me eximo de acrescentar que, na realidade, depois de viver tanto tempo uma crença construída sobre o equívoco, este equívoco passava a ser mesmo um milagre, como tudo mais nesta vida.
     O milagre da lua quadrada de Londres não me foi desfeito por nenhum londrino descrente do surrealismo astronômico nos céus britânicos. Bastou olhar de manhã pela janela e pude ver, recortado contra o céu, o gigantesco guindaste no cume de uma construção, e numa das pontas da armação de aço atravessada no ar, junto ao contrapeso, o quadrado de vidro que à noite se acende. A minha lua quadrada de Londres.
    Quadrado que talvez simbolize todo um sistema de vida, mais do que anuncia a pequena palavra Laig nele escrita, marca de fabricação do guindaste. De qualquer maneira, os ingleses ganharam, pelo menos na minha imaginação, o emblema do seu modo de ser, impresso nessa visão de uma noite, que foi a lua quadrada de Londres.
(SABINO, Fernando, 1923-2004 – As melhores crônicas – 14ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010. 224 p.)

Em todas as alternativas a seguir as palavras sublinhadas possuem o mesmo valor semântico, EXCETO: 

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA C

    ? Os termos apresentados são partículas apassivadoras, na letra "c" temos uma conjunção integrante e ela equivale a "isso":

    ? ?Não diz a história se o religioso deixou de sê-lo...? (11º§) ? A história não diz ISSO (=a conjunção integrante "se" dá início a uma oração subordinada substantiva objetiva direta com função de objeto direto).

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  • Assertiva C

    Não diz a história se o religioso deixou de sê-lo...” (11º§)

  • letra c

    *pronomes integrante de verbo

    *a história não conta que o religioso...

  • Alguém que saiba explicar direitinho?

    eu pensei que a letra D e B fossem reflexivos, mas alguns colegas disseram ser apassivador.

    Obrigada!


ID
3307282
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A lua quadrada de Londres

     Eu vinha voltando para casa, dentro da noite de Londres. Uma noite fria, nevoenta, silenciosa – uma noite de Londres. Noite de inverno que começa às quatro horas da tarde e termina às oito da manhã. Noite de navio perdido em alto-mar, de cemitério, de charneca, de fim de ano, de morro dos ventos uivantes. Noite de vampiros, de lobisomens, de fantasmas, de assassinos, de Jack, o Estripador. Eu vinha vindo e apressava o passo, querendo chegar depressa, antes que aquela noite tão densa me dissolvesse para sempre em suas sombras. De espaço a espaço, a luz amarelo-âmbar dos postes pontilhava a rua com seu pequeno foco, como olhos de pantera a seguir-me os passos na escuridão.
    Foi quando a neblina se esgarçou, translúcida, e a lua apareceu.
    Uma lua enorme, resplendente, majestosa – e quadrada.
   Os meus olhos a fitavam, assombrados, e eu não podia acreditar no que eles viam. Quadrada como uma janelinha aberta no céu. Mas amarela como todas as luas do mundo, flutuando na noite, plena de luz, solitária e bela.
  As luas de Londres... Ah, Jayme Ovalle, Manuel Bandeira! A lua de Londres era quadrada!
  Pensei estar sonhando e baixei os olhos humildemente, indigno de merecê-la, tendo bebido mais do que imaginava. Entrei em casa bêbado de lua e fui refugiar-me em meu quarto, refeito já do estranho delírio, no ambiente cálido e acolhedor do meu tugúrio, cercado de objetos familiares.
  Mas foi só chegar à janela, e lá estava ela, dependurada no céu em desafio: uma lua deslumbrante que a neblina não conseguia ofuscar, cubo de luz suspenso no espaço, de contornos precisos, nítido em seus ângulos retos, a desafiar-me com seu mistério. A lua quadrada de Londres!
  Evitei olhá-la outra vez, para não sucumbir ao seu fascínio. Corri as cortinas e fui dormir sob seus eflúvios – enigma imemorial a zombar de todas as astronomias através dos séculos, da mais remota antiguidade aos nossos dias, e oferecendo unicamente a mim a sua verdadeira face. É possível que um sábio egípcio, há cinco mil anos, do alto de uma pirâmide, a tenha vislumbrado uma noite e tentado perquirir o seu segredo. É possível que em Babilônia um cortesão de Nabucodonosor se tenha enamorado perdidamente de uma princesa, na moldura quadrada de seus raios. É possível que na China de Confúcio um mandarim se tenha curvado reverente no jardim, entre papoulas, sob o império de seu brilho retilíneo. É possível que na África, numa clareira das selvas, um feiticeiro da tribo lhe tenha oferecido em holocausto a carcaça sangrenta de um antílope. É possível que nos mares gelados do Norte um viking tenha há 12 séculos levantado os olhos sob o elmo de chifres, e contemplado aquela surpreendente forma geométrica, procurando orientar por ela o seu bergantim. É possível que na Idade Média um alquimista tenha aumentado, sob a influência de sua radiância quadrangular, o efeito milagroso de um elixir da longa vida. É possível que, no longo dos anos, mais de uma donzela haja estremecido em sonhos ao receber no corpo a carícia estranhamente angulosa do luar. Mas, nos dias de hoje, somente a mim a lua se oferecia em toda a sua nudez quadrada. Dormi sorrindo, ao pensar que os astronautas modernos se preparam para ir à Lua em breve – sem ao menos desconfiar que ela não é redonda, mas quadrada como uma janela aberta no cosmo – verdade celestial que só um noctívago em Londres fora capaz de merecer.
    Lembro-me de uma história – história que inventei, mas que nem por isso deixa de ser verdadeira. Era um marinheiro dinamarquês, de um cargueiro atracado no porto do Rio de Janeiro por uma noite apenas. Saíra pela cidade desconhecida, de bar em bar, e vinha voltando solitário e bêbado pela madrugada, quando se deu o milagre: nas sujas águas do canal do Mangue, viu refletida uma claridade difusa – ergueu os olhos e viu que as nuvens se haviam rasgado no céu, e o Cristo surgira para ele, de braços abertos, em todo o seu divino esplendor. Fulminado pela visão, caiu de joelhos e chorou de arrependimento pela vida de pecado e impenitência que levara até então. De volta à sua terra, converteu-se, tornou-se místico, acabou num convento. E anos mais tarde, depois de uma vida inteira dedicada a Deus, o monge recebe a visita de um brasileiro. Aquele homem era da cidade em que se dera o milagre da sua conversão.
     – O que o senhor viu foi a estátua do Corcovado – explicou o carioca. Não diz a história se o religioso deixou de sê-lo, por causa da prosaica revelação. Não diz, porque me eximo de acrescentar que, na realidade, depois de viver tanto tempo uma crença construída sobre o equívoco, este equívoco passava a ser mesmo um milagre, como tudo mais nesta vida.
     O milagre da lua quadrada de Londres não me foi desfeito por nenhum londrino descrente do surrealismo astronômico nos céus britânicos. Bastou olhar de manhã pela janela e pude ver, recortado contra o céu, o gigantesco guindaste no cume de uma construção, e numa das pontas da armação de aço atravessada no ar, junto ao contrapeso, o quadrado de vidro que à noite se acende. A minha lua quadrada de Londres.
    Quadrado que talvez simbolize todo um sistema de vida, mais do que anuncia a pequena palavra Laig nele escrita, marca de fabricação do guindaste. De qualquer maneira, os ingleses ganharam, pelo menos na minha imaginação, o emblema do seu modo de ser, impresso nessa visão de uma noite, que foi a lua quadrada de Londres.
(SABINO, Fernando, 1923-2004 – As melhores crônicas – 14ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010. 224 p.)

Evitei olhá-la outra vez, para não sucumbir ao seu fascínio.” (8º§) A articulação das orações do período expressa uma ideia de

Alternativas
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  • GABARITO: LETRA B

    ? ?Evitei olhá-la outra vez, para não sucumbir ao seu fascínio.? (8º§) 

    ? Temos a preposição "para" indicando finalidade, fim, objetivo, ela dá início a uma oração subordinada adverbial final reduzida do infinitivo, lembrando que" somente "para" (=preposição); "para que" (=conjunção final).

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  • Gab. B

    As conjunções finais iniciam uma oração subordinada indicando a finalidade da oração principal.

    Conjunções subordinativas finais: A fim de que, para que, para (+ verbo no infinitivo)

  • Assertiva b

    Evitei olhá-la outra vez, para não sucumbir ao seu fascínio.

    para = expressa sentido de finalidade em 99%

    para = pode expressar sentido de direção 1%

  • Evitei olhá-la outra vez, A FIM DE não sucumbir ao seu fascínio.


ID
3307285
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A lua quadrada de Londres

     Eu vinha voltando para casa, dentro da noite de Londres. Uma noite fria, nevoenta, silenciosa – uma noite de Londres. Noite de inverno que começa às quatro horas da tarde e termina às oito da manhã. Noite de navio perdido em alto-mar, de cemitério, de charneca, de fim de ano, de morro dos ventos uivantes. Noite de vampiros, de lobisomens, de fantasmas, de assassinos, de Jack, o Estripador. Eu vinha vindo e apressava o passo, querendo chegar depressa, antes que aquela noite tão densa me dissolvesse para sempre em suas sombras. De espaço a espaço, a luz amarelo-âmbar dos postes pontilhava a rua com seu pequeno foco, como olhos de pantera a seguir-me os passos na escuridão.
    Foi quando a neblina se esgarçou, translúcida, e a lua apareceu.
    Uma lua enorme, resplendente, majestosa – e quadrada.
   Os meus olhos a fitavam, assombrados, e eu não podia acreditar no que eles viam. Quadrada como uma janelinha aberta no céu. Mas amarela como todas as luas do mundo, flutuando na noite, plena de luz, solitária e bela.
  As luas de Londres... Ah, Jayme Ovalle, Manuel Bandeira! A lua de Londres era quadrada!
  Pensei estar sonhando e baixei os olhos humildemente, indigno de merecê-la, tendo bebido mais do que imaginava. Entrei em casa bêbado de lua e fui refugiar-me em meu quarto, refeito já do estranho delírio, no ambiente cálido e acolhedor do meu tugúrio, cercado de objetos familiares.
  Mas foi só chegar à janela, e lá estava ela, dependurada no céu em desafio: uma lua deslumbrante que a neblina não conseguia ofuscar, cubo de luz suspenso no espaço, de contornos precisos, nítido em seus ângulos retos, a desafiar-me com seu mistério. A lua quadrada de Londres!
  Evitei olhá-la outra vez, para não sucumbir ao seu fascínio. Corri as cortinas e fui dormir sob seus eflúvios – enigma imemorial a zombar de todas as astronomias através dos séculos, da mais remota antiguidade aos nossos dias, e oferecendo unicamente a mim a sua verdadeira face. É possível que um sábio egípcio, há cinco mil anos, do alto de uma pirâmide, a tenha vislumbrado uma noite e tentado perquirir o seu segredo. É possível que em Babilônia um cortesão de Nabucodonosor se tenha enamorado perdidamente de uma princesa, na moldura quadrada de seus raios. É possível que na China de Confúcio um mandarim se tenha curvado reverente no jardim, entre papoulas, sob o império de seu brilho retilíneo. É possível que na África, numa clareira das selvas, um feiticeiro da tribo lhe tenha oferecido em holocausto a carcaça sangrenta de um antílope. É possível que nos mares gelados do Norte um viking tenha há 12 séculos levantado os olhos sob o elmo de chifres, e contemplado aquela surpreendente forma geométrica, procurando orientar por ela o seu bergantim. É possível que na Idade Média um alquimista tenha aumentado, sob a influência de sua radiância quadrangular, o efeito milagroso de um elixir da longa vida. É possível que, no longo dos anos, mais de uma donzela haja estremecido em sonhos ao receber no corpo a carícia estranhamente angulosa do luar. Mas, nos dias de hoje, somente a mim a lua se oferecia em toda a sua nudez quadrada. Dormi sorrindo, ao pensar que os astronautas modernos se preparam para ir à Lua em breve – sem ao menos desconfiar que ela não é redonda, mas quadrada como uma janela aberta no cosmo – verdade celestial que só um noctívago em Londres fora capaz de merecer.
    Lembro-me de uma história – história que inventei, mas que nem por isso deixa de ser verdadeira. Era um marinheiro dinamarquês, de um cargueiro atracado no porto do Rio de Janeiro por uma noite apenas. Saíra pela cidade desconhecida, de bar em bar, e vinha voltando solitário e bêbado pela madrugada, quando se deu o milagre: nas sujas águas do canal do Mangue, viu refletida uma claridade difusa – ergueu os olhos e viu que as nuvens se haviam rasgado no céu, e o Cristo surgira para ele, de braços abertos, em todo o seu divino esplendor. Fulminado pela visão, caiu de joelhos e chorou de arrependimento pela vida de pecado e impenitência que levara até então. De volta à sua terra, converteu-se, tornou-se místico, acabou num convento. E anos mais tarde, depois de uma vida inteira dedicada a Deus, o monge recebe a visita de um brasileiro. Aquele homem era da cidade em que se dera o milagre da sua conversão.
     – O que o senhor viu foi a estátua do Corcovado – explicou o carioca. Não diz a história se o religioso deixou de sê-lo, por causa da prosaica revelação. Não diz, porque me eximo de acrescentar que, na realidade, depois de viver tanto tempo uma crença construída sobre o equívoco, este equívoco passava a ser mesmo um milagre, como tudo mais nesta vida.
     O milagre da lua quadrada de Londres não me foi desfeito por nenhum londrino descrente do surrealismo astronômico nos céus britânicos. Bastou olhar de manhã pela janela e pude ver, recortado contra o céu, o gigantesco guindaste no cume de uma construção, e numa das pontas da armação de aço atravessada no ar, junto ao contrapeso, o quadrado de vidro que à noite se acende. A minha lua quadrada de Londres.
    Quadrado que talvez simbolize todo um sistema de vida, mais do que anuncia a pequena palavra Laig nele escrita, marca de fabricação do guindaste. De qualquer maneira, os ingleses ganharam, pelo menos na minha imaginação, o emblema do seu modo de ser, impresso nessa visão de uma noite, que foi a lua quadrada de Londres.
(SABINO, Fernando, 1923-2004 – As melhores crônicas – 14ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010. 224 p.)

As luas de Londres... Ah, Jayme Ovalle, Manuel Bandeira! A lua de Londres era quadrada!” (5º§) O excerto anterior é um exemplo de figura de linguagem denominada

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA D

    ? ?As luas de Londres... Ah, Jayme Ovalle, Manuel Bandeira! A lua de Londres era quadrada!? (5º§) 

    ? Temos uma apóstrofe (=interrupção súbita do discurso que o orador ou o escritor faz, para dirigir-se a alguém ou a algo, real ou fictício).

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    ? FORÇA, GUERREIROS(AS)!! 

  • Pra mim há presença de anacoluto (pois ele interrompe o assunto e muda abruptamente de discurso após "As luas de Londres..." e apóstrofe, mas pelo visto a apóstrofe prevaleceu ao olhar da banca. (me corrijam se estiver equivocada)

    Apóstrofe-> em síntese, é a colocação de um vocativo numa oração. "Ah, Jayme Ovalle, Manuel Bandeira!"

    GABARITO “D”

  • Respondi como ANACOLUTO :(

  • Apóstrofe porque tem um vocativo, um chamamento.

  • Há uma apóstrofe, pois há um vocativo.


ID
3307288
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A lua quadrada de Londres

     Eu vinha voltando para casa, dentro da noite de Londres. Uma noite fria, nevoenta, silenciosa – uma noite de Londres. Noite de inverno que começa às quatro horas da tarde e termina às oito da manhã. Noite de navio perdido em alto-mar, de cemitério, de charneca, de fim de ano, de morro dos ventos uivantes. Noite de vampiros, de lobisomens, de fantasmas, de assassinos, de Jack, o Estripador. Eu vinha vindo e apressava o passo, querendo chegar depressa, antes que aquela noite tão densa me dissolvesse para sempre em suas sombras. De espaço a espaço, a luz amarelo-âmbar dos postes pontilhava a rua com seu pequeno foco, como olhos de pantera a seguir-me os passos na escuridão.
    Foi quando a neblina se esgarçou, translúcida, e a lua apareceu.
    Uma lua enorme, resplendente, majestosa – e quadrada.
   Os meus olhos a fitavam, assombrados, e eu não podia acreditar no que eles viam. Quadrada como uma janelinha aberta no céu. Mas amarela como todas as luas do mundo, flutuando na noite, plena de luz, solitária e bela.
  As luas de Londres... Ah, Jayme Ovalle, Manuel Bandeira! A lua de Londres era quadrada!
  Pensei estar sonhando e baixei os olhos humildemente, indigno de merecê-la, tendo bebido mais do que imaginava. Entrei em casa bêbado de lua e fui refugiar-me em meu quarto, refeito já do estranho delírio, no ambiente cálido e acolhedor do meu tugúrio, cercado de objetos familiares.
  Mas foi só chegar à janela, e lá estava ela, dependurada no céu em desafio: uma lua deslumbrante que a neblina não conseguia ofuscar, cubo de luz suspenso no espaço, de contornos precisos, nítido em seus ângulos retos, a desafiar-me com seu mistério. A lua quadrada de Londres!
  Evitei olhá-la outra vez, para não sucumbir ao seu fascínio. Corri as cortinas e fui dormir sob seus eflúvios – enigma imemorial a zombar de todas as astronomias através dos séculos, da mais remota antiguidade aos nossos dias, e oferecendo unicamente a mim a sua verdadeira face. É possível que um sábio egípcio, há cinco mil anos, do alto de uma pirâmide, a tenha vislumbrado uma noite e tentado perquirir o seu segredo. É possível que em Babilônia um cortesão de Nabucodonosor se tenha enamorado perdidamente de uma princesa, na moldura quadrada de seus raios. É possível que na China de Confúcio um mandarim se tenha curvado reverente no jardim, entre papoulas, sob o império de seu brilho retilíneo. É possível que na África, numa clareira das selvas, um feiticeiro da tribo lhe tenha oferecido em holocausto a carcaça sangrenta de um antílope. É possível que nos mares gelados do Norte um viking tenha há 12 séculos levantado os olhos sob o elmo de chifres, e contemplado aquela surpreendente forma geométrica, procurando orientar por ela o seu bergantim. É possível que na Idade Média um alquimista tenha aumentado, sob a influência de sua radiância quadrangular, o efeito milagroso de um elixir da longa vida. É possível que, no longo dos anos, mais de uma donzela haja estremecido em sonhos ao receber no corpo a carícia estranhamente angulosa do luar. Mas, nos dias de hoje, somente a mim a lua se oferecia em toda a sua nudez quadrada. Dormi sorrindo, ao pensar que os astronautas modernos se preparam para ir à Lua em breve – sem ao menos desconfiar que ela não é redonda, mas quadrada como uma janela aberta no cosmo – verdade celestial que só um noctívago em Londres fora capaz de merecer.
    Lembro-me de uma história – história que inventei, mas que nem por isso deixa de ser verdadeira. Era um marinheiro dinamarquês, de um cargueiro atracado no porto do Rio de Janeiro por uma noite apenas. Saíra pela cidade desconhecida, de bar em bar, e vinha voltando solitário e bêbado pela madrugada, quando se deu o milagre: nas sujas águas do canal do Mangue, viu refletida uma claridade difusa – ergueu os olhos e viu que as nuvens se haviam rasgado no céu, e o Cristo surgira para ele, de braços abertos, em todo o seu divino esplendor. Fulminado pela visão, caiu de joelhos e chorou de arrependimento pela vida de pecado e impenitência que levara até então. De volta à sua terra, converteu-se, tornou-se místico, acabou num convento. E anos mais tarde, depois de uma vida inteira dedicada a Deus, o monge recebe a visita de um brasileiro. Aquele homem era da cidade em que se dera o milagre da sua conversão.
     – O que o senhor viu foi a estátua do Corcovado – explicou o carioca. Não diz a história se o religioso deixou de sê-lo, por causa da prosaica revelação. Não diz, porque me eximo de acrescentar que, na realidade, depois de viver tanto tempo uma crença construída sobre o equívoco, este equívoco passava a ser mesmo um milagre, como tudo mais nesta vida.
     O milagre da lua quadrada de Londres não me foi desfeito por nenhum londrino descrente do surrealismo astronômico nos céus britânicos. Bastou olhar de manhã pela janela e pude ver, recortado contra o céu, o gigantesco guindaste no cume de uma construção, e numa das pontas da armação de aço atravessada no ar, junto ao contrapeso, o quadrado de vidro que à noite se acende. A minha lua quadrada de Londres.
    Quadrado que talvez simbolize todo um sistema de vida, mais do que anuncia a pequena palavra Laig nele escrita, marca de fabricação do guindaste. De qualquer maneira, os ingleses ganharam, pelo menos na minha imaginação, o emblema do seu modo de ser, impresso nessa visão de uma noite, que foi a lua quadrada de Londres.
(SABINO, Fernando, 1923-2004 – As melhores crônicas – 14ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010. 224 p.)

Quanto à classe gramatical das palavras sublinhadas, tem-se a correspondência correta em: 

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA C

    A) ?Os meus olhos a fitavam,?? (4º§) ? artigo ? temos um pronome oblíquo átono.

    B) ?... mas que nem por isso deixa de ser verdadeira.? (9º§) ? pronome relativo ? temos um pronome demonstrativo com caráter anafórico.

    C) ?... que um noctívago em Londres fora capaz de merecer.? (8º§) ? advérbio ? temos um advérbio de exclusão, equivale a "somente".

    D) ?? a zombar de todas as astronomias através dos séculos,?? (8º§) ? adjetivo ? temos um advérbio.

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    ? FORÇA, GUERREIROS(AS)!! 

  • Assertiva C

    ... que só um noctívago em Londres fora capaz de merecer.” (8º§) – advérbio

  • Ae Arthur Carvalho. Quando eu tiver o adverbio só eu sempre posso fazer a substituição por somente????

  • Só = sozinho (adjetivo )

    Só = somente ( advérbio )

    advérbios modificam verbos ,adjetivos e outro advérbio .


ID
3307291
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A lua quadrada de Londres

     Eu vinha voltando para casa, dentro da noite de Londres. Uma noite fria, nevoenta, silenciosa – uma noite de Londres. Noite de inverno que começa às quatro horas da tarde e termina às oito da manhã. Noite de navio perdido em alto-mar, de cemitério, de charneca, de fim de ano, de morro dos ventos uivantes. Noite de vampiros, de lobisomens, de fantasmas, de assassinos, de Jack, o Estripador. Eu vinha vindo e apressava o passo, querendo chegar depressa, antes que aquela noite tão densa me dissolvesse para sempre em suas sombras. De espaço a espaço, a luz amarelo-âmbar dos postes pontilhava a rua com seu pequeno foco, como olhos de pantera a seguir-me os passos na escuridão.
    Foi quando a neblina se esgarçou, translúcida, e a lua apareceu.
    Uma lua enorme, resplendente, majestosa – e quadrada.
   Os meus olhos a fitavam, assombrados, e eu não podia acreditar no que eles viam. Quadrada como uma janelinha aberta no céu. Mas amarela como todas as luas do mundo, flutuando na noite, plena de luz, solitária e bela.
  As luas de Londres... Ah, Jayme Ovalle, Manuel Bandeira! A lua de Londres era quadrada!
  Pensei estar sonhando e baixei os olhos humildemente, indigno de merecê-la, tendo bebido mais do que imaginava. Entrei em casa bêbado de lua e fui refugiar-me em meu quarto, refeito já do estranho delírio, no ambiente cálido e acolhedor do meu tugúrio, cercado de objetos familiares.
  Mas foi só chegar à janela, e lá estava ela, dependurada no céu em desafio: uma lua deslumbrante que a neblina não conseguia ofuscar, cubo de luz suspenso no espaço, de contornos precisos, nítido em seus ângulos retos, a desafiar-me com seu mistério. A lua quadrada de Londres!
  Evitei olhá-la outra vez, para não sucumbir ao seu fascínio. Corri as cortinas e fui dormir sob seus eflúvios – enigma imemorial a zombar de todas as astronomias através dos séculos, da mais remota antiguidade aos nossos dias, e oferecendo unicamente a mim a sua verdadeira face. É possível que um sábio egípcio, há cinco mil anos, do alto de uma pirâmide, a tenha vislumbrado uma noite e tentado perquirir o seu segredo. É possível que em Babilônia um cortesão de Nabucodonosor se tenha enamorado perdidamente de uma princesa, na moldura quadrada de seus raios. É possível que na China de Confúcio um mandarim se tenha curvado reverente no jardim, entre papoulas, sob o império de seu brilho retilíneo. É possível que na África, numa clareira das selvas, um feiticeiro da tribo lhe tenha oferecido em holocausto a carcaça sangrenta de um antílope. É possível que nos mares gelados do Norte um viking tenha há 12 séculos levantado os olhos sob o elmo de chifres, e contemplado aquela surpreendente forma geométrica, procurando orientar por ela o seu bergantim. É possível que na Idade Média um alquimista tenha aumentado, sob a influência de sua radiância quadrangular, o efeito milagroso de um elixir da longa vida. É possível que, no longo dos anos, mais de uma donzela haja estremecido em sonhos ao receber no corpo a carícia estranhamente angulosa do luar. Mas, nos dias de hoje, somente a mim a lua se oferecia em toda a sua nudez quadrada. Dormi sorrindo, ao pensar que os astronautas modernos se preparam para ir à Lua em breve – sem ao menos desconfiar que ela não é redonda, mas quadrada como uma janela aberta no cosmo – verdade celestial que só um noctívago em Londres fora capaz de merecer.
    Lembro-me de uma história – história que inventei, mas que nem por isso deixa de ser verdadeira. Era um marinheiro dinamarquês, de um cargueiro atracado no porto do Rio de Janeiro por uma noite apenas. Saíra pela cidade desconhecida, de bar em bar, e vinha voltando solitário e bêbado pela madrugada, quando se deu o milagre: nas sujas águas do canal do Mangue, viu refletida uma claridade difusa – ergueu os olhos e viu que as nuvens se haviam rasgado no céu, e o Cristo surgira para ele, de braços abertos, em todo o seu divino esplendor. Fulminado pela visão, caiu de joelhos e chorou de arrependimento pela vida de pecado e impenitência que levara até então. De volta à sua terra, converteu-se, tornou-se místico, acabou num convento. E anos mais tarde, depois de uma vida inteira dedicada a Deus, o monge recebe a visita de um brasileiro. Aquele homem era da cidade em que se dera o milagre da sua conversão.
     – O que o senhor viu foi a estátua do Corcovado – explicou o carioca. Não diz a história se o religioso deixou de sê-lo, por causa da prosaica revelação. Não diz, porque me eximo de acrescentar que, na realidade, depois de viver tanto tempo uma crença construída sobre o equívoco, este equívoco passava a ser mesmo um milagre, como tudo mais nesta vida.
     O milagre da lua quadrada de Londres não me foi desfeito por nenhum londrino descrente do surrealismo astronômico nos céus britânicos. Bastou olhar de manhã pela janela e pude ver, recortado contra o céu, o gigantesco guindaste no cume de uma construção, e numa das pontas da armação de aço atravessada no ar, junto ao contrapeso, o quadrado de vidro que à noite se acende. A minha lua quadrada de Londres.
    Quadrado que talvez simbolize todo um sistema de vida, mais do que anuncia a pequena palavra Laig nele escrita, marca de fabricação do guindaste. De qualquer maneira, os ingleses ganharam, pelo menos na minha imaginação, o emblema do seu modo de ser, impresso nessa visão de uma noite, que foi a lua quadrada de Londres.
(SABINO, Fernando, 1923-2004 – As melhores crônicas – 14ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010. 224 p.)

Os segmentos que compõem o 9º, 10º e 11º parágrafos constituem uma 

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA C

    ? 9º: Lembro-me de uma história ? história que inventei, mas que nem por isso deixa de ser verdadeira. Era um marinheiro dinamarquês, de um cargueiro atracado no porto do Rio de Janeiro por uma noite apenas. Saíra pela cidade desconhecida, de bar em bar, e vinha voltando solitário e bêbado pela madrugada, quando se deu o milagre: nas sujas águas do canal do Mangue, viu refletida uma claridade difusa ? ergueu os olhos e viu que as nuvens se haviam rasgado no céu, e o Cristo surgira para ele, de braços abertos, em todo o seu divino esplendor. Fulminado pela visão, caiu de joelhos e chorou de arrependimento pela vida de pecado e impenitência que levara até então. De volta à sua terra, converteu-se, tornou-se místico, acabou num convento. E anos mais tarde, depois de uma vida inteira dedicada a Deus, o monge recebe a visita de um brasileiro. Aquele homem era da cidade em que se dera o milagre da sua conversão.

    ? 10º: ? O que o senhor viu foi a estátua do Corcovado ? explicou o carioca.

    ? 11º: Não diz a história se o religioso deixou de sê-lo, por causa da prosaica revelação. Não diz, porque me eximo de acrescentar que, na realidade, depois de viver tanto tempo uma crença construída sobre o equívoco, este equívoco passava a ser mesmo um milagre, como tudo mais nesta vida.

    ? Observa-se, claramente, uma interrupção do que foi contado anteriormente com o intuito de preparar o desfecho narrativo.

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    ? FORÇA, GUERREIROS(AS)!! 


ID
3307294
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A lua quadrada de Londres

     Eu vinha voltando para casa, dentro da noite de Londres. Uma noite fria, nevoenta, silenciosa – uma noite de Londres. Noite de inverno que começa às quatro horas da tarde e termina às oito da manhã. Noite de navio perdido em alto-mar, de cemitério, de charneca, de fim de ano, de morro dos ventos uivantes. Noite de vampiros, de lobisomens, de fantasmas, de assassinos, de Jack, o Estripador. Eu vinha vindo e apressava o passo, querendo chegar depressa, antes que aquela noite tão densa me dissolvesse para sempre em suas sombras. De espaço a espaço, a luz amarelo-âmbar dos postes pontilhava a rua com seu pequeno foco, como olhos de pantera a seguir-me os passos na escuridão.
    Foi quando a neblina se esgarçou, translúcida, e a lua apareceu.
    Uma lua enorme, resplendente, majestosa – e quadrada.
   Os meus olhos a fitavam, assombrados, e eu não podia acreditar no que eles viam. Quadrada como uma janelinha aberta no céu. Mas amarela como todas as luas do mundo, flutuando na noite, plena de luz, solitária e bela.
  As luas de Londres... Ah, Jayme Ovalle, Manuel Bandeira! A lua de Londres era quadrada!
  Pensei estar sonhando e baixei os olhos humildemente, indigno de merecê-la, tendo bebido mais do que imaginava. Entrei em casa bêbado de lua e fui refugiar-me em meu quarto, refeito já do estranho delírio, no ambiente cálido e acolhedor do meu tugúrio, cercado de objetos familiares.
  Mas foi só chegar à janela, e lá estava ela, dependurada no céu em desafio: uma lua deslumbrante que a neblina não conseguia ofuscar, cubo de luz suspenso no espaço, de contornos precisos, nítido em seus ângulos retos, a desafiar-me com seu mistério. A lua quadrada de Londres!
  Evitei olhá-la outra vez, para não sucumbir ao seu fascínio. Corri as cortinas e fui dormir sob seus eflúvios – enigma imemorial a zombar de todas as astronomias através dos séculos, da mais remota antiguidade aos nossos dias, e oferecendo unicamente a mim a sua verdadeira face. É possível que um sábio egípcio, há cinco mil anos, do alto de uma pirâmide, a tenha vislumbrado uma noite e tentado perquirir o seu segredo. É possível que em Babilônia um cortesão de Nabucodonosor se tenha enamorado perdidamente de uma princesa, na moldura quadrada de seus raios. É possível que na China de Confúcio um mandarim se tenha curvado reverente no jardim, entre papoulas, sob o império de seu brilho retilíneo. É possível que na África, numa clareira das selvas, um feiticeiro da tribo lhe tenha oferecido em holocausto a carcaça sangrenta de um antílope. É possível que nos mares gelados do Norte um viking tenha há 12 séculos levantado os olhos sob o elmo de chifres, e contemplado aquela surpreendente forma geométrica, procurando orientar por ela o seu bergantim. É possível que na Idade Média um alquimista tenha aumentado, sob a influência de sua radiância quadrangular, o efeito milagroso de um elixir da longa vida. É possível que, no longo dos anos, mais de uma donzela haja estremecido em sonhos ao receber no corpo a carícia estranhamente angulosa do luar. Mas, nos dias de hoje, somente a mim a lua se oferecia em toda a sua nudez quadrada. Dormi sorrindo, ao pensar que os astronautas modernos se preparam para ir à Lua em breve – sem ao menos desconfiar que ela não é redonda, mas quadrada como uma janela aberta no cosmo – verdade celestial que só um noctívago em Londres fora capaz de merecer.
    Lembro-me de uma história – história que inventei, mas que nem por isso deixa de ser verdadeira. Era um marinheiro dinamarquês, de um cargueiro atracado no porto do Rio de Janeiro por uma noite apenas. Saíra pela cidade desconhecida, de bar em bar, e vinha voltando solitário e bêbado pela madrugada, quando se deu o milagre: nas sujas águas do canal do Mangue, viu refletida uma claridade difusa – ergueu os olhos e viu que as nuvens se haviam rasgado no céu, e o Cristo surgira para ele, de braços abertos, em todo o seu divino esplendor. Fulminado pela visão, caiu de joelhos e chorou de arrependimento pela vida de pecado e impenitência que levara até então. De volta à sua terra, converteu-se, tornou-se místico, acabou num convento. E anos mais tarde, depois de uma vida inteira dedicada a Deus, o monge recebe a visita de um brasileiro. Aquele homem era da cidade em que se dera o milagre da sua conversão.
     – O que o senhor viu foi a estátua do Corcovado – explicou o carioca. Não diz a história se o religioso deixou de sê-lo, por causa da prosaica revelação. Não diz, porque me eximo de acrescentar que, na realidade, depois de viver tanto tempo uma crença construída sobre o equívoco, este equívoco passava a ser mesmo um milagre, como tudo mais nesta vida.
     O milagre da lua quadrada de Londres não me foi desfeito por nenhum londrino descrente do surrealismo astronômico nos céus britânicos. Bastou olhar de manhã pela janela e pude ver, recortado contra o céu, o gigantesco guindaste no cume de uma construção, e numa das pontas da armação de aço atravessada no ar, junto ao contrapeso, o quadrado de vidro que à noite se acende. A minha lua quadrada de Londres.
    Quadrado que talvez simbolize todo um sistema de vida, mais do que anuncia a pequena palavra Laig nele escrita, marca de fabricação do guindaste. De qualquer maneira, os ingleses ganharam, pelo menos na minha imaginação, o emblema do seu modo de ser, impresso nessa visão de uma noite, que foi a lua quadrada de Londres.
(SABINO, Fernando, 1923-2004 – As melhores crônicas – 14ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010. 224 p.)

Assinale a alternativa que contém a justificativa adequada para o uso das vírgulas no período: “Noite de navio perdido em alto-mar, de cemitério, de charneca, de fim de ano, de morro dos ventos uivantes.” (1º§) 

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA C

    ? ?Noite de navio perdido em alto-mar, de cemitério, de charneca, de fim de ano, de morro dos ventos uivantes.? (1º§)

    ? As vírgulas estão separando termos com a mesma função sintática (=adjunto adnominal).

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    ? FORÇA, GUERREIROS(AS)!! 


ID
3307297
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A lua quadrada de Londres

     Eu vinha voltando para casa, dentro da noite de Londres. Uma noite fria, nevoenta, silenciosa – uma noite de Londres. Noite de inverno que começa às quatro horas da tarde e termina às oito da manhã. Noite de navio perdido em alto-mar, de cemitério, de charneca, de fim de ano, de morro dos ventos uivantes. Noite de vampiros, de lobisomens, de fantasmas, de assassinos, de Jack, o Estripador. Eu vinha vindo e apressava o passo, querendo chegar depressa, antes que aquela noite tão densa me dissolvesse para sempre em suas sombras. De espaço a espaço, a luz amarelo-âmbar dos postes pontilhava a rua com seu pequeno foco, como olhos de pantera a seguir-me os passos na escuridão.
    Foi quando a neblina se esgarçou, translúcida, e a lua apareceu.
    Uma lua enorme, resplendente, majestosa – e quadrada.
   Os meus olhos a fitavam, assombrados, e eu não podia acreditar no que eles viam. Quadrada como uma janelinha aberta no céu. Mas amarela como todas as luas do mundo, flutuando na noite, plena de luz, solitária e bela.
  As luas de Londres... Ah, Jayme Ovalle, Manuel Bandeira! A lua de Londres era quadrada!
  Pensei estar sonhando e baixei os olhos humildemente, indigno de merecê-la, tendo bebido mais do que imaginava. Entrei em casa bêbado de lua e fui refugiar-me em meu quarto, refeito já do estranho delírio, no ambiente cálido e acolhedor do meu tugúrio, cercado de objetos familiares.
  Mas foi só chegar à janela, e lá estava ela, dependurada no céu em desafio: uma lua deslumbrante que a neblina não conseguia ofuscar, cubo de luz suspenso no espaço, de contornos precisos, nítido em seus ângulos retos, a desafiar-me com seu mistério. A lua quadrada de Londres!
  Evitei olhá-la outra vez, para não sucumbir ao seu fascínio. Corri as cortinas e fui dormir sob seus eflúvios – enigma imemorial a zombar de todas as astronomias através dos séculos, da mais remota antiguidade aos nossos dias, e oferecendo unicamente a mim a sua verdadeira face. É possível que um sábio egípcio, há cinco mil anos, do alto de uma pirâmide, a tenha vislumbrado uma noite e tentado perquirir o seu segredo. É possível que em Babilônia um cortesão de Nabucodonosor se tenha enamorado perdidamente de uma princesa, na moldura quadrada de seus raios. É possível que na China de Confúcio um mandarim se tenha curvado reverente no jardim, entre papoulas, sob o império de seu brilho retilíneo. É possível que na África, numa clareira das selvas, um feiticeiro da tribo lhe tenha oferecido em holocausto a carcaça sangrenta de um antílope. É possível que nos mares gelados do Norte um viking tenha há 12 séculos levantado os olhos sob o elmo de chifres, e contemplado aquela surpreendente forma geométrica, procurando orientar por ela o seu bergantim. É possível que na Idade Média um alquimista tenha aumentado, sob a influência de sua radiância quadrangular, o efeito milagroso de um elixir da longa vida. É possível que, no longo dos anos, mais de uma donzela haja estremecido em sonhos ao receber no corpo a carícia estranhamente angulosa do luar. Mas, nos dias de hoje, somente a mim a lua se oferecia em toda a sua nudez quadrada. Dormi sorrindo, ao pensar que os astronautas modernos se preparam para ir à Lua em breve – sem ao menos desconfiar que ela não é redonda, mas quadrada como uma janela aberta no cosmo – verdade celestial que só um noctívago em Londres fora capaz de merecer.
    Lembro-me de uma história – história que inventei, mas que nem por isso deixa de ser verdadeira. Era um marinheiro dinamarquês, de um cargueiro atracado no porto do Rio de Janeiro por uma noite apenas. Saíra pela cidade desconhecida, de bar em bar, e vinha voltando solitário e bêbado pela madrugada, quando se deu o milagre: nas sujas águas do canal do Mangue, viu refletida uma claridade difusa – ergueu os olhos e viu que as nuvens se haviam rasgado no céu, e o Cristo surgira para ele, de braços abertos, em todo o seu divino esplendor. Fulminado pela visão, caiu de joelhos e chorou de arrependimento pela vida de pecado e impenitência que levara até então. De volta à sua terra, converteu-se, tornou-se místico, acabou num convento. E anos mais tarde, depois de uma vida inteira dedicada a Deus, o monge recebe a visita de um brasileiro. Aquele homem era da cidade em que se dera o milagre da sua conversão.
     – O que o senhor viu foi a estátua do Corcovado – explicou o carioca. Não diz a história se o religioso deixou de sê-lo, por causa da prosaica revelação. Não diz, porque me eximo de acrescentar que, na realidade, depois de viver tanto tempo uma crença construída sobre o equívoco, este equívoco passava a ser mesmo um milagre, como tudo mais nesta vida.
     O milagre da lua quadrada de Londres não me foi desfeito por nenhum londrino descrente do surrealismo astronômico nos céus britânicos. Bastou olhar de manhã pela janela e pude ver, recortado contra o céu, o gigantesco guindaste no cume de uma construção, e numa das pontas da armação de aço atravessada no ar, junto ao contrapeso, o quadrado de vidro que à noite se acende. A minha lua quadrada de Londres.
    Quadrado que talvez simbolize todo um sistema de vida, mais do que anuncia a pequena palavra Laig nele escrita, marca de fabricação do guindaste. De qualquer maneira, os ingleses ganharam, pelo menos na minha imaginação, o emblema do seu modo de ser, impresso nessa visão de uma noite, que foi a lua quadrada de Londres.
(SABINO, Fernando, 1923-2004 – As melhores crônicas – 14ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010. 224 p.)

Assinale a alternativa em que a função sintática exercida pelos termos em destaque está corretamente indicada. 

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA A

    A) ?Não diz a história se o religioso deixou de sê-lo,...? (11º§) ? Sujeito ? correto, o sujeito está posposto ao verbo, a história não diz (=sujeito).

    B) ?Fulminado pela visão, caiu de joelhos e chorou...? (9º§) ? Objeto indireto ? temos uma locução adverbial de modo, o modo como caiu (=ajoelhado).

    C) ?Os meus olhos a fitavam, assombrados,?? (4º§) ? Complemento nominal ? temos um predicativo do sujeito.

    D) ?? e baixei os olhos humildemente, indigno de merecê-la?? (6º§) ? Adjunto adnominal ? temos um adjunto adverbial de modo, marca o modo como se baixou os olhos.

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    ? FORÇA, GUERREIROS(AS)!! 


ID
3307300
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A lua quadrada de Londres

     Eu vinha voltando para casa, dentro da noite de Londres. Uma noite fria, nevoenta, silenciosa – uma noite de Londres. Noite de inverno que começa às quatro horas da tarde e termina às oito da manhã. Noite de navio perdido em alto-mar, de cemitério, de charneca, de fim de ano, de morro dos ventos uivantes. Noite de vampiros, de lobisomens, de fantasmas, de assassinos, de Jack, o Estripador. Eu vinha vindo e apressava o passo, querendo chegar depressa, antes que aquela noite tão densa me dissolvesse para sempre em suas sombras. De espaço a espaço, a luz amarelo-âmbar dos postes pontilhava a rua com seu pequeno foco, como olhos de pantera a seguir-me os passos na escuridão.
    Foi quando a neblina se esgarçou, translúcida, e a lua apareceu.
    Uma lua enorme, resplendente, majestosa – e quadrada.
   Os meus olhos a fitavam, assombrados, e eu não podia acreditar no que eles viam. Quadrada como uma janelinha aberta no céu. Mas amarela como todas as luas do mundo, flutuando na noite, plena de luz, solitária e bela.
  As luas de Londres... Ah, Jayme Ovalle, Manuel Bandeira! A lua de Londres era quadrada!
  Pensei estar sonhando e baixei os olhos humildemente, indigno de merecê-la, tendo bebido mais do que imaginava. Entrei em casa bêbado de lua e fui refugiar-me em meu quarto, refeito já do estranho delírio, no ambiente cálido e acolhedor do meu tugúrio, cercado de objetos familiares.
  Mas foi só chegar à janela, e lá estava ela, dependurada no céu em desafio: uma lua deslumbrante que a neblina não conseguia ofuscar, cubo de luz suspenso no espaço, de contornos precisos, nítido em seus ângulos retos, a desafiar-me com seu mistério. A lua quadrada de Londres!
  Evitei olhá-la outra vez, para não sucumbir ao seu fascínio. Corri as cortinas e fui dormir sob seus eflúvios – enigma imemorial a zombar de todas as astronomias através dos séculos, da mais remota antiguidade aos nossos dias, e oferecendo unicamente a mim a sua verdadeira face. É possível que um sábio egípcio, há cinco mil anos, do alto de uma pirâmide, a tenha vislumbrado uma noite e tentado perquirir o seu segredo. É possível que em Babilônia um cortesão de Nabucodonosor se tenha enamorado perdidamente de uma princesa, na moldura quadrada de seus raios. É possível que na China de Confúcio um mandarim se tenha curvado reverente no jardim, entre papoulas, sob o império de seu brilho retilíneo. É possível que na África, numa clareira das selvas, um feiticeiro da tribo lhe tenha oferecido em holocausto a carcaça sangrenta de um antílope. É possível que nos mares gelados do Norte um viking tenha há 12 séculos levantado os olhos sob o elmo de chifres, e contemplado aquela surpreendente forma geométrica, procurando orientar por ela o seu bergantim. É possível que na Idade Média um alquimista tenha aumentado, sob a influência de sua radiância quadrangular, o efeito milagroso de um elixir da longa vida. É possível que, no longo dos anos, mais de uma donzela haja estremecido em sonhos ao receber no corpo a carícia estranhamente angulosa do luar. Mas, nos dias de hoje, somente a mim a lua se oferecia em toda a sua nudez quadrada. Dormi sorrindo, ao pensar que os astronautas modernos se preparam para ir à Lua em breve – sem ao menos desconfiar que ela não é redonda, mas quadrada como uma janela aberta no cosmo – verdade celestial que só um noctívago em Londres fora capaz de merecer.
    Lembro-me de uma história – história que inventei, mas que nem por isso deixa de ser verdadeira. Era um marinheiro dinamarquês, de um cargueiro atracado no porto do Rio de Janeiro por uma noite apenas. Saíra pela cidade desconhecida, de bar em bar, e vinha voltando solitário e bêbado pela madrugada, quando se deu o milagre: nas sujas águas do canal do Mangue, viu refletida uma claridade difusa – ergueu os olhos e viu que as nuvens se haviam rasgado no céu, e o Cristo surgira para ele, de braços abertos, em todo o seu divino esplendor. Fulminado pela visão, caiu de joelhos e chorou de arrependimento pela vida de pecado e impenitência que levara até então. De volta à sua terra, converteu-se, tornou-se místico, acabou num convento. E anos mais tarde, depois de uma vida inteira dedicada a Deus, o monge recebe a visita de um brasileiro. Aquele homem era da cidade em que se dera o milagre da sua conversão.
     – O que o senhor viu foi a estátua do Corcovado – explicou o carioca. Não diz a história se o religioso deixou de sê-lo, por causa da prosaica revelação. Não diz, porque me eximo de acrescentar que, na realidade, depois de viver tanto tempo uma crença construída sobre o equívoco, este equívoco passava a ser mesmo um milagre, como tudo mais nesta vida.
     O milagre da lua quadrada de Londres não me foi desfeito por nenhum londrino descrente do surrealismo astronômico nos céus britânicos. Bastou olhar de manhã pela janela e pude ver, recortado contra o céu, o gigantesco guindaste no cume de uma construção, e numa das pontas da armação de aço atravessada no ar, junto ao contrapeso, o quadrado de vidro que à noite se acende. A minha lua quadrada de Londres.
    Quadrado que talvez simbolize todo um sistema de vida, mais do que anuncia a pequena palavra Laig nele escrita, marca de fabricação do guindaste. De qualquer maneira, os ingleses ganharam, pelo menos na minha imaginação, o emblema do seu modo de ser, impresso nessa visão de uma noite, que foi a lua quadrada de Londres.
(SABINO, Fernando, 1923-2004 – As melhores crônicas – 14ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010. 224 p.)

A expressão sublinhada que exerce uma função sintática DIFERENTE das demais é: 

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA B

    A) Cubo de luz ? temos um adjunto adnominal.

    B) Plena de luz ? temos um complemento nominal, completa o sentido do adjetivo "plena", plena DE alguma coisa (=complemento nominal ? de luz).

    C) Noite de inverno ? temos um adjunto adnominal.

    D) Olhos de pantera ? temos um adjunto adnominal.

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    ? FORÇA, GUERREIROS(AS)!! 

  • Resolvi da seguinte forma:

    A) Cubo de luz : cubo luminoso

    C) Noite de inverno : noite invernal.

    D) Olhos de pantera : olhos felinos (forçei)

    Só a B não teve uma resposta.

  • Sempre que o termo preposicionado completar o sentido de um adjetivo teremos complemento nominal.

  • https://www.youtube.com/watch?v=XPi87S4XeEM

  • MELHOR EXPLICAÇÃO!!!


ID
3307303
Banca
CONSULPLAN
Órgão
Prefeitura de Venda Nova do Imigrante - ES
Ano
2016
Provas
Disciplina
Português
Assuntos

A lua quadrada de Londres

     Eu vinha voltando para casa, dentro da noite de Londres. Uma noite fria, nevoenta, silenciosa – uma noite de Londres. Noite de inverno que começa às quatro horas da tarde e termina às oito da manhã. Noite de navio perdido em alto-mar, de cemitério, de charneca, de fim de ano, de morro dos ventos uivantes. Noite de vampiros, de lobisomens, de fantasmas, de assassinos, de Jack, o Estripador. Eu vinha vindo e apressava o passo, querendo chegar depressa, antes que aquela noite tão densa me dissolvesse para sempre em suas sombras. De espaço a espaço, a luz amarelo-âmbar dos postes pontilhava a rua com seu pequeno foco, como olhos de pantera a seguir-me os passos na escuridão.
    Foi quando a neblina se esgarçou, translúcida, e a lua apareceu.
    Uma lua enorme, resplendente, majestosa – e quadrada.
   Os meus olhos a fitavam, assombrados, e eu não podia acreditar no que eles viam. Quadrada como uma janelinha aberta no céu. Mas amarela como todas as luas do mundo, flutuando na noite, plena de luz, solitária e bela.
  As luas de Londres... Ah, Jayme Ovalle, Manuel Bandeira! A lua de Londres era quadrada!
  Pensei estar sonhando e baixei os olhos humildemente, indigno de merecê-la, tendo bebido mais do que imaginava. Entrei em casa bêbado de lua e fui refugiar-me em meu quarto, refeito já do estranho delírio, no ambiente cálido e acolhedor do meu tugúrio, cercado de objetos familiares.
  Mas foi só chegar à janela, e lá estava ela, dependurada no céu em desafio: uma lua deslumbrante que a neblina não conseguia ofuscar, cubo de luz suspenso no espaço, de contornos precisos, nítido em seus ângulos retos, a desafiar-me com seu mistério. A lua quadrada de Londres!
  Evitei olhá-la outra vez, para não sucumbir ao seu fascínio. Corri as cortinas e fui dormir sob seus eflúvios – enigma imemorial a zombar de todas as astronomias através dos séculos, da mais remota antiguidade aos nossos dias, e oferecendo unicamente a mim a sua verdadeira face. É possível que um sábio egípcio, há cinco mil anos, do alto de uma pirâmide, a tenha vislumbrado uma noite e tentado perquirir o seu segredo. É possível que em Babilônia um cortesão de Nabucodonosor se tenha enamorado perdidamente de uma princesa, na moldura quadrada de seus raios. É possível que na China de Confúcio um mandarim se tenha curvado reverente no jardim, entre papoulas, sob o império de seu brilho retilíneo. É possível que na África, numa clareira das selvas, um feiticeiro da tribo lhe tenha oferecido em holocausto a carcaça sangrenta de um antílope. É possível que nos mares gelados do Norte um viking tenha há 12 séculos levantado os olhos sob o elmo de chifres, e contemplado aquela surpreendente forma geométrica, procurando orientar por ela o seu bergantim. É possível que na Idade Média um alquimista tenha aumentado, sob a influência de sua radiância quadrangular, o efeito milagroso de um elixir da longa vida. É possível que, no longo dos anos, mais de uma donzela haja estremecido em sonhos ao receber no corpo a carícia estranhamente angulosa do luar. Mas, nos dias de hoje, somente a mim a lua se oferecia em toda a sua nudez quadrada. Dormi sorrindo, ao pensar que os astronautas modernos se preparam para ir à Lua em breve – sem ao menos desconfiar que ela não é redonda, mas quadrada como uma janela aberta no cosmo – verdade celestial que só um noctívago em Londres fora capaz de merecer.
    Lembro-me de uma história – história que inventei, mas que nem por isso deixa de ser verdadeira. Era um marinheiro dinamarquês, de um cargueiro atracado no porto do Rio de Janeiro por uma noite apenas. Saíra pela cidade desconhecida, de bar em bar, e vinha voltando solitário e bêbado pela madrugada, quando se deu o milagre: nas sujas águas do canal do Mangue, viu refletida uma claridade difusa – ergueu os olhos e viu que as nuvens se haviam rasgado no céu, e o Cristo surgira para ele, de braços abertos, em todo o seu divino esplendor. Fulminado pela visão, caiu de joelhos e chorou de arrependimento pela vida de pecado e impenitência que levara até então. De volta à sua terra, converteu-se, tornou-se místico, acabou num convento. E anos mais tarde, depois de uma vida inteira dedicada a Deus, o monge recebe a visita de um brasileiro. Aquele homem era da cidade em que se dera o milagre da sua conversão.
     – O que o senhor viu foi a estátua do Corcovado – explicou o carioca. Não diz a história se o religioso deixou de sê-lo, por causa da prosaica revelação. Não diz, porque me eximo de acrescentar que, na realidade, depois de viver tanto tempo uma crença construída sobre o equívoco, este equívoco passava a ser mesmo um milagre, como tudo mais nesta vida.
     O milagre da lua quadrada de Londres não me foi desfeito por nenhum londrino descrente do surrealismo astronômico nos céus britânicos. Bastou olhar de manhã pela janela e pude ver, recortado contra o céu, o gigantesco guindaste no cume de uma construção, e numa das pontas da armação de aço atravessada no ar, junto ao contrapeso, o quadrado de vidro que à noite se acende. A minha lua quadrada de Londres.
    Quadrado que talvez simbolize todo um sistema de vida, mais do que anuncia a pequena palavra Laig nele escrita, marca de fabricação do guindaste. De qualquer maneira, os ingleses ganharam, pelo menos na minha imaginação, o emblema do seu modo de ser, impresso nessa visão de uma noite, que foi a lua quadrada de Londres.
(SABINO, Fernando, 1923-2004 – As melhores crônicas – 14ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2010. 224 p.)

O texto em questão, quanto ao foco narrativo e gênero literário, pode ser classificado como: 

Alternativas
Comentários
  • GABARITO: LETRA A

    ? Um texto narrativo marcado pela 1ª pessoa do singular (eu) e possui um gênero lírico (sentimental, romântico, apaixonado, poético, emotivo, sonhador).

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  • Complementando....

    Trecho original:

    Cada um precisa aprender com o outro, permitindo-se entrar mais em uma esfera de atividade humana à qual não pertence originalmente.

    Para que a substituição fique gramaticalmente correta, devemos alterar a preposição.

    Trecho modificado:

    Cada um precisa aprender com o outro, permitindo-se entrar mais em uma esfera de atividade humana da qual não participa originalmente.